sexta-feira, novembro 17, 2017

MAFRA 300 ANOS

Comemora-se hoje o Tricentenário do lançamento da 1ª pedra do Palácio Nacional de Mafra, monumento grandioso que mostra uma grandiosidade passada, e uma série de fraquezas do presente.

Imagem da construção do Palácio de Mafra 

Imagem antiga do Palácio de Mafra

Os dois carrilhões estão calados há anos...

O Museu de Escultura Comparada está fechado há mais de 50 anos

segunda-feira, novembro 13, 2017

PÚBLICOS E PATRIMÓNIO



Aproveitando a visibilidade dada pelo caso do jantar no Panteão Nacional, penso que convém assinalar que o Património não tem apenas que ser dignificado, até porque existem outras vertentes a que é necessário dar a devida atenção se queremos cuidar verdadeiramente do Património.

É sabido que a conservação dos museus, palácios e monumentos necessita de investimento, que é insuficiente como se sabe, e que a sua preservação depende de todos nós, porque é insubstituível.

O investimento depende de todos, através dos impostos e das receitas arrecadadas com bilheteiras e lojas, pelo que dependem não só de políticas mas também de visitas aos museus.

A preservação dos edifícios e das colecções dependem não só de quem cuida do Património, mas também de quem o visita, que por vezes não se comporta devidamente, por ignorância, ou por falta de civismo.

Muitos de nós pensamos que o público que visita museus e monumentos se comporta devidamente, e isso é válido em boa parte dos visitantes, mas infelizmente ainda há muita gente que não se sabe comportar devidamente, e os períodos da gratuitidade (domingos e feriados pela manhã) são um verdadeiro pesadelo para quem lá trabalha, ainda que não seja apenas nesses períodos que os maus comportamentos se verifiquem.

Um jantar no Panteão pode ser mais inofensivo do que um qualquer visitante com  uma conduta reprovável.



sábado, novembro 11, 2017

EVENTOS E PATRIMÓNIO



O jantar (ou banquete) realizado no Panteão Nacional em que participaram participantes da Web Summit, mereceu o repúdio de António Costa, de Marcelo Rebelo de Sousa e uma tomada de posição do ministro da Cultura, que diz pretender alterar o Regulamento de Utilização de Espaços dependentes da DGPC.

Este tema das cedências de espaços em edifícios sob a alçada do ministério da Cultura, e não só, não é novo e já foi tema de polémicas, de suspeitas e de denúncias de irregularidades, sem contudo se conhecerem consequências.

Umas filmagens em Tomar deram brado, cedências de espaços nos Jerónimos foram alvo de denúncias e de suspeitas, a exposição de carros eléctricos no Museu dos Coches foi alvo de muitas críticas, e até no Museu da Presidência houve suspeitas de irrecularidades.

Dentro do meio dos museus e monumentos existem muitas conversas sobre algumas cedências de espaços e das pessoas que para elas são destacadas, pois só estão regulamentados os valores dos pagamentos ao pessoal de vigilância, sendo que nem sempre são esses os destacados para esse trabalho, desconhecendo-se como serão compensados os não normalmente afectos à vigilância.



quinta-feira, novembro 09, 2017

O DEFENSOR DO STATUS QUO

Os sistemas de Segurança Social e as políticas fiscais e de Justiça do mundo ocidental têm sido postas em causa, não só porque falharam em muitos casos, estão em colapso noutros e não resolveram as desigualdades, que até aumentaram, e muito.

O Rendimento Básico Incondicional é apenas mais uma ideia que está a ser testada em países nórdicos, e que até tem recolhido opiniões positivas de bastantes sectores, mas pelos vistos o ministro Augusto Santos Silva acha que é um modelo “contra-intuitivo”.

Quando os defensores deste modelo afirmam que traria justiça social e um mínimo de segurança, bem como a emancipação e a liberdade de fazer escolhas (de empregos, por exemplo), Santos Silva acena com a intuição de que o modelo actual é mais aceite (?) e mais justo. Terá acrescentado ainda que defendia também o microcrédito, recordando Muhammad Yunus.

O senhor ministro não conseguiu fazer esquecer que as desigualdades aumentaram, que não existe justiça fiscal, que muita gente fica desprotegida em situações de desemprego e velhice, e que os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.


Discutir o assunto é urgente porque daqui a 15 ou 20 anos a Segurança Social que conhecemos hoje não passará de uma esmola que não dará sequer para a subsistência dos beneficiários.


terça-feira, novembro 07, 2017

A CAMPANHA MAIS LIMPINHA

O Turismo de Portugal aproveitou esta ocasião para lançar uma campanha para dizer que "é impossível escapar a Portugal", e com a previsão de gastar 20 milhões em 2017 e 2018, nada melhor do que fazer uma campanha... limpinha!


quinta-feira, novembro 02, 2017

REGRESSO AO PASSADO - PAÇO DE SINTRA

3ª Parte

… , e depois pela Sala dos Particulares, ornada , de dois ricos panos de Arrás, e a seguir pela Sala de Jantar, sem nada de notável, a não ser o ornato das janelas; entra-se então na Sala das Sereias ou da Galé, tão rica de decoração cerâmica (azulejos e mosaicos de grande beleza) e com uma curiosa porta de mármore, a um canto; à qual se segue a famosa Sala das Pegas, cujo motivo decorativo, se filia numa tradição galante que vamos resumir.

Um dia D. João I, galanteando uma dama da corte, deu-lhe uma rosa e um beijo; D. Filipa de Lencastre surpreendeu então o marido, que, ao dar por ela, respondeu: «Senhora, foi por bem». O caso fez escândalo no paço, e o rei, para confirmar dum modo público a frase, mandou adornar o tecto do salão com pegas (aves que simbolizam a parolice), tendo cada uma pendente do bico a legenda por bem. Há aí um rico lustre de Veneza e o célebre fogão monumental, de mármore de Carrara, transferido do Paço de Almeirim. Não tem qualquer consistência a afirmação de que foi oferta de Leão X a D. Manuel I. Parece que o trabalho de escultura é flamengo. Haupt atribuiu-o a Franz Florio. Na frente dele dois cofres, sendo o da direita de verdadeiro guada mecim hispano-árabe e o da esquerda imitação.

Atravessando o lindo Pátio Central, entra-se na grande Sala dos Cisnes (antiga de recepção), assim chamada por ter pintadas no tecto 27 destas aves, decoração primorosa e policromada a branco, vermelho, azul e ouro, decerto do tempo de D. Manuel I mas com restauros posteriores. As janelas e portas, talhadas em fino mármore, são muito lindas.
 Ao lado um terraço com alpendre, bancos corridos e um assento de braços, forrados de azulejos sevilhanos, onde (diz-se) D. Sebastião convocou os conselheiros de Estado para os ouvir sobre o infausto projecto da expedição a Alcácer-Quibir.

Voltando ao vestíbulo visitam-se os quartos que, no derradeiro período da monarquia, eram habitados pelos soberanos. É o 1º o antigo quarto de D. Luís, donde este monarca saiu doente para Cascais, onde faleceu. Na parede do fundo há uma rica tapeçaria Gobelin, com Luís XIV vestido à romana e visitando um atelier de pintura. Na sala seguinte notam-se alguns retratos, um deles de D. Catarina de Bragança, mulher de Carlos II de Inglaterra. Seguem-se o quarto de dormir da rainha D. Maria Pia, que tem paredes pintadas a cal, destoando de todo o edifício; o de vestir com armários vindos da Ajuda e vários castiçais Império; a sala de música, com numerosas peças de faiança de Sèvres, Saxe, Limoges, etc., vindas do Castelo da Pena, havendo entre elas um prato com os retratos de Luís XIV, de sua mulher, Teresa de Áustria, e de 7 amantes daquele rei; o antigo escritório com faianças hispano-árabes e, ao centro, uma bela taça da fábrica do Rato.

Por fim vai-se à original Sala de banho árabe, ou Casa da água, no pátio, de cujas paredes saem jorros de água.


FIM 


A imagem é do roteiro de onde este texto foi retirado e cujo autor está bem identificado. Algumas informações são erradas, mas esta (re)publicação teve como objectivo chamar a atenção para o tipo de visita existente nos anos 20 e 30 do séc. XX, e para o que se dizia então, bem como o que se oferecia ao público.

Talvez de pois disto haja quem queira revisitar o Palácio da Vila para tirar a limpo as diferenças.

terça-feira, outubro 31, 2017

REGRESSO AO PASSADO - PAÇO DE SINTRA



2ª Parte
 
Entra-se depois na Sala dos Brasões, ou dos Veados, ou ainda das Armas, salão quadrilongo com as paredes decoradas de azulejos do século XVII (episódios cinegéticos) e tecto em cúpula, formado por caixotins, com 72 cabeças de veado pintadas na madeira, as quais ostentam pendentes do pescoço os brasões das principais famílias nobres do século XVI. As armas dos Távoras e as dos duques de Aveiro foram mandadas apagar no séc. XVIII, após a execução daqueles titulares, implicados num atentado contra a vida de D. José.

Os seguintes versos, inseridos no friso, mostram o intuito de D. Manuel I ao determinar a ornamentação que referimos:

POIS COM ESFORÇOS E LEAIS – SERVIÇOS FORAM GANHADOS,
COM ESTES E OUTROS TAIS – DEVEM DE SER CONSERVADOS.

Trata-se de obra admirável. Repare-se na formusura das janelas do mesmo salão e, abrindo-as, nos quadros de encantadora paisagem que elas patenteiam.

Regressa-se agora ao corpo central do Paço, bem manuelino na decoração. À direita dica-nos o Pátio da Carranca; passa-se pela Sala da Coroa, que dá para outro pátio, de Diana (fonte do Renascimento e azulejos de relevo)…

(Continua)


Nota: Esta descrição era muito comum à época, e continuou a ser usada por muita e boa gente, mas alguns aspectos vieram depois a ser corrigidos à medida em que se começou a aperfeiçoar o conhecimento do monumento.

domingo, outubro 29, 2017

REGRESSO AO PASSADO - PAÇO DE SINTRA



1ª Parte
 
Subindo a escadaria vê-se uma fonte da Renascença e, transpostos os arcos ogivais, toma-se o bilhete para a visita. Deste átrio, com a sua série de formosas janelas, sobe-se, por dois lanços de escadas, o segundo em espiral, ao interior (um guarda acompanha os visitantes):

Entra-se na Sala dos Archeiros, ornamentada por dois belos panos de Aubusson, contadores, quadros e uma mesa de mosaico florentino; daí se passa à Cozinha, que tem de notável ser todo o tecto formado por duas enormes chaminés cónicas, que de fora se avistam de muito longe.

Sobe-se depois à curiosa Sala dos Mouros, com as paredes forradas de azulejos árabes e uma fonte de mármore no meio; e dela se passa à Capela, onde são dignos de nota o tecto, o chão da capela-mor e os restos de um fresco. À direita era a tribuna real.

Daí vai-se à sala onde, numa vitrina, está um rico pagode de marfim, presente do imperador da China a D. Carlota Joaquina; e subindo16 degraus à direita, ao cubículo de onde ouvia missa o infeliz D. Afonso VI, que aí morreu em 12 de Setembro de 1683, durante um desses ofícios. Do outro lado é o quarto onde ele esteve 8 anos prisioneiro, depois de abdicar forçadamente à coroa para seu irmão D. Pedro II, que não só lhe arrancou o ceptro, como conseguiu também anular-lhe o casamento e matrimoniar-se com a rainha Maria Francisca Isabel de Sabóia. O rei deposto tanto passeou a sua tristeza nesse quarto que gastou os tijolos do pavimento, como ainda hoje se vê. Era passeando que o infeliz olhava continuamente a montanha, onde o conde de Castelo-Melhor, seu primeiro ministro e devotado amigo, duma casa na vertente da serra (hoje Quinta do Saldanha) lhe fazia sinais, para lhe incutir esperança numa revolta que o reporia no trono. Assim reza a tradição.

(Continua)



sexta-feira, outubro 27, 2017

ENTRE OUTRAS COISAS, É POR ISTO QUE ESTOU EM GREVE

Estou em greve! Sou mal pago, tenho a minha carreira congelada e horizontalizada, já não sei o que é um aumento desde 2009, não sou classificado há 5 anos, e sou frequentemente ridicularizado por ser funcionário público.

Os meus superiores recebem classificações óptimas e não fazem nada, nem sequer têm tempo para me classificar, chegam tarde ao serviço quase todos os dias, recusam o ponto electrónico, porque os penalizaria como é óbvio, e vão receber aumentos para o ano que vem, porque têm a faca e o queijo na mão.

Fui enganado pelo Estado português quando abracei a função pública, porque me prometeram a reforma por inteiro aos 36 anos de serviço, e agora com 42 de serviço não me posso reformar sem uma penalização que passa os 30%.

Fui discriminado por assumir a defesa dos meus colegas, representando-os no sindicato, e mesmo sem me poderem apontar o que quer que seja a nível profissional, não estou no lote dos que vão subir de escalão no próximo ano, porque isso ficou apenas para quem lambe as botas das chefias, mesquinhas e incompetentes que grassam pela administração pública.

Recuso-me a colaborar com incompetentes e a pactuar com gente medíocre, mesmo que tenha que pagar este preço.