Em Portugal tem sido muito
frequente ver pessoas e certos interesses a fomentar a divisão dos portugueses,
apelando aos sentimentos mais baixos como o da inveja. Não é difícil alimentar
invejas especialmente quando a economia nos proporciona vidas menos
desafogadas.
O processo mais fácil é o de
empolar diferenças entre grupos de pessoas, dizendo que existem diferenças que
podem ser consideradas discriminatórias, como se Portugal fosse um país onde
todos temos os mesmos direitos e as mesmas obrigações. É também curioso que os
instigadores destes sentimentos de inveja sejam claramente de direita e
convictamente liberais, e não comunistas ferrenhos como seria de esperar.
A tentativa mais clara de divisão
de cidadãos é obviamente entre funcionários públicos e funcionários do sector
privado, e um dos seus instigadores é Miguel Sousa Tavares, saberá ele por que
motivos, mas não está sozinho porque a política e o oportunismo dão sempre uma
ajuda.
Quando alguém comentou que para
um funcionário usufruir da ADSE tem que descontar 3,5% do vencimento bruto e
que para se aposentar tem que ter 66 anos e 3 meses e uma carreira contributiva
de 40 anos, a menos que queira sofrer as penalizações legais (iguais para
todos), as respostas foram uma demonstração de ignorância a toda a prova.
Também gostava de registar que
dois dos que demonstraram não saber do que falavam, nem suspeitando que estavam
a ser instrumentalizados, eram num caso um bancário e noutro um antigo
funcionário da PT, ambos com bastantes anos de serviço, que se esqueceram dos
benefícios que as suas entidades empregadoras também tinham regimes diferentes,
até que os fundos de pensões foram absorvidos pelo Estado e passaram a ficar
dependentes da Segurança Social.
Eu ganho menos que o meu superior
hierárquico, e não tenho direito a viatura e muito menos a motorista, mas em
vez de o invejar, tenho que lutar por uma carreira melhor e mais valorizada,
sabendo que em última instância terei que fazer greve, descontando esses dias
no meu salário, ficando na lista negra das chefias, mas a vida é mesmo assim:
quem se conforma acaba por ficar para trás, pois é!