terça-feira, maio 16, 2017

REGRESSO AO PASSADO?

Começo por declarar que não sou católico, não sou do Benfica e não um apreciador ferrenho do fado, ainda que goste do de Coimbra. No manifesto de interesses também devo declarar-me não nacionalista, embora orgulhoso de ser português.

Quando no mesmo dia vejo as atenções dos média saltar da visita a Fátima do Papa, para a victória do Benfica à tarde, e depois dar uma guinada; à noite, para o Festival da Eurovisão, fico apreensivo, porque as multidões saltam também de um acontecimento para outro, parecendo que não houve ninguém que ficasse alheio a, pelo menos um dos acontecimentos do dia.

Os três FFF do Estado Novo eram o Futebol, o Fado e Fátima, pela ordem que desse mais jeito a cada um. O povo revia-se em pelo menos uma das manifestações, bastava portanto dar o devido relevo a todas para manter o povo “anestesiado” relativamente às realidades da vida que a grande maioria dos portugueses tinha, com baixos salários, sem direitos e sem a oportunidade de manifestar a sua vontade livremente, escolhendo outros que não os candidatos impostos pelo regime.

Hoje é tudo mais subtil, mas os direitos estão ainda condicionados pela economia, os salários continuam a ser muito baixos relativamente ao espaço onde competimos, e politicamente até as escolhas estão cada vez mais condicionadas, porque temos que obedecer aos credores.


As televisões e as rádios, começando pelas que são do sector público, deram relevo aos três FFF no passado sábado, mas espero que haja sempre quem resista, alguém que pense pela sua cabeça, e alguém pretenda um Portugal melhor, para si e para os seus filhos… 


sábado, maio 13, 2017

SERVIÇO PÚBLICO E LAICIDADE

Nada tenho contra o Papa, ou contra o catolicismo em geral, mas tenho o direito de discordar com as direcções dos meios de comunicação social que beneficiam do estatuto de serviço público, que todos pagamos, e depois passam dias a fio a relatar ad nauseam todos os detalhes da visita do Papa e da canonização dos pastorinhos de Fátima.

Os portugueses não professam todos a fé católica, e estão no seu direito, não sendo por isso bem servidos pelo serviço público que se dedica totalmente a noticiar uma efeméride que apenas interessa aos seu seguidores. 

Onde está o senhor ministro da Cultura, que permite isto na RTP, onde pára a oposição na defesa da isenção e igualdade de tratamento dos diferentes credos, onde pára a autoridade para a comunicação social?

Não venham com aquela do botão de desligar a TV, porque todos pagamos para o tal serviço público, que nestes dois dias não existiu. Vão fazer um desconto nas taxas?


quarta-feira, maio 10, 2017

MINISTRO DA CULTURA ESPERA UM MILAGRE

Contrariando o espírito do Primeiro-Ministro e a atitude de todos os seus colegas do Governo, o ministro da Cultura determinou que os museus, palácios e monumentos, dependentes do seu ministério, deverão estar abertos no dia 12 de Maio, o que na prática significa que só os Assistentes Técnicos em funções de vigilância, deixem de ter direito a esta tolerância de ponto, excluindo naturalmente os serviços absolutamente essenciais, como sejam as forças de segurança e os serviços de urgência ligados ao sector da saúde, que como se percebe estão sempre de serviço devido à natureza do serviço que prestam.

A atitude do senhor ministro só pode ser encarada como um acto discriminatório para com estes trabalhadores, uma vez que a sua circular nem sequer invoca um motivo relevante, ficando-se pelas "razões de interesse público", que não foram naturalmente acompanhadas por nenhum dos seus colegas.

Errar é humano, mas não reconhecer o erro não dá boa imagem a um ministro da Cultura que consegue ser considerado o pior  ministro deste governo.


segunda-feira, maio 08, 2017

TIRO AO LADO, PLUMA CAPRICHOSA

Um artigo de Clara Ferreira Alves, no Expresso de domingo, chamou-me a atenção para o modo como alguns portugueses encaram os problemas que têm perante os serviços da administração pública.

Para começar devo dizer que a articulista agiu, e escreveu como um típico português com habilitações académicas e uma posição social até um pouco acima da média, e foi por isso que a li com mais atenção.

O seu contacto, pelos vistos traumático, com a conservatória do registo civil para obter um passaporte, que ela supôs erradamente que seria mais rápido porque a ministra da Modernização Administrativa disseram que ficaria mais simples por causa do Simplex, e afinal foi frustrantemente mais lento do que poderia imaginar.

Chegados a esta frustração, que atinge indistintamente funcionários públicos, e os não funcionários, temos que CFA decidiu lançar a suspeita de que haveria uma “hora de almoço da função pública”, bastante cedo, que entre os funcionários que estava a ver “ninguém se lembrou de simplexamente actualizar a lista do site do Estado” (desactualizado), que talvez els fossem responsáveis pelo “ar desleixado” (do piso), e pelo estado do WC, e até que “uma funcionária apanhava papéis com uma lenta deliberação, sem atender”, talvez estando a fazer cera.

Quando conseguiu entabular diálogo com uma funcionária, foi-lhe dito que os funcionários são poucos, que estão desmotivados, o que classificou como “o queixume do costume”, e conclui com “ e deste lado, a espera e a desorganização geral fazem com que os ameacemos e hostilizemos”.

A Pluma Caprichosa ignora muito simplesmente que existem responsáveis pelos procedimentos administrativos, chefias responsáveis pelos serviços e pela sua coordenação, e responsáveis políticos que deviam dar a todos os serviços condições, não só de meios físicos, mas também de meios humanos para um funcionamento de qualidade. Nada disto se cria apenas com um qualquer Simplex, anunciado com pompa e circunstância.


Clara Ferreira Alves apontou muito baixo, e inverteu a pirâmide de responsabilidades, talvez porque é mais fácil, está mais à mão e talvez lhe seja muito conveniente (isto penso eu, que também tenho o mesmo direito de opinar). 


sábado, maio 06, 2017

CONTRA A CORRENTE

Numa altura em que se discutem aumentos salariais, descongelamento de carreira e de escalões na função pública, talvez seja útil ter uma opinião, mesmo que seja bastante contra a corrente habitual.

As disparidades salariais em Portugal são enormes, para não dizer escandalosas, e quando falamos do descongelamento dos escalões e dos aumentos salariais, normalmente temos implícitas regras percentuais, e na prática isso significa que os que mais ganham terão também aumentos mais substanciais.

Quando se discutem aumentos na base percentual estamos a propor um aumento das disparidades salariais, o que não acho que seja justo na situação actual, porque se o custo de vida aumenta, os produtos essenciais aumentam, aumentam para todos de igual modo, e não em função do salário auferido.

Um governo das esquerdas, como este gosta de se autointitular, devia equacionar aumentos iguais para todos os seus trabalhadores, porque se 100 euros são suficientes para um assistente operacional, também são suficientes para os técnicos superiores, para os deputados e demais servidores públicos.


A Justiça não tem regras percentuais, meus amigos, e se advogam aumentos justos, então vamos a isso, na prática.   

quinta-feira, maio 04, 2017

APONTAR É FEIO

Nem os anjos escapam à crítica...

O anjo a apontar...

O anjo apanhado em flagrante

terça-feira, maio 02, 2017

DIVÓRCIO COM A REALIDADE

Em conversa com responsáveis da Cultura pude constatar que são muitos os que desconhecem o que se passa em serviços da sua área de trabalho, que deviam conhecer em profundidade.

O assunto era a greve dos funcionários de vigilância dos museus, e fiquei a saber que um director de museu, e um responsável na área contabilística, desconheciam os montantes dos salários dos funcionários que estavam em greve, e não sabiam que eles não recebiam nem um avo mais, pelo trabalho feito aos sábados e domingos.

Tudo isto pode parecer caricato e surreal, mas garanto-vos que é verdade. Também é verdade que um responsável por um museu, nas vésperas dum feriado, se dirigiu aos vigilantes desejando-lhes uma “boa ponte”, quando eles nem podiam ter direito a passar o feriado com a família, quanto mais ter uma ponte.


Para se perceber bem o divórcio entre as chefias e os subordinados, nem vou recorrer a um exemplo nacional, mas cito o caso da Tate Gallery, onde a instituição (ou alguns dos responsáveis), pediu donativo aos funcionários para oferecer um veleiro ao director. É preciso ter muita lata, ou estar muito alheio à realidade.

Tate Modern

sábado, abril 29, 2017

CULTURA E VANDALISMO

Um vândalo resolveu registar sobre uma gravura antiga e situada num local classificado como Património da Humanidade, uma bicicleta, que será talvez o seu orgulho, ou a moda mais recente a que aderiu.

O idiota não será com toda a certeza um pobre analfabeto, pelo que a sua acção é um crime, já que não pode declarar que desconhecia o local onde estava, nem a gravidade do seu acto.

Infelizmente todo o nosso Património está sujeito a coisa do género, não só por falta de pessoal de vigilância, mas sobretudo porque não se investe na sensibilização dos públicos, começando pelo público escolar e pelos professores que podem ser agentes próximos nessa tarefa.

Meu nabo, o que te pedi foi uma bicla...

Diga-me, afinal onde está a gravura da bike?

quarta-feira, abril 26, 2017

TAL DONO TAL CÃO

Hoje perguntaram-me se achava que existem cães perigosos, a propósito de notícias triste bem recentes, e confesso que só encontrei uma resposta adequada: os cães são um espelho dos seus donos... É uma frase feita? Pois seja, mas é bem verdadeira.


domingo, abril 23, 2017

A BIBLIOTECA CONGELADA

Uma das mais bonitas bibliotecas do mundo é a do Palácio Nacional de Mafra, disso não temos dúvidas, e é por isso mesmo que falo dela.

Li há dois dias uma notícia num jornal, e o que mais me chamou à atenção foi precisamente o título, que pelos vistos foi tirado das declarações do director do monumento, e que era “a biblioteca de Mafra está congelada e isso é bom”.

Este título não é para se ler duma forma literal, eu sei, mas é curioso como a minha opinião também se podia descrever quase com as mesmas palavras.

Todo o monumento é um perfeito congelador em boa parte do ano, e as temperaturas são muito constantes, o que é bom para a conservação, mas não será simpático para quem lá trabalha, a menos que seja num escritório climatizado. Eu diria que o monumento parece estar congelado no tempo, que pela falta de cuidados na conservação do edifício, quer na informação disponibilizada no percurso museológico.

Curiosamente, e referindo-me especificamente à biblioteca, notei pela notícia que ainda se desconhece muito sobre os livros que lá se encontram, e pelo que me disseram numa visita feita no ano passado, os muitos volumes que lá se encontram não estão digitalizados, e nem sequer é público o espólio existente naquele espaço.


É uma pena que muita coisa esteja “congelada”, e acredito que como eu, muitas outras pessoas gostassem de ter acesso a mais informação sobre esta maravilha do nosso Património.


sexta-feira, abril 21, 2017

OS “PEQUENOS” MANDÕES

Infelizmente é mais comum do que se possa pensar, existem muitas figuras sem jeito nem poder efectivo, que se fazem valer da sua posição favorável, obtida não por competência nem capacidades demonstráveis, para “poder mandar” nos outros, muitas vezes muito mais conhecedores, mais competentes e assíduos.

Pessoas desta jaez não trazem nada de positivo aos serviços, prejudicam e minam as equipas, usando os seus “poderzinhos” dividir para reinar, insinuando-se sempre perante as altas chefias como indispensáveis e capazes de resolver problemas, usando o medo e a ameaça como armas preferidas.

Há um ditado popular que encaixa na perfeição em situações destas: não peças a quem pediu, nem sirvas a quem serviu.


Chefias que não sabem escolher os seus coadjuvantes, que não sabem ajuizar sobre a competência dos seus subordinados, que não sabem defender as suas equipas, merecem falhar e ter serviços desmotivados e pouco produtivos, pois também são incompetentes para chefiar.


terça-feira, abril 18, 2017

O MEU PALÁCIO PREFERIDO

No Dia Internacional dos Monumentos e Sítios achei que devia deixar aqui, publicamente, a minha preferência pelo Palácio Nacional de Sintra, não só pela particularidade de ser o mais antigo palácio real, ou por ter sido utilizado pela monarquia durante mais séculos, mas também porque afectivamente estou ligado a este edifício e a muitos portugueses que já lá trabalharam, trabalham ou o usam nas suas vidas profissionais.


segunda-feira, abril 17, 2017

MACACADAS

 Fui desportista na minha juventude e sou um amante do desporto em geral, mas estou decepcionado com o futebol profissional que tem proporcionado momentos muito tristes.

O dinheiro que está envolvido no futebol de alta competição, o mau comportamento de dirigentes e o lamentável comportamento das claques, têm ensombrado a arte que os futebolistas colocam em campo.


Infelizmente os ideia do desporto foram eclipsados pela corrupção, pela má educação e pelo comportamento animalesco de pessoas que andam em torno do futebol…

sábado, abril 15, 2017

A INTEGRAÇÃO DE PRECÁRIOS

 O Estado é o maior empregador de trabalhadores precários, dando por isso um péssimo exemplo às empresas privadas, que aproveitam a boleia para aumentar ainda mais o universo de precários deste país.

Numa altura em que se fala na integração dos precários ao serviço do Estado, muitos convenceram-se que isto era um dado adquirido, e que todos seriam integrados nos postos de trabalho em que desempenham funções, o que não está garantido, de modo nenhum.

A integração dos precários do Estado vai passar por alguns crivos que abalam a confiança de quem está atento ao processo em fase de discussão.

Em primeiro lugar temos que os interessados que julgam reunir as condições necessárias terão 60 dias para se propor para ser oponentes ao concurso que acontecerá mais tarde.

A segunda etapa depende das chefias máximas que proporão ou não a integração destes postos de trabalho, processo que parece não ser passível de recurso no projecto inicial.

Depois destes processos existe o concurso público, porque terá que ser assim segundo o governo, e como tal aberto a todos, que segundo os critérios de isenção requeridos neste tipo de provas, coloca todos os candidatos em igualdade de condições.


Se as coisas não mudarem entretanto, nada garante que os precários agora em funções, tenham garantidas as entradas nos serviços e funções que desempenham.


quinta-feira, abril 13, 2017

O COELHO DA PÁSCOA

O coelhinho lá aparece quando falamos de ovos da Páscoa, e já nem as criancinhas acreditam que ele ponha ovos, mas lá que fica bem na imagem e é fofinho, isso é!

Páscoa Feliz para todos...


terça-feira, abril 11, 2017

BREVÍSSIMAS

Greves – Os médicos marcaram uma greve para os próximos dias 10 e 11 de Maio por ainda estarem a receber as horas extra a 50%, entre outras coisas. Os trabalhadores que garantem a vigilância, lojas e bilheteiras dos museus, palácios e monumentos, dependentes do Ministério da Cultura também vão fazer greve nos dias 14 e 15 de Abril por não verem reconhecida a carreira como especial, apesar de serem obrigados a trabalhar aos sábados e domingos sem qualquer compensação extra.


Hipocrisia – A directora-geral do Fundo Monetário Internacional vem agora dizer que a “batalha da competitividade não se ganha à custa de salários baixos”, acrescentando mesmo que é preciso “expandir as oportunidades para todos” e “melhorar as capacidades” dos trabalhadores não especializados, para que possam optar por um trabalho bom. Isto são palavras para a Organização Internacional do Trabalho ouvir, mas relativamente a Portugal critica-se o aumento do salário mínimo.
Óculos e jornais

Brexit

domingo, abril 09, 2017

TRISTEZA

Ainda há poucos dias estávamos todos indignados com um dirigente europeu que afirmou que os portugueses (e não só) gastavam o dinheiro com copos e mulheres, e que não podia ser.

