quinta-feira, agosto 03, 2017

INFORMAÇÃO POUCO RIGOROSA



O Convento de Mafra é uma obra imponente e tem aspectos verdadeiramente magníficos e complexos de realizar, disso ninguém tem dúvidas depois de o contemplar.

Fiquei muito admirado com o que li numa placa informativa localizada na Basílica, que entre outras coisas dizia que (a Basílica) “tem também a primeira cúpula octogonal construída em Portugal”.

A afirmação como estava (não sei se entretanto foi alterada) não é correcta, já que a poucos quilómetros de distância existe outra cúpula octogonal (Palácio da Vila de Sintra), construída em princípios do século XVI.

Creio que talvez quisessem dizer “a primeira cúpula octogonal, inteiramente em pedra, construída em Portugal”.

Já agora refiro que a cúpula em questão, é uma preciosidade, e a sua aparente leveza é enganadora e revela um grande engenho por parte de quem a concebeu, e de quem a realizou.


Cúpula, Basílica de Mafra

S. dos Brasões, Sintra

terça-feira, agosto 01, 2017

OS TEMPOS MUDAM E TAMBÉM AS PESSOAS



Quando em 1976 vim para Portugal com dois filhos nos braços, por não ter condições de segurança para continuar na minha terra, Moçambique, não fui lá muito bem recebido.
Instalei-me numa zona de Lisboa, e fui imediatamente trabalhar porque tinha vindo com uma mão atrás e outra à frente, e as crianças necessitavam de comer e eu não tinha feitio para estender a mão, ou enfrentar filas intermináveis para implorar ajuda.

Recordo-me bem de um jovem que frequentava um café perto da minha porta, com uma barba ainda mal plantada, cabelo grande e de fita na cabeça, quando não usava a boina à Che, que se entretinha a insultar “os colonialistas” que tinham ido explorar os povos indígenas, esquecendo-se que África era dos negros. Nunca perdi muito tempo com as parvoíces de quem falava do que não sabia, porque não valia o esforço.

Quarenta e tal anos depois, eis que me cruzo com um homem abatido, que aparentava ser bastante mais velho do que eu, e que clamava contra o governo, por não ter ainda conseguido ajuda, pedida há mais de uma semana, porque tinha vindo da Venezuela a fugir da instabilidade política e da violência das ruas.

Conversa puxa conversa e lá surgem as recordações, e reconheço neste homem vergado à dureza da vida, o tal jovem revolucionário que não poupava nas palavras para atacar “os retornas” como ele dizia.

Senti pena do João, é esse o seu nome, porque voltou para a sua terra onde já não tem família, uns morreram de velhos, outros de excessos com drogas, de que ele escapou, e resta-lhe a família da mulher que os acolheu em sua casa. Sei que tem esperança de voltar à Venezuela, mas também sei que já nem se recorda do que disse há quarenta e tal anos, e nem sequer me passou pela cabeça recordar-lho.

Os tempos mudam e mudam também as pessoas, é a lei da vida…


sexta-feira, julho 28, 2017

OLHARES

Um dia, quando olhares para trás, verás que os dias mais belos foram aqueles em que lutaste. 

Sigmund Freud

quarta-feira, julho 26, 2017

A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO



Em Portugal dá-se, infelizmente, pouca importância à comunicação, que muitas vezes acaba por ser confundida com publicidade.

Recentemente o governo permitiu (?) que as informações sobre os incêndios fossem centralizadas em Lisboa, “libertando” assim os comandantes dos bombeiros da tarefa de informar os órgãos de comunicação social, sobre o andamento das operações.

O resultado tem sido uma verdadeira trapalhada, com comunicações duas vezes ao dia, com uma página da internet com informações que são contrariadas pelos autarcas das regiões flageladas pelas chamas, e noticiários em que os repórteres emitem opiniões pessoais e desabafos dos cidadãos desesperados, aumentando assim o alarme social.

Pode e deve-se controlar a comunicação política, já os factos, como a realidade dramática dos incêndios, não pode nem deve ser escondida ou filtrada, pelo menos do modo agora ensaiado.

Erros como o de não divulgar a lista das pessoas mortas num incêndio, ou sobre a gravidade da queda de um meio aéreo, só descredibilizam as autoridades e o governo. A impressão que fica é a de que se tenta esconder responsabilidades e descoordenação, e é esse o discurso que vai vingar a partir de agora, e era mais do que previsível.



segunda-feira, julho 24, 2017

UMA DÚVIDA EM ABERTO

Por vezes somos surpreendidos por coisas que não conseguimos explicar, e esta escada é um desses casos, pois não existem registos dela, e também porque não pudemos levantar umas telhas do telhado adjacente para tentar encontrar pistas para explicar a sua existência.

Creio que este telhado irá ser intervencionado em breve, e será uma oportunidade para resolver o mistério, espero eu...

Estas duas fotografias foram tiradas entre as duas chaminés do Palácio da Vila.


sábado, julho 22, 2017

IMAGENS

Uma limpeza às imagens do telemóvel, fez-me  trazer aqui duas fotografias que apesar da sua (má) qualidade, me fizeram querer voltar ao local onde foram tiradas...


quinta-feira, julho 20, 2017

A PASSAROLA VOADORA



Um dos assuntos relativos às experiências de Gusmão que maior curiosidade tem despertado é o de conhecer o feitio que teria a sua Passarola. Infelizmente nada sabemos de certeza embora existam desenhos da época que foram divulgados como representação da máquina voadora.
 
O desenho mais antigo que se conhece é de Maio de 1709, isto é, anterior de três meses à data das experiências de Lisboa, e faz parte dum folheto publicado em Viena de Áustria! A partir dessa data aparece o mesmo desenho reproduzido noutras publicações, com algumas diferenças de pormenor.

A fantasiosa estampa (ver fig.) foi imaginada pelo próprio Bartolomeu de Gusmão que desse modo infeliz se quis divertir com a ansiosa expectativa dos lisboetas nas vésperas das anunciadas experiências. Fingiu o inventor que perdera o desenho da sua máquina, deixando-o cair do bolso em qualquer lugar público. Este desenho, ou sua cópia, depressa seria conhecido na Áustria por intermédio da correspondência da rainha [a esposa de D. João V era austríaca].

In História dos Balões de Rómulo de Carvalho



terça-feira, julho 18, 2017

MUSEUS E FALTA DE PESSOAL



Muito tem sido dito sobre este assunto, recentemente por causa do Museu nacional de Arte Antiga, mas pouco se tem feito e por parte da tutela poucas explicações se têm ouvido.

Todos perceberam já que a não admissão de pessoal suficiente para manter a abertura dos museus, palácios e monumentos em condições de segurança, se deve a políticas restritivas e de contenção de despesas, mas o problema não fica por apenas por aí.

Os processos de admissão são complexos e demorados, e têm sempre que passar na tutela das tutelas, o Ministério das Finanças, que se rege por números e não pelas necessidades comunicadas pelos serviços, como se sabe.

Os problemas não se resumem apenas às verbas e às autorizações das Finanças, mas também à organização e às carreiras, que terão sido “simplificadas”, reduzindo-se na Cultura (e boa parte dos ministérios) a apenas 3 categorias: técnicos superiores, assistentes técnicos e assistentes operacionais.

Ao contrário do que se possa inferir pela informação do sítio do MNAA (constante na imagem abaixo), não existem vigilantes/recepcionistas, mas sim assistentes técnicos que desempenham funções na vigilância, bilheteiras e lojas. Os profissionais que desempenham estas funções têm exactamente a mesma categoria profissional dos que trabalham nas secretarias de todos os serviços, de outros que trabalham na DGPC, no MC, e em outros ministérios, admitidos com as mesmas exigências e salários, mas são obrigados a trabalhar com um horário excepcionado (sábados, domingos e feriados), sem qualquer benefício que os distinga dos seus pares.

Assim se explicam dificuldades de recrutamento, de fixação de profissionais e também o descontentamento geral, de quem tem obrigações acrescidas, que não têm qualquer compensação que equilibre essa disponibilidade.

Era da mais elementar justiça colocar estes profissionais numa carreira específica, reconhecendo-lhes direitos correspondentes às obrigações…