terça-feira, dezembro 15, 2015

O ESTADO, OS BANCOS E OS BANQUEIROS



Em Portugal começamos a ficar habituados ao colapso dos bancos privados, porque depois do BPN veio o BPP, seguiu-se o BES e agora vem o Banif, perfilando-se também o periclitante Montepio, mencionando apenas aqueles que eu me recordo.

As soluções encontradas para o descalabro dos bancos nacionais tem sido diferente, mas infelizmente o resultado tem sido sempre o mesmo, com o Estado, que somos todos nós, a arcar com os prejuízos, e os compradores a ficar com empresas sem encargos por um preço de saldo.

Há algumas perplexidades em todos os processos conhecidos, que nunca encontraram respostas nem pelos governos nem pelos comentadores económicos que sabem sempre tudo, menos o que queremos saber.

Que se tenha conhecimento nunca foram assacadas responsabilidades aos accionistas e aos gestores dos bancos que colapsaram, apesar de ser sabido que embolsaram lucros chorudos ainda no passado recente, e isso é simplesmente uma originalidade portuguesa.

Os bancos no seu conjunto, que têm responsabilidades legais no caso da falência dos bancos, e as autoridades de fiscalização do sector, nunca assumiram as suas responsabilidades, e isso é vergonhoso.

Por último, e não menos importante, os sucessivos governos nunca revelam no final dos processos, quais foram os encargos que ficaram para o Estado (contribuintes), que resultaram dos desmandos da banca nacional.



domingo, dezembro 13, 2015

sexta-feira, dezembro 11, 2015

SABER LER OS SINAIS



Boa parte da comunicação social está a avançar que este Natal está a mostrar-se melhor que os dos últimos anos, utilizando como argumentos os levantamentos e pagamentos feitos com cartões, e também algumas declarações de comerciantes das grandes cidades.

A conclusão, algo apressada diga-se, é de que os consumidores estão mais optimistas com o futuro do país, mas será que é mesmo assim?

Começando pela subida dos levantamentos e pagamentos com cartões, talvez seja bom referir que o turismo tem tido a sua influência, o que não tem sido levado em conta. Pode dizer-se exactamente o mesmo das declarações dos comerciantes das grandes cidades, é claro.

O contraponto do optimismo que nos pretendem incutir pode ser dado pela posição dos patrões que recusam um aumento do salário mínimo para os 530 euros, reclamando que as empresas não o conseguem suportar. Também é preciso ter em atenção o que pensam os portugueses dum salário mínimo de apenas 530 euros, porque a isso não é dado o devido relevo.


Gaivota by telemóvel

quarta-feira, dezembro 09, 2015

TEMOS OS POLÍTICOS QUE MERECEMOS

Há deputados que têm ideias e discursos que de tão tolos nos fazem rir, e o deputado do PSD Duarte Marques é um dos exemplos.

A propósito da participação de Pacheco Pereira num debate da campanha de Marisa Matias, o deputado do PSD "pede" ao comentador para sair do PSD, como se o acto fosse contra os estatutos do partido, que não é. 

É evidente que temos os políticos que merecemos, como os americanos têm os candidatos que merecem, e estou a lembrar-me do Donald Trump. 

Perguntam-me se acho os dois comparáveis? Acho que não, porque um é bem mais rico que o outro!


segunda-feira, dezembro 07, 2015

CARICATURAS

Gosto muito de caricaturas e admiro diversos artista dessa área, por isso deixo-vos hoje com Fernandes, um dos meus preferidos. A escolha dos bonecos recaiu no Steve Jobs e no Keith Richards magistralmente caricaturados como se pode ver.

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sábado, dezembro 05, 2015

OS CULPADOS DO COSTUME



Se todos se lembram da almofada financeira de que falava Passos Coelho, ou dos cofres cheios da ministra Maria Luís, que apesar de ser divida ao estrangeiro, enchia a boca dos antigos governantes, que se orgulhavam de ter essa massa para se poder enfrentar alguma dificuldade inesperada.

Parece que o montante da almofada financeira era de 945 milhões de euros no princípio do ano, mas que agora é de apenas 60 milhões de euros. O gasto dessa dinheirama, segundo o governo apeado do poder, deveu-se aos professores que não aceitaram recorrer às rescisões amigáveis, e continuaram a desempenhar as suas funções.

Foram sempre os funcionários públicos os culpados dos “desvios de rumo” das finanças nacionais, pelo menos na óptica dum governo que nunca errou nem teve dúvidas, à semelhança do seu tutor, ainda em funções para os lados de Belém. Por verem reduzidos os cortes dos subsídios ou por se negarem a rescindir os seus contratos de trabalho, os bodes expiatórios da derrapagem orçamental são os funcionários públicos.

O tal rigor de que falavam Passos Coelho e Maria Luís, tem uma face bem negra porque o tal trunfo que diziam ter na manga já foi pelo cano abaixo, e o défice abaixo dos miríficos 3% está em sério risco, a menos que se façam uns quantos malabarismos, como empurrar alguns pagamentos para 2016, o que já vem sendo hábito.


P. do Sol by Palaciano

quinta-feira, dezembro 03, 2015

POESIA E FOTOGRAFIA



O cego e a guitarra

O ruído vário da rua
Passa alto por mim que sigo.
Vejo: cada coisa é sua
Oiço: cada som é consigo.

Sou como a praia a que invade
Um mar que torna a descer.
Ah, nisto tudo a verdade
É só eu ter que morrer.

Depois de eu cessar, o ruído.
Não, não ajusto nada
Ao meu conceito perdido
Como uma flor na estrada.

Cheguei à janela
Porque ouvi cantar.
É um cego e a guitarra
Que estão a chorar.

Ambos fazem pena,
São uma coisa só
Que anda pelo mundo
A fazer ter dó.

Eu também sou um cego
Cantando na estrada,
A estrada é maior
E não peço nada.

 Fernando Pessoa


Mar e Rocha by Palaciano

terça-feira, dezembro 01, 2015

A FORÇA DO PATRONATO



Tem sido constante a pressão feita pelo patronato desde que se soube que iríamos ter um governo apoiado pela esquerda parlamentar. A sua acção chegou mesmo ao ponto de dizer que só por haver um governo de esquerda já havia uma significativa fuga de capitais.

O primado da economia que se sobrepôs aos interesses e às aspirações das pessoas, levou a que o trabalho fosse desvalorizado e as atenções do governo se centrassem quase que em exclusivo no capital e nos seus detentores.

Os custos do trabalho têm vindo a descer desde 2008/2009, os salários têm sido diminuídos pelo aumento da carga fiscal sobre o trabalho, e os lucros passaram a ter um alívio fiscal, o que tem sido muito do agrado do nosso patronato.

Com o fracasso das políticas de austeridade extrema seguidas pelo anterior governo, tornou-se evidente que é necessário repor algum do poder de compra dos trabalhadores para equilibrar a economia, e isso incomoda um patronato que estava habituado a ditar as suas regras e a explorar uma mão-de-obra barata, para não dizer outra coisa.

É bom que se perceba que não temos hipóteses de crescimento tentando competir na base dos baixos salários, porque esse lugar já está ocupado por outros com maior dimensão. Um confronto entre o patronato e os sindicatos, nesta altura, terá muito maus resultados.


Natureza Morta by Palaciano

Quebrada by Palaciano