Claro que o holandês foi além do razoável para um político com responsabilidades perante os portugueses, porque somos europeus, recorrendo a um estereótipo que como se sabe, não serve para classificar povos e nações independentes.

Hoje fomos todos “brindados” com uma notícia infeliz, porque uns quantos miúdos fizeram asneiras em solo espanhol, dando a imagem errada do povo português, pelos distúrbios, asneiras e bebedeiras, que não ficam bem em lado nenhum.

Jeroen Dijsselbloem ficou com mais munições para nos atirar, e o mais grave é que alguns encarregados de educação acham que os seus meninos, e restantes amigos, não fizeram nada de mais, limitando-se a ser jovens e inconscientes.


Não sei se detesto mais o holandês desbocado se os “papás supé condescendentes”. Só para rematar: há quem prefira gastar 550 euros para se ver livres dos petizes dute uma semana, ainda que tenham consciência que é para se embebedarem e fazerem todo o tipo de tropelias “normais em jovens daquela idade”.


sexta-feira, abril 07, 2017

AS TRETAS DAS ESTATÍSTICAS DO EUROSTAT

As estatísticas são sempre uma treta, mas servem de indicativo para muita gente que acaba por influenciar a nossa economia, como sejam as agências de rating, o BCE ou a Comissão Europeia, que dão mais crédito a estudos e estatísticas do que à realidade.

Fiquei a saber pelo DN que os portugueses ganham 13,7 euros à hora, que eles dizem ser metade da média do euro. Claro que não houve o cuidado de traduzir bem o que saiu do gabinete de estatísticas oficiais da União Europeia, mas mesmo assim podiam fazer as contas, e veriam que estes resultados não correspondem em nada aos salários e outras prestações que cá se praticam.

É curioso que esta estatística “diga” também que o custo hora do trabalho só baixou em 2014, e 0,1 euros, tendo aumentado todos os outros anos desde 2004 até 2016.


Paguem-me este valor hora e eu prometo estar calado nos próximos 5 anos, pelo menos.


quarta-feira, abril 05, 2017

CELEBRAR A FONTE

Museus de vários países vão celebrar a 9 de Abril o centenário da obra de Duchamp, "A Fonte", um urinol de porcelana branco, uma obra maior do dadaísmo em França, que pretendia com ela questionar o conceito da palavra arte.

Entre os museus que aderiram à comemoração deste centenário, alguns darão entradas gratuitas entre certas horas, se os visitantes disserem o pseudónimo do artista, quando este apresentou a obra em 1917: Richard Mutt. 

Muitas "Fontes"

segunda-feira, abril 03, 2017

AS COMPETÊNCIAS DIGITAIS

As metas definidas no programa do governo que aposta nas competências digitais para “mudar paradigma” económico, são interessantes, mas é necessário ter os pés no chão e reflectir sobre a realidade actual.

Aumentar o número de especialistas em tecnologias de informação, já tem sido um objectivo dos últimos anos. Fazer crescer o número de doutorados também é o que já hoje se está a tentar. Dotar todas as habitações de ligação à internet até 2030 é que é um objectivo demasiado ambicioso.

Os custos de ligação das habitações à internet, é elevado para quem aufere vencimentos baixos, pensões ainda mais baixas, e sobretudo impossíveis para quem está no desemprego.


Sinceramente não estou a ver os fornecedores de telecomunicações a baixar os preços praticados, que todos sabemos serem exagerados em comparação com os praticados por essa Europa fora. Estará o governo a pensar em intervir no mercado das telecomunicações? 


quinta-feira, março 30, 2017

FRASE DA SEMANA

"Não acho que o outro ganha demasiado, acho que eu é que ganho muito pouco!"


terça-feira, março 28, 2017

ARTE

As obras de arte dividem-se em duas categorias: as de que gosto e as de que não gosto. Não conheço outro critério.

Anton Tchekhov


domingo, março 26, 2017

O (NOVO) MUSEU DOS COCHES

Depois de ter sido inaugurado a 23 de Maio de 2015, com intermináveis filas, ou não fosse gratuita a entrada, eis que o Ministério da Cultura vem agora anunciar a inauguração do projecto expositivo para o próximo dia 19 de Maio.

Esta inauguração poderá vir a responder à falta de informação de que muita gente se queixa actualmente, num museus em que a frieza do espaço impera, e onde a beleza dos coches não brilha.


Não sei qual vai ser o resultado, mas tal como eu, existem milhares de portugueses ansiosos por poder orgulhar-se dum museu moderno e funcional, apesar de todas as reservas que ainda subsistem.

Museu dos Coches 1955

Docker-Phaeton (início do século XX)

sexta-feira, março 24, 2017

TRAPALHADA COM AS REFORMAS

O governo vai levar à Concertação Social uma proposta para alterar o regime de reformas, e existiam expectativas altas por parte dos trabalhadores, visto que o ministro Vieira da Silva tinha anunciado que pretendia beneficiar os detentores de longas carreiras contributivas.

Os benefícios são ainda pouco conhecidos, mas pelo que já é público só os que têm carreiras de pelo menos 48 anos escapam às penalizações, o que arrefeceu as fundadas expectativas dos trabalhadores.

O que também é digno de nota é a afirmação que o que vai ser proposto na Concertação Social só se aplica a quem desconta para a Segurança Social, porque a Função Pública continuará a com as regras próprias, onde pelos vistos as penalizações se mantêm todas, com o factor de sustentabilidade e as majorações existentes, o que é estranho.


É absolutamente justo que quem já contribuiu durante 40 anos ou mais e atingiu uma idade de 60 anos, ou mais, já merece o justo descanso e uma velhice descansada, caso seja essa a sua opção, seja no público ou no provado, e um governo que não consiga reconhecer isso, e não aproveite a oportunidade para rejuvenescer as empresas e os serviços públicos, não está a pensar no futuro. 


quarta-feira, março 22, 2017

OS ESTEREÓTIPOS DO EUROGRUPO

Existem cada vez mais políticos europeus que não conseguem disfarçar a sua intolerância para com outros povos, julgando-se superiores. Já assistimos a isto no passado e deu no que deu, por isso não existe outra opção que não seja a de condenar gente desta laia, exigindo que sejam apeados dos cargos europeus que ocupam. 

*
Sou mesmo um pateta...

Gostava de ser considerado "o exterminador"

segunda-feira, março 20, 2017

SEGURANÇA

Pela comunicação social ficou a saber-se que Portugal tem locais identificados como os mais susceptíveis a sofrer um ataque terrorista, e que alguns deles nem sequer têm planos de segurança validados.

A segurança em locais sensíveis, como em instalações de energia, transportes e comunicações, que podem colocar em causa o funcionamento do país, está descurada, mas descurada está também a segurança de outros locais públicos o que não devia acontecer.

Será que as instalações onde estão serviços públicos, e onde existem espaços de utilização pública estão preparados para emergências, mesmo sem serem de natureza terrorista? Existem planos de emergência nesses locais e equipas preparadas para actuar se for necessário? As saídas de emergência estão devidamente assinaladas, os extintores estão devidamente inspecionados e bem posicionados, e as comunicações entre as equipas de emergência estão asseguradas?


Tremo só em pensar o que será a segurança, ou falta dela, em equipamentos culturais, edifícios antigos e onde têm que existir situações de compromisso por questões estéticas e estruturais, onde por vezes temos enchentes de visitantes, e onde os vigilantes são muito poucos e em muitos casos sem meios de comunicação... 

Torre de Belem, uma entrada e uma só saída


Museu dos Coches, 2 elevadores e umas escadas de emergência

sábado, março 18, 2017

OS DEPUTADOS E A ÉTICA

Existe um Estatuto dos Deputados, e existem suspeitas que ele poderá ter sido violado por alguns senhores deputados.

Pelo que se sabe e é público, estamos perante a actividade de advocacia em alguns casos, e o deputado Luís Montenegro já veio afirmar que está “100% seguro” de que não está em incompatibilidade.

No caso de Montenegro terá sido porque detém mais do que 10% duma sociedade de advogados, que fez alguns contratos de aquisição de serviços jurídicos com entidades públicas.

Claro que para também sabemos que no passado o parlamento tem sido o de que as sociedades de advogados não são consideradas como actividades comerciais ou industriais pelo que ficam fora deste impedimento. Curioso entendimento, porque a venda de serviços é uma actividade comercial, como se percebe pelos impostos que incidem sobre essa actividade.


Começam agora muitos portugueses a entender porque é que os advogados que são deputados, não deviam manter a sua actividade durante o mandato, e nunca devia ser permitida a intervenção das sociedades onde têm interesses, em negócios ou assuntos envolvendo o Estado. 

O julgamento dos cidadãos é muito importante, mais do que o da Comissão de Ética, que afinal se pronuncia em causa própria.


quinta-feira, março 16, 2017

AINDA AS GRATUITIDADES NOS MUSEUS

Depois de algumas críticas interessantes que os meus amigos me fizeram chegar de um modo discreto e particular, aqui ficam alguns elementos que talvez elucidem melhor os críticos e, quem sabe, os senhores deputados.

O ponto de partida para o meu artigo anterior foi a recomendação de alargamento das gratuitidades “aos fins-de-semana, feriados e quartas-feiras para as pessoas até aos 35 anos”.

Em primeiro lugar não creio que existam estudos sobre a percentagem de entradas grátis que resultariam de tal medida. Em segundo lugar é discutível que a totalidade do universo de pessoas até aos 35 anos esteja entre os mais desfavorecidos, comparativamente ao grupo de indivíduos com idade superior a 65 anos.

A pergunta que já tinha colocado sobre a estimativa de quanto significaria a perda de receitas após a entrada em vigor desta proposta, também ficou sem resposta, como eu calculava.

Outro ângulo da questão prende-se com a dificuldade de fixação de funcionários qualificados nos museus, palácios e monumentos dependentes do Ministério da Cultura. Poucos o sabem mas os candidatos admitidos nos últimos concursos internos apenas usam estes serviços durante uns meses, pedindo quase de imediato a transferência para outros ministérios, através dos mecanismos de mobilidade, ou candidatando-se por concurso a vagas noutros ministérios.

É muito difícil fixar pessoas com vencimentos na ordem dos seiscentos e picos euros, horários de trabalho que incluem fins-de-semana e feriados sem qualquer compensação extra por isso, e com folgas que não são compatíveis com as dos seus familiares directos. Claro que a desculpa para isto é a falta de verbas para o pagamento do trabalho que devia ser considerado extraordinário, ou para considerar que esses trabalhadores estão numa carreira específica e que portanto assim devia ser tratada.

Por último quando se fala em alargar as gratuitidades amais “cidadãos”, podia inferir-se que se estavam a referir a nacionais ou residentes, mas isso não é correcto, porque as gratuitidades são igualmente extensíveis a estrangeiros, talvez mesmo a cidadãos não comunitários, como acontece hoje com os descontos praticados.


A minha pergunta do último post mantém-se: de onde virá o dinheiro para a implementação destas recomendações, sem prejudicar o funcionamento dos serviços?    


terça-feira, março 14, 2017

CULTURA - REALIDADE E FANTASIA

É muito frequente ouvir-se falar na exiguidade dos dinheiros destinados à Cultura em Portugal, e muito especialmente quando se fala no Património, que como todos sabem necessita de verbas avultadas para a sua manutenção, renovação, restauro e exposições.

Sabe-se que o Estado entregou alguns dos monumentos mais geradores de receitas à gestão privada (em Sintra), e que se não fossem as receitas que ainda se vão gerando nos museus, palácios e monumentos na dependência da DGPC, as verbas provenientes do Orçamento de Estado não suportariam sequer os vencimentos e as despesas correntes da instituição.

Pois parece que os senhores deputados não tomaram nada disto em consideração e decidiram ser “muito simpáticos” com os cidadãos, avançando com gratuitidades que terão óbvias consequências a muito curto prazo, isto se a sua recomendação constante da Resolução da Assembleia da República número 38/2017, for acatada pelo governo.


Não se julgue que estou contra as gratuitidades só porque sim, mas sim porque não se fazem omeletes sem ovos, pelo que também não é possível melhorar o acesso e a oferta do Património aos cidadãos sem as necessárias verbas, e não vi em lado nenhum alguém dizer de onde virão as ditas.


domingo, março 12, 2017

HOMEM

Desde que se cumpram certas cerimónias ou se respeitem certas fórmulas, consegue-se ser ladrão e escrupulosamente honesto - tudo ao mesmo tempo. A honradez deste homem assenta sobre uma primitiva infâmia. O interesse e a religião, a ganância e o escrúpulo, a honra e o interesse, podem viver na mesma casa, separados por tabiques. Agora é a vez da honra - agora é a vez do dinheiro - agora é a vez da religião. Tudo se acomoda, outras coisas heterogéneas se acomodam ainda. Com um bocado de jeito arranja-se-lhes sempre lugar nas almas bem formadas.


Húmus

Raul Brandão

sexta-feira, março 10, 2017

IGREJA DE SANTO ANDRÉ MAFRA

Quase todos conhecemos o Palácio Nacional de Mafra e a sua monumental Basílica, onde pontuam os dois carrilhões e os seis majestosos órgãos, e podia-se pensar que de igrejas estávamos falados, numa pequena localidade como Mafra, que se desenvolveu precisamente devido a esta construção mandada executar por D. João V.

Para além dos Mafrenses poucos conhecem uma outra igreja, também classificada como monumento nacional, situada na zona da Vila Velha, que terá sido mandada construir por D. Dinis, no século XIV.


A Igreja de Santo André é um exemplar da arquitectura gótica paroquial, e sofreu diversas obras de preservação e melhoramento ao longo dos séculos, sendo que a última grande intervenção terminou em 1930.

Nota: As foto foram retiradas da net 

Igreja de Santo André (Mafra)

Imagem anterior à última grande intervenção

sábado, março 04, 2017

O INFANTE D. HENRIQUE E A SUA AURA

Existem muitos mitos na nossa História, e a vida e obra do Infante D. Henrique é apenas um deles.

É pouco clara a responsabilidade do Infante no cativeiro e morte do seu irmão D. Fernando, no mercado de escravos negros, e a sua influência na política portuguesa até à Batalha de Alfarrobeira.

O herói da nossa História, descrito pelos nossos cronistas, como Azurara, e depois glorificado durante o Estado Novo, talvez não seja tudo o que nos contaram, mas talvez tenha tido os seus defeitos, não sendo tão perfeito como o pintaram.

A História vai sendo alterada à medida que novos factos são conhecidos, e isso tem o seu encanto... 
*
Comemorações Henriquinas 1960

quinta-feira, março 02, 2017

DIREITOS DOS CIDADÃOS

Há coisas que não consigo entender neste rectângulo à beira mar plantado, e prendem-se sobretudo com coisas que eu acho que deviam ser do conhecimento público, porque afinal acabam por interferir, e muito, com a nossa carteira, pois são os cidadãos deste país a pagar a factura.

O que se passou com a nossa banca, onde os accionistas ganharam somas muito altas durante muitos anos, gestores receberam principescamente, e a certa altura deram o estoiro, e nós (o Estado somos nós) ficámos com o menino nas mãos. Quem foi responsabilizado pelo verdadeiro saque dessas instituições, e quem foi condenado?

Agora com a Caixa Geral de Depósitos também se constatou que existe muito crédito que já voou, mas não podemos conhecer quem foram os beneficiários desses créditos manhosos, e existam apenas suspeitas de que afinal são os mesmos fulanos e instituições que também ficaram com calotes nos outros bancos falidos. Quem autorizou tal sangria, que garantias exigiu, para se saber quem esteve envolvido nestes maus negócios.


Já que são os cidadãos contribuintes que vão pagar toda esta festança, também me pergunto porque é que estrangeiros com posses ficam isentos de alguns impostos, e eu português e contribuinte, sou obrigado a pagar cada vez mais impostos? Terei que adoptar outra nacionalidade?