sábado, dezembro 05, 2015

OS CULPADOS DO COSTUME



Se todos se lembram da almofada financeira de que falava Passos Coelho, ou dos cofres cheios da ministra Maria Luís, que apesar de ser divida ao estrangeiro, enchia a boca dos antigos governantes, que se orgulhavam de ter essa massa para se poder enfrentar alguma dificuldade inesperada.

Parece que o montante da almofada financeira era de 945 milhões de euros no princípio do ano, mas que agora é de apenas 60 milhões de euros. O gasto dessa dinheirama, segundo o governo apeado do poder, deveu-se aos professores que não aceitaram recorrer às rescisões amigáveis, e continuaram a desempenhar as suas funções.

Foram sempre os funcionários públicos os culpados dos “desvios de rumo” das finanças nacionais, pelo menos na óptica dum governo que nunca errou nem teve dúvidas, à semelhança do seu tutor, ainda em funções para os lados de Belém. Por verem reduzidos os cortes dos subsídios ou por se negarem a rescindir os seus contratos de trabalho, os bodes expiatórios da derrapagem orçamental são os funcionários públicos.

O tal rigor de que falavam Passos Coelho e Maria Luís, tem uma face bem negra porque o tal trunfo que diziam ter na manga já foi pelo cano abaixo, e o défice abaixo dos miríficos 3% está em sério risco, a menos que se façam uns quantos malabarismos, como empurrar alguns pagamentos para 2016, o que já vem sendo hábito.


P. do Sol by Palaciano

quinta-feira, dezembro 03, 2015

POESIA E FOTOGRAFIA



O cego e a guitarra

O ruído vário da rua
Passa alto por mim que sigo.
Vejo: cada coisa é sua
Oiço: cada som é consigo.

Sou como a praia a que invade
Um mar que torna a descer.
Ah, nisto tudo a verdade
É só eu ter que morrer.

Depois de eu cessar, o ruído.
Não, não ajusto nada
Ao meu conceito perdido
Como uma flor na estrada.

Cheguei à janela
Porque ouvi cantar.
É um cego e a guitarra
Que estão a chorar.

Ambos fazem pena,
São uma coisa só
Que anda pelo mundo
A fazer ter dó.

Eu também sou um cego
Cantando na estrada,
A estrada é maior
E não peço nada.

 Fernando Pessoa


Mar e Rocha by Palaciano

terça-feira, dezembro 01, 2015

A FORÇA DO PATRONATO



Tem sido constante a pressão feita pelo patronato desde que se soube que iríamos ter um governo apoiado pela esquerda parlamentar. A sua acção chegou mesmo ao ponto de dizer que só por haver um governo de esquerda já havia uma significativa fuga de capitais.

O primado da economia que se sobrepôs aos interesses e às aspirações das pessoas, levou a que o trabalho fosse desvalorizado e as atenções do governo se centrassem quase que em exclusivo no capital e nos seus detentores.

Os custos do trabalho têm vindo a descer desde 2008/2009, os salários têm sido diminuídos pelo aumento da carga fiscal sobre o trabalho, e os lucros passaram a ter um alívio fiscal, o que tem sido muito do agrado do nosso patronato.

Com o fracasso das políticas de austeridade extrema seguidas pelo anterior governo, tornou-se evidente que é necessário repor algum do poder de compra dos trabalhadores para equilibrar a economia, e isso incomoda um patronato que estava habituado a ditar as suas regras e a explorar uma mão-de-obra barata, para não dizer outra coisa.

É bom que se perceba que não temos hipóteses de crescimento tentando competir na base dos baixos salários, porque esse lugar já está ocupado por outros com maior dimensão. Um confronto entre o patronato e os sindicatos, nesta altura, terá muito maus resultados.


Natureza Morta by Palaciano

Quebrada by Palaciano

quarta-feira, novembro 25, 2015

UM PRESIDENTE CONTRARIADO

Cavaco Silva acabou por indigitar António Costa como 1º ministro, mas fê-lo com todas as reticências possíveis e imaginárias, com exigências despropositadas e com um comunicado onde transparece o evidente incómodo com que o fez.

A vida tem destas coisas, e Cavaco não se pode sequer queixar, porque tudo podia ter sido bem diferente, se as eleições tivessem sido antecipadas, como bastantes pessoas sugeriram, exactamente por anteciparem a redução dos poderes presidenciais nesta altura. 

segunda-feira, novembro 23, 2015

sábado, novembro 21, 2015

OS COFRES CHEIOS DE DÍVIDA

Podem encher a boca com os tais cofres cheios, que nós não nos deixamos enganar, porque a dívida pública já ultrapassou os 130%, apesar do tal sucesso das políticas de austeridade, tão louvadas por Passos Coelhos e seus ajudantes, com elogios de Merkel e associados.

Os cofres estão cheios de dívida, que nunca, nem no melhor dos cenários, poderá ser paga por este país nas décadas mais próximas.


terça-feira, novembro 17, 2015

TOLERÂNCIA

A lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos.

Mohandas Gandhi 
Rosa
 
Folhas

domingo, novembro 15, 2015

sexta-feira, novembro 13, 2015

EUROPA, AUMENTOS E HIPOCRISIA

A austeridade tão cara à coligação que nos tem (des)governado, ao patronato retrógrado e à rigorosa União Europeia, tem sido argumento para congelar os salários da função pública em Portugal, e por arrasto, muitos outros sectores com patrões sovinas e oportunistas. 

Soube-se agora que os funcionários da União Europeia vão receber aumentos de 2,4 % no próximo ano porque, dizem os entendidos, tiveram os seus ordenados congelados desde 2013. 

Claro que em Portugal somos uns sortudos, porque ao que consta os últimos aumento foram no governo do Sócrates, e a partir daí tivemos aumentos, mas foi de cortes, e agora até há quem diga por aí que vamos receber aumentos no próximo ano, só porque vão aliviar os cortes, nem se sabe bem a que ritmo. 

A Europa está cheia de hipocrisia, os governos nacionais não têm querido ir buscar dinheiro a outro lado que não aos salários, e o patronato guloso e oportunista tem cavalgado a onda que lhes é favorável. 

Com o que ouvi dos representantes dos patrões nestes dias, e de outras fontes, receio bem que nos próximos tempos existam relações bem tensas entre patrões e empregados, e entre esquerda e direita. 


quarta-feira, novembro 11, 2015

PENSAMENTO

A ave constrói o ninho; a aranha, a teia; o homem, a amizade.

William Blake


terça-feira, novembro 10, 2015

CONTRATOS E COMPETITIVIDADE



Estava hoje a falar com um amigo sobre competitividade e saltou para a mesa a sua longa experiência no sector público e privado, onde ocupou posições de chefia intermédia.

Dizia ele que durante os últimos 25 anos viu passar pelos serviços mais de uma centena de jovens, com boa formação académica, em programas de tempos livres, com programas ligados ao IEFP, com contratos a prazo, com programas de aquisição de serviços a empresas de serviços temporários, em estágios remunerados e não remunerados, e até com falsos recibos verdes. Nunca houve por parte da administração, pública, ou privada, qualquer intenção de integrar nenhum dos muitos jovens e menos jovens com que ele lidou.

No início de funções quase todos mostram grande vontade de aprender e colaborar (ainda têm ilusões), cerca de três meses depois estão preparados para responder às solicitações, fase que dura uns dois ou três meses, começando então a fase em que se apercebem da realidade, e o desempenho começa a ficar proporcional ao nível de esperança em ficar nos quadros do serviço.

Ao final do dia fui ao supermercado e quando comentei a falta de reposição de artigos constantes do folheto promocional, a menina da caixa diz bastante desanimada que vai ser dispensada no final do mês, altura em que termina o seu contrato, que no total teve 18 meses.

Todos percebemos que a mão-de-obra é na maioria dos casos, para usar, abusar e deitar fora quando os benefícios dados pelo Estado terminam. Lamento a gulodice de muitos empresários deste país, e de políticos também, que tentam fazer-nos acreditar que os contratos a prazo são para situações de picos de actividade, ou para movimento sazonal, porque é uma descarada mentira.

PS- Para que conste, o Estado tem falsos recibos verdes, e não vemos os dirigentes máximos dos serviços condenados pela ilegalidade nessas situações, o que é indecente.



quarta-feira, novembro 04, 2015

INIMIGOS DA DEMOCRACIA

O aumento das desigualdades, o desemprego crescente, a falta de oportunidades e as más políticas, são já, neste presido momento, os maiores inimigos da Democracia.

Muitos políticos temem a saída da Grécia do grupo do euro, a saída Inglaterra da União Europeia, ou a crise dