quinta-feira, fevereiro 16, 2017

O DOCUMENTO DE ABDICAÇÃO DE D. AFONSO VI

Diz o documento escrito pelo secretário de D. Afonso VI, António Cavide:

El-rei nosso senhor, tendo respeito ao estado em que o reino se acha, e ao que lhe apresentou o Conselho de Estado, e a outras muitas coisas e razões que a isso o obrigaram de seu moto próprio, poder real e absoluto há por bem fazer desistência destes seus reinos, assim e de maneira que os possui, de hoje em diante para todo o sempre, em pessoa do senhor infante D. Pedro, seu irmão, e em seus legítimos descendentes, com declaração que do melhor parado das rendas deles se reserve cem mil cruzados de renda em cada ano, dos quais poderá testar por sua morte por tempo de dez anos.

E outro sim reserva a Casa de Bragança com todas as suas pertenças, e em fé e verdade de Sua Majestade assim o mandar cumprir e guardar, me mandou fazer este, e o firmou.


António Cavide o fez em Lisboa a 23 de Novembro de 1667 

(A transcrição foi feita segundo interpretação do autor) 


terça-feira, fevereiro 14, 2017

CURIOSIDADE – D. AFONSO VI

Em 1668, D. Afonso VI foi enviado para o Forte de S. João Baptista, na Ilha Terceira, onde permaneceu seis anos em cativeiro. D Pedro II descobrindo uma conspiração em 1674, protegida pelo embaixador espanhol, conde de Humanes, em que se pretendia soltar o rei e restituir-lhe o trono, foi o monarca transferido para o Paço de Sintra, onde veio a morrer, sendo mortos alguns dos conspiradores.

Chegou a armada comandada por Pedro Jacques de Magalhães, e fundeou em Cascais a 20 de Setembro de 1674, conduzindo o rei prisioneiro.

Deve ter sido lugubremente dramático o cortejo sinistramente iluminado com archotes, e a chegada desse prisioneiro inválido por aquela noite de Verão ao Paço, havia muito desabitado, e a sua condução à luz mortiça das tochas pelas salas quase vazias e pelas escadas em que os passos dos seus carcereiros ecoavam com sussurro. Tristemente penosa deve também ter sido a entrada no pequeno quarto, em cuja janela tinham colocado recentemente grades de ferro para bem servir de prisão.


O Paço era na altura guardado por trezentos soldados de infantaria a cargo do Sargento-mor Manuel Nunes, e havia também uma companhia de cavalaria, que era rendida todos os meses. 


domingo, fevereiro 12, 2017

O MATA-FRADES

Quase toda a gente sabe que em 1834 foram extintos todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios, e todas as outras casas das ordens religiosas regulares, já poucos sabem quem foi o autor de tal lei.

Joaquim António de Aguiar, um político conhecido por ser maçon, um liberal, e mais tarde membro do Partido Regenerador, esteve em diversas pastas ministeriais, nomeadamente na de Ministro dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça, durante a regência de D. Pedro IV, em nome de D. Maria II, foi quem promulgou essa lei que lhe valeria a alcunha de Mata-Frades.


Com a extinção das ordens religiosas os seus bens foram incorporados na Fazenda Nacional, sendo por isso uma medida controversa que levaram a grande contestação por parte das forças mais conservadoras e rurais.


sexta-feira, fevereiro 10, 2017

SABER

O que impede de saber não são nem o tempo nem a inteligência, mas somente a falta de curiosidade.


Agostinho da Silva


quarta-feira, fevereiro 08, 2017

AS MALDITAS MOCHILAS

Viajando pela rede lá encontrei o caso das “mochilas de créditos em risco”, que são aqueles que pesam sobre a nossa banca e que são virtualmente incobráveis e que penalizam enormemente a nossa economia, não merecendo contudo da parte dos nossos comentadores económicos grande atenção, ou que pelo menos publicamente se veja expressa a sua opinião e natural preocupação.

Alguns amigo falam no “turismo de mochila” como algo pouco desejável numa altura em que o turismo está em alta, o que acho que é um erro porque esta é uma actividade com altos e baixos, não sendo avisado excluir quem quer que seja, sendo desejável é que tenhamos uma oferta mais atractiva e com maior valor.

Outras mochilas são as dos nossos estudantes, que segundo muitos são demasiado pesadas e susceptíveis de prejudicar a saúde dos infantes. Ouvi numa televisão um ortopedista dizer que não existem estudos que confirmem que as mochilas, que muitos acham pesadas, possam causar problemas na coluna, e acrescentou pouco depois que se sabe que a utilização de tablets em casa, essa sim é prejudicial à saúde.


Estas últimas mochilas são agora notícia, e se desconfio da opinião daquele ortopedista, que já tem estudos sobre o uso de tablets e não os tem sobre o uso de mochilas pesadas, pergunto-me porque é que os nossos miúdos têm que levar tantos livros para a escola? Serão mesmo indispensáveis nas aulas, senhores professores?


sábado, fevereiro 04, 2017

A QUEDA DO VITORIOSO

D. Afonso VI nasceu em Lisboa a 12 de Agosto de 1643, sucedendo a seu pai, D. João IV, apesar de nos primeiros tempos ter sido a sua mãe Luísa de Gusmão a exercer a regência durante cerca de 6 anos.

Um rei que ficou na história com o cognome de “O Vitorioso”, e merecidamente pelas inúmeras vitórias contra Espanha na Guerra da Restauração, que culminaram em Montes Claros, não teve sorte na sua vida familiar.

A sua desgraça terá começado em 1666 com o casamento com D. Maria Francisca Isabel de Sabóia, que com a cumplicidade do irmão do rei, D. Pedro (que viria a ser o D. Pedro II), conseguiram que D. Afonso VI abdicasse depois de um humilhante processo.


O rei deposto foi para a Ilha Terceira, nos Açores e anos depois veio para o cárcere no Palácio Nacional de Sintra, onde viria a falecer em 1683.


quinta-feira, fevereiro 02, 2017

FOMENTAR A INVEJA

Em Portugal tem sido muito frequente ver pessoas e certos interesses a fomentar a divisão dos portugueses, apelando aos sentimentos mais baixos como o da inveja. Não é difícil alimentar invejas especialmente quando a economia nos proporciona vidas menos desafogadas.

O processo mais fácil é o de empolar diferenças entre grupos de pessoas, dizendo que existem diferenças que podem ser consideradas discriminatórias, como se Portugal fosse um país onde todos temos os mesmos direitos e as mesmas obrigações. É também curioso que os instigadores destes sentimentos de inveja sejam claramente de direita e convictamente liberais, e não comunistas ferrenhos como seria de esperar.

A tentativa mais clara de divisão de cidadãos é obviamente entre funcionários públicos e funcionários do sector privado, e um dos seus instigadores é Miguel Sousa Tavares, saberá ele por que motivos, mas não está sozinho porque a política e o oportunismo dão sempre uma ajuda.


Quando alguém comentou que para um funcionário usufruir da ADSE tem que descontar 3,5% do vencimento bruto e que para se aposentar tem que ter 66 anos e 3 meses e uma carreira contributiva de 40 anos, a menos que queira sofrer as penalizações legais (iguais para todos), as respostas foram uma demonstração de ignorância a toda a prova.

Também gostava de registar que dois dos que demonstraram não saber do que falavam, nem suspeitando que estavam a ser instrumentalizados, eram num caso um bancário e noutro um antigo funcionário da PT, ambos com bastantes anos de serviço, que se esqueceram dos benefícios que as suas entidades empregadoras também tinham regimes diferentes, até que os fundos de pensões foram absorvidos pelo Estado e passaram a ficar dependentes da Segurança Social.


Eu ganho menos que o meu superior hierárquico, e não tenho direito a viatura e muito menos a motorista, mas em vez de o invejar, tenho que lutar por uma carreira melhor e mais valorizada, sabendo que em última instância terei que fazer greve, descontando esses dias no meu salário, ficando na lista negra das chefias, mas a vida é mesmo assim: quem se conforma acaba por ficar para trás, pois é!


terça-feira, janeiro 31, 2017

NÃO À DISCRIMINAÇÃO

Não existe Democracia quando a discriminação contra indivíduos devido à fé ou religião é um facto, e imposta por um decreto presidencial, como o que existe nos Estados Unidos.

Donald Trump até pode ter sido eleito democraticamente pela maioria dos norte americanos, mas convém recordar que Hitler também foi eleito democraticamente, mas o que caracteriza a Democracia não são apenas as eleições mas sim o comportamento de quem detém o poder e o respeito pelas pessoas e pelos direitos humanos.


Quando todos os disparates discriminatórios, relativamente à sua origem ou à sua religião, são justificados pela segurança, convém recordar que o ódio gera mais ódio, e que estas medidas tão contestadas só podem resultar em mais intolerância.


quarta-feira, janeiro 25, 2017

ESPERANÇA NO FUTURO



Como acontece habitualmente hoje fui supermercado para abastecer a dispensa e o frigorífico para a semana, e como sempre lá fui direito às prateleiras habituais, à charcutaria, aos frescos e aos congelados, num ritual a que me habituei ao longo dos anos.

A parte mais dolorosa da ida às compras costuma ser a passagem pela caixa, porque é aí que nos apresentam a conta a pagar, mas hoje estava-me reservada uma surpresa. A menina da caixa era nova, e eu já por lá vi muitas caras, mas esta chamou-me a atenção.

Fui recebido por um largo sorriso e um cumprimento cordial, a menina até me perguntou como estava a correr a minha semana, tudo conforme as regras de um atendimento de excelência. Poucas vezes fui tão bem atendido, ou vi uma tão grande vontade de agradar ao cliente, ao mesmo tempo que desenvolvia a função com rapidez e eficiência.

Depois de pagar, afastei-me e senti uma profunda tristeza. Esta jovem e muitos outros como ela, começam a vida com a ilusão de alcançar um futuro melhor, pensando que tudo depende do modo como desempenham as suas funções. Ilusões que o tempo se encarrega de apagar, infelizmente…

Oxalá o futuro seja mesmo melhor e o esforço e profissionalismo passe a ser valorizado! 



segunda-feira, janeiro 23, 2017

sábado, janeiro 21, 2017

quinta-feira, janeiro 19, 2017

terça-feira, janeiro 17, 2017

PORQUE SINGRAM OS POPULISTAS?

Há quem faça esta pergunta, e há os que se admiram por aparecer cada vez mais gente a querer acabar com o “sistema”.

As perguntas só podem vir de quem tem boa situação económica, quem está mal informado, ou de quem faz parte do “sistema”.

As respostas estão na constatação de factos tão evidentes como, “apenas 1% dos mais ricos detinham em 2015 mais riqueza que o resto do planeta”, ou “oito pessoas têm agora tanta riqueza como a metade mais pobre da população mundial”.

Quem pode recriminar os que decidem apoiar quem diz querer mudar o “sistema” e embrulha isso com promessas tentadoras?


Os partidos que têm partilhado o governo parece não terem percebido que falharam sempre na sua tarefa primordial que é a de saber repartir a riqueza criada por via da carga fiscal, evitando assim o que é cada vez mais indecente e insustentável , que são as assimetrias cada vez mais mais gritantes.


domingo, janeiro 15, 2017

UM GRANDE PERIGO

Estes são olhares de humoristas russos sobre um americano que pode vir a tornar-se um perigo para toda a humanidade. Fulanos destes deviam ser proibidos de se candidatar a lugares à frente de nações.

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sexta-feira, janeiro 13, 2017

CULTURA - PATRIMÓNIO NO SOFÁ

A área do Património tem sido notícia nestes últimos dias, porque o bom ano turístico se saldou num aumento de visitas, o que era mais do que previsível. Outro motivo para saltar para a ribalta da actualidade terá sido o lançamento do programa Revive, que encalhou logo no caso do Forte de Peniche, e lançou logo inúmeras discussões sobre a sua “bondade”, porque se desconhecem os planos de exploração dos imóveis a concessionar e todo o processo de revitalização, que evidentemente irá variar de uns para os outros.

Já se percebeu que o Estado não tem capacidade para cuidar de todos os edifícios classificados que estão ainda na esfera pública, mas pela primeira vez vejo tal ser reconhecido por um alto dirigente, neste caso a própria directora-geral da DGPC, que não se eximiu a dizer que “nem sempre o Estado terá prevenido da melhor forma a sua conservação, e até mesmo a sua ruína em alguns casos.”


Chegados aqui esperemos que a DGPC se concentre mais na manutenção e recuperação do Património a seu cargo, criando condições para tornar mais agradáveis e atractivos os muitos equipamentos abertos ao público, porque há muito caminho a ser percorrido nessa matéria.


terça-feira, janeiro 10, 2017

O CAOS NO TRÂNSITO DE SINTRA

A proximidade das eleições autárquicas talvez explique o caos em que se transformou o trânsito em Sintra nas horas de ponta.

Todos os acessos à Vila de Sintra estão em obras, quer se entre por S. Pedro, pelo Tribunal, pela Várzea ou pela Serra de Sintra, vamos encontrar sentidos proibidos, desvios, faixas ocupadas por máquinas, valas ou buracos delimitados por grades ou fitas.

A palavra planeamento deve ser desconhecida da edilidade, tal como fiscalização, que deve ter ficado dentro de algum escritório, talvez por causa do frio que se vai sentindo.

Mesmo admitindo que estamos na época baixa do turismo, e tudo parece andar em volta disso, temos os cidadãos que pagam os seus impostos e que merecem mais respeito por parte do município.

Por último temos a sinalização que é rudimentar e inadequada e a informação que o município não sabe ou não quer utilizar para manter os cidadãos informados, podendo assim evitar muitos incómodos.


Já gora uma constatação sobre este mandato autárquico, que se resume a  anos sem nada fazer que se veja na zona da Vila de Sintra, e agora no final do mandato um corrupio desordenado de obras que resultam em grande confusão, muito incómodo e até prejuízo para quem aqui mora ou trabalha.


domingo, janeiro 08, 2017

MAUS CHEFES PÉSSIMAS DESCULPAS

Já vamos estando habituados a ouvir os autoelogios de quem está na mó de cima, dizendo que são especiais, os melhores, os responsáveis pelos sucessos obtidos pelas equipas ou empresas sem o mais pequeno sinal de modéstia.

O vencedor quer carregar os louros sozinho e muitas vezes até se esquece de todos os envolvidos no sucesso obtido, porque a glória cega os vaidosos.

Como as coisas nem sempre correm pelo melhor, e o insucesso também faz parte da vida, nessas ocasiões a culpa é sempre das fracas equipas, dos erros de terceiros, ou a pobre conjuntura que afecta os resultados.


São poucos os chefes que sabem repartir os sucessos e assumir a responsabilidade dos insucessos, o que demonstra a sua fraca qualidade enquanto dirigentes ou responsáveis de equipas. 


sexta-feira, janeiro 06, 2017

PROIBIDO, MAS AINDA USADO

É conhecido que é proibido exigir fotocópias do cartão do cidadão ou do bilhete de identidade, e até se ouviu membros do governo a explicar isto mesmo e a dizer que se deviam denunciar situações destas. Também se sabe que ainda não está tudo preto-no-branco, mas o governo tomou posição sobre o assunto.

Estamos todos esclarecidos sobre a ilicitude da exigência das fotocópias dos documentos de identificação, mas parece que existem ministérios que ainda têm dificuldade em interiorizar a realidade, e continuam a fazer copy paste de aberturas de concursos antigos, para proceder à abertura de novos concursos, onde consta a exigência da fotocópia do BI ou do Cartão do Cidadão.

Abaixo fica a abertura de um concurso publicado no DR de 6 de Janeiro deste ano com a exigência referida, que terá sido feita certamente por um infeliz lapso.

quarta-feira, janeiro 04, 2017

SEMELHANÇAS E INCORRECÇÕES

Existem muitas semelhanças entre os elementos das cozinhas dos palácios nacionais de Mafra (enfermaria dos frades) e de Sintra, mas nem tudo está certo. Descubra o que não está correcto na primeira, se conseguir...

Fotografia tirada na Cozinha da Enfermaria dos frades do P. N. Mafra

Esta fotografia foi tirada na Cozinha do Palácio Nacional de Sintra

segunda-feira, janeiro 02, 2017

O PÚBLICO E O PRIVADO

Fala-se muito nas virtudes do sector privado e nos defeitos do sector público, contudo nunca se quer ir muito longe na discussão desse assunto, como é nosso hábito.

Existe um factor que para mim é muito importante, e esse é o da transparência, onde o sector público leva a melhor na comparação. Uma consulta aos quadros do pessoal dos serviços, e às tabelas de vencimentos podem ser feitas por qualquer pessoa.

Começando pelo caso do ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos, temos que no sector privado não existe a obrigação da declaração de rendimentos, no caso dos gestores, mas não ficamos apenas por aqui porque sabe-se que existem muitas empresas e seus colaboradores, que declaram rendimentos inferiores aos reais, fugindo assim às suas obrigações para com o fisco e com a Segurança Social.


É sempre mais fácil atacar os serviços públicos, afinal todos os pagamos e todos temos que os usar, mas deve existir consciência cívica para denunciar aquilo que está mal, e cumprir escrupulosamente aquilo que nos cabe enquanto cidadãos, independentemente do sector em que trabalhamos.


sábado, dezembro 31, 2016

FELIZ ANO NOVO


NÃO ERA PARA SER ISTO, MAS...

Estava a preparar-me para fazer um balanço do ano de 2016 e coloquei um CD do Mário Mata a tocar e, deixei de ter vontade de o fazer. Para não deixar o dia em branco deixo-vos duas músicas do Mário, que vem sempre a propósito...



quinta-feira, dezembro 29, 2016

SÓ PODEM ESTAR A GOZAR

Este governo tem estado a descarrilar nestes últimos meses, e a discussão do ordenado mínimo nacional e o acordo conseguido, foi apenas o sinal mais visível do desvio do caminho mais consensual com os parceiros que o apoiam no Parlamento.

Quando há que escolher entre a posição dos trabalhadores e dos patrões o PS vacila, e quase sempre toma o partido do patronato. Nos próximos tempos veremos quais serão as alterações recentes às leis laborais que o executivo estará disposto a anular.

Outra frente que já está na calha prende-se com o aumento dos dias de férias, para os níveis anteriores à troika, e já se viu Vieira da Silva a “patinar”. Agora veio “a novidade” da possível taxação de parte do subsídio de alimentação dos funcionários públicos em 2017, o que a ser verdade será mais um tiro no pé. A indefinição do feriado de Carnaval também mostra um recuo assinalável…


O PS pode estar a pensar numa possível maioria num processo eleitoral a médio prazo, mas o encosto às posições dos partidos de direita não lhe vai ser favorável, disso podemos todos ter a certeza.  


segunda-feira, dezembro 26, 2016

SÃO SEMPRE OS OUTROS…

Por acaso assisti aos telejornais da hora do almoço de dia 26 de Dezembro, e uma das notícias em destaque era a tolerância de ponto dada aos funcionários públicos, e o mesmo já tinha acontecido com o noticiário da rádio, que também não passou ao lado da notícia.

Na parte da manhã pretendia fazer uns pagamentos e, na minha pausa, fui ao multibanco e reparei que o banco estava fechado, e por acaso era um banco que nos custou a todos uma pipa de massa, mas os outros em redor também estavam fechados. Ao almoço fiquei surpreendido por encontrar os restaurantes quase todos encerrados, sendo que alguns só abrem dia 2 de Janeiro.

Já devem ter percebido que sou funcionário público e que trabalhei no dia 26 de Dezembro, bem ao contrário de todos aqueles que enchiam os centros comerciais, os passeios da zona de Belém, os palácios de Sintra, os restaurantes da baixa lisboeta, da Ericeira e muitos outros locais de que não vi imagens.

O reparo quanto às notícias não tem que ver com a tolerância de ponto dada pelo governo, mas sim da sua má utilização que fazia crer a muita gente que eram só os funcionários públicos que tinham tido esse benefício, e nem todos como se percebe, ignorando que afinal muitos mais tiveram direito a gozar este dia, para descansar, para estar com a família ou simplesmente para dar um passeio… 

quinta-feira, dezembro 22, 2016

NOTÍCIAS DO PATRIMÓNIO

Sobre museus acho que li nos jornais umas três notícias, todas sobre o Museu Nacional de Arte Antiga, e eram sobre o trabalho de Sequeira, sobre a intenção de comprar um novo quadro com a colaboração da sociedade civil e outra sobre a possível ampliação do museu em direcção à Avenida 24 de Julho.

Falando de monumentos acho que as últimas notícias salientavam os números excepcionais das entradas nos Jerónimos e na Torre de Belém.

Quanto a palácios e já depois do anúncio da finalização do Palácio da Ajuda, acho que só umas notas de rodapé sobre o Tricentenário da edificação do Palácio de Mafra.

Fora da alçada do Ministério da Cultura brilha a Parques de Sintra, que já coleciona distinções mundiais de conservação, que vai mantendo níveis de público verdadeiramente grandes, que vai restaurando as fachadas de Queluz, que continua a recuperar todos os outros monumentos a seu cargo, e que vai anunciando espectáculos de Natal na Vila de Sintra.


O balanço talvez seja injusto para o sector público, mas na realidade não há nada de relevante para destacar, porque não se está a cuidar do Património, e tudo o que se vai fazendo é no sentido de manter as portas abertas, e viva o velho…

terça-feira, dezembro 20, 2016

O MUNDO QUE NOS RODEIA

O mundo que nos rodeia está cada vez mais perigoso, não só pela fraca qualidade dos políticos que nos dirigem, como pelos conflitos que existem em muitas zonas, e a falta de soluções para diminuir as tensões que vão aumentando a cada dia que passa nas relações internacionais.

Trump é apenas um dos mais perigosos políticos, porque é o presidente dos EUA, mas existe também um Putin que também é igualmente perigoso, com outro estilo. Noutras paragens como a Síria, no Irão, na Serra Leoa, em Israel, na Palestina, na Turquia, e noutros países, também existem conflitos com milhares de mortes, uns mais mediatizados, outros nem por isso.

Mesmo em zonas que não têm em curso conflitos armados temos problemas mais reais do que muitos pensam, como na Polónia, na Itália, na Grã-Bretanha, ou Hungria, temos problemas políticos e económicos que colocam em causa a economia e o equilíbrio geopolítico mundial.


Se quiserem juntar a tudo isto o terrorismo que grassa um pouco por todo o lado, talvez tenhamos um retrato bem negro do mundo em que vivemos.  


domingo, dezembro 18, 2016

A MENTIRA DA TOLERÂNCIA DE NATAL

Se há coisa que não suporto é a hipocrisia, e pouco me importa que estejamos perante um governo de direita ou de esquerda, porque é o acto que me repugna e não qualquer outra coisa.

O que o primeiro-ministro disse em declarações públicas sobre a decisão de dar tolerância de ponto a toda a função pública, que a decisão se justificava porque “o Natal é um momento de encontro das famílias, muita gente não trabalha no local onde tem as famílias, por isso é natural que haja deslocações e optou-se por fazer a tolerância de ponto dia 26”, não é verdadeiro para todos aqueles que trabalham aos sábados, domingos e feriados, mesmo os que o fazem em serviços não essenciais, como os Museus, Lojas do Cidadão e outros.

Sabe-se que o senhor António Costa não conhece a realidade de toda a função pública, que os seus conselheiros também não tiram os traseiros dos gabinetes, nem tão pouco vão trabalhar nos dias 24 e 31, mas não é justo que se esqueçam dos que trabalham nesses dias e que também gostariam de passar o Natal com as suas famílias, e que sabem bem que não será por estar fechado um museu, ou uma Loja do Cidadão que a vida de alguém sofre danos irremediáveis. Acrescente-se ainda que o dia 26, segunda-feira, já é dia de folga na maioria dos museus.


Governantes que estão tão longe dos governados, e inclua-se aqui o senhor ministro da Cultura, que não abre a boca, não merecem mais do que uma crítica que demonstre o meu desprezo. 


sexta-feira, dezembro 16, 2016

VEM AÍ UM ANO EXCEPCIONAL…

O ano que corre não foi dos melhores, ainda que segundo a comunicação social eu tenha visto o meu salário aumentar porque sou funcionário público, e terei sido um grande felizardo.

Confesso que não dei por melhorias e fazendo comparações com o ano de 2010 fiquei bem abaixo do que então recebera, quer em termos brutos quer líquidos.

Agora voltei a ler que vou receber em 2017 o mesmo que em 2010, ou até mais, porque me vão aumentar substancialmente o subsídio de alimentação.

Não sou muito versado em contas, mas mesmo considerando o “substancial aumento” de 25 cêntimos por dia trabalhado a partir de Janeiro, não consigo ver como é que isso vai compensar o aumento dos descontos para a ADSE, os aumentos de impostos entretanto verificados, já para não falar no raio da inflação acumulada nestes anos.


Será que vale a pena festejar?


quarta-feira, dezembro 14, 2016

PALÁCIO DE MAFRA E A HIGIENE

Depois de algumas visitas a esta obra majestosa e imponente, uma falta saltou-me à vista e deixou-me bastante admirado, porque embora este palácio não tivesse sido muito utilizado pela família real, recebeu-os por diversas ocasiões em visitas curtas, mas devidamente documentadas.

A lacuna é a de casas de banho dignas desse nome nos aposentos reais, com água corrente e sanitas fixas, que nos séculos XIX e XX eram comuns noutras residências reais temporárias, como se pode ver nos palácios de Sintra.

Sabemos que no século XVII era generalizada a rejeição da água, tida como veículo contaminador do corpo, portador de doenças e de várias moléstias e pestes, mas à toillete seca, ligada ao enxugar e ao perfume, com a importância da roupa interior, segue-se nos anos 1740-1750, a água quente e depois fria que faz o regresso aos hábitos de higiene, ainda que com distinções sociais, mas mais saudável.

Note-se que o Palácio de Mafra não tem, aparentemente abastecimento de águas no andar nobre, mas em contrapartida existe um rede de esgotos que desemboca em galerias onde circulava água vinda da zona do Jardim do Cerco, que depois iriam desembocar em zonas mais baixas, pretensamente na rectaguarda da Caixa Geral de Depósitos de Mafra, fronteira ao edifício.  

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segunda-feira, dezembro 12, 2016

DISPARIDADES SALARIAIS EM PORTUGAL?

Ainda há poucos dias se discutia o salário do novo presidente da Caixa Geral de Depósitos, que para muitos (eu incluído), é simplesmente ofensivo para a maioria dos cidadãos portugueses que são afinal os accionistas do banco, mas os senhores que apoiam o governo decidiram (mal) manter o salário milionário prometido ao anterior titular.

Soube-se agora, oficialmente através de dados do Eurostat referentes a 2014, que Portugal é dos países europeus com maior disparidade salarial, não só entre os salários mais altos e os mais baixos, mas também entre os mais altos e a média do país, onde surge mesmo em 1º lugar.

Os senhores políticos que nos governaram, os que hoje nos governam, e os que os apoiam ou apoiaram, deviam neste momento apresentar desculpas aos portugueses e manifestar estarem envergonhados com esta realidade. O mesmo se aplica ao patronato reacionário e explorador que continua a contestar um aumento do salário mínimo que o leve a níveis de dignidade humana.


O problema não é a falta de dinheiro, como se percebe, mas sim a sua má distribuição, e aqui temos o papel regulador do Estado, que afinal não tem sido competente como ficou comprovado. 


sábado, dezembro 10, 2016

VELHOS SÓ PARA GUIAR?

Não sei quem teve a ideia peregrina de incluir no novo Plano Estratégico de Segurança Rodoviária (PENSE 2020) a medida de fazer com que a revalidação da carta dos condutores com 65 anos ou mais, esteja dependente de fazer uma formação obrigatória.

Por que carga de água é que estes iluminados pensam que um individuo só porque atingiu os 65 anos deixou de estar desactualizado no que respeita aos conhecimentos de condução, ou não reúne condições mentais para a condução?

Este governo presta-se para aumentar a idade de reforma, e esta já se situa acima dos 66 anos, e que me conste não pensou em tornar obrigatória a formação dos funcionários com 65 anos, nem sequer pensou em aliviar a sua carga horária, o tipo de trabalho que desenvolvem, e muito menos faz questão em fazer avaliações médicas (medicina no trabalho), para saber as condições em que estão os seus próprios funcionários.

Será que a avaliação médica obrigatória dos condutores com 50 e mais anos não é suficiente para determinar as capacidades do condutor? Que tipo de formação será indispensável para que um condutor de 65 anos fique mais capacitado para andar nas estradas? Por que é que para conduzir uma viatura seja exigível mais do que para desempenhar um qualquer ofício? Pessoas com mais de 65 anos podem e devem trabalhar, mas talvez não estejam capazes para o acto de conduzir um veículo motorizado?


A pergunta mais interessante que hoje ouvi, foi se Marcelo Rebelo de Sousa estará capaz para desempenhar o cargo ou se necessitará de alguma formação obrigatória… 


sexta-feira, dezembro 09, 2016

A TECNOLOGIA É LIXADA

Enquanto uns se deliciam com as novas tecnologias, e com as facilidades que elas nos proporcionam, outros tremem de cada vez que se anuncia uma nova descoberta, ou um novo uso para as tecnologias mais recentes.

O recente anuncio da Amazon que pretende avançar com loja sem filas nem caixas, é o mais perfeito exemplo do que digo: delicia quem diz não ter tempo a perder, horroriza quem trabalha em supermercados.

As novas tecnologias podem facilitar-nos a vida mas também contribuem para um aumento do desemprego, e isso já devia estar a ser equacionado pelos diferentes governos deste planeta, porque existe uma potencial ameaça ao sistema de segurança social que tanto prezamos na Europa.

A tecnologia continuará a evoluir, e ela é (quase sempre) benéfica para a humanidade, mas na verdade é alterado um factor de equilíbrio da sociedade actual, que é o baixo desemprego. Chegados aqui é necessário reequacionar a natureza dos nossos impostos, pensados para fazer uma redistribuição da riqueza a partir dos rendimentos do trabalho.


Não existem muitas opções para garantir uma redistribuição mais justa da riqueza, com estes avanços constantes da tecnolologia, e o patronato não vai gostar de nenhuma, porque terá que se taxar as máquinas, ou o que elas produzem, diminuir os horários de trabalho, e aumentar os salários, a menos que se desejem grandes assimetrias e constantes conflitos sociais.


terça-feira, dezembro 06, 2016

UMA MÁ IMPRESSÃO DE SINTRA

Fui ao centro de Sintra num dia de comemoração do aniversário da minha esposa e, apesar de conhecer muito bem a Vila, onde trabalhei durante muitos anos, fiquei espantado com as mudanças acontecidas nestes últimos dois anos.

Comecei por ficar mal impressionado com o trânsito, porque entrar ou sair de Sintra via S. Pedro é uma trapalhada e está tudo mal assinalado, mas disseram-me que depois de nada se fazer durante os últimos anos, agora em vésperas de eleições autárquicas a autarquia acordou.

O número de turistas nesta época do ano parece ser maior, e sobretudo deixou de estar exclusivamente dependente do afluxo de espanhóis, que embora sejam muitos já não são os únicos. Curiosamente o turismo em grupo continua a existir, mas os que se deslocam de carro ou em transportes públicos são cada vez mais, o que nos traz mais gente jovem e gente com maior poder de compra.

O restaurante escolhido, excelente diga-se já, fica perto da estação de comboios e depois de algumas voltas, lá encontrei um lugar pago para estacionar. Tinha notado que junto à estação havia alguma aglomeração de pessoas, que não me parecia normal. Não era, de facto, e eram indivíduos jovens na sua maioria, que abordavam agressivamente os turistas para alugar bicicletas, e carros de todos os tipos, bem como as sempre presentes tuk-tuk.


Acho que a venda de serviços devia ser regulada, porque é extremamente aborrecido ser quase assaltado por quem “vende” serviços na via pública. Sei que isto existe em Itália e noutras paragens turísticas por esse mundo fora, mas posso discordar deste tipo de abordagem, e não serei o único. 

domingo, dezembro 04, 2016

O GOVERNO E A COMPETÊNCIA

A nomeação da nova gestão da Caixa Geral de Depósitos, não foi só uma monumental trapalhada, de que todos os meios de comunicação social fizeram eco, mas também um sinal de esperança para todos os trabalhadores que ainda acreditam que a Justiça prevalecerá.

Parece estranho que se faça um paralelo entre um gestor como Paulo Macedo e um qualquer trabalhador, mas se o executivo de António Costa acha que a competência do gestor que escolheu merece um altíssimo salário, então também é lícito pensar que o mesmo é válido para todos os trabalhadores, dos mais variados ofícios, que o fazem de um modo competente.

Será que isto é como acreditar no Pai Natal?Então não vamos todos receber salários competitivos relativamente aos dos países com os quais competimos neste mundo globalizado?


sexta-feira, dezembro 02, 2016

QUE PAROLICE…

Temos assistido a diversas demissões por se desvendar que havia diversas habilitações falsas de pessoas ligadas ao poder, e isso tem sido “um pratinho” para a comunicação social, e para a oposição, apesar de não serem factos únicos, ou até pouco comuns na nossa sociedade.

Em Portugal tem-se tido como dado por certo que um qualquer licenciado estar imediatamente capacitado para desempenhar qualquer cargo, independentemente da afinidade entre a licenciatura e o cargo ocupado.

A tolice imensa chegou ao ponto de um engenheiro ser considerado apto para o ministério da saúde, um médico ser considerado ideal para a educação ou um diplomata ser uma boa escolha para a Cultura.

Trabalho num serviço onde um terço dos “doutores” não o é, e onde pessoas da mesma categoria profissional têm horários diferentes, com o conhecimento dos superiores, que acabam por discriminar os próprios funcionários, sem admitirem nunca situações de favorecimento.


Isto é o Portugal  parolo no seu pior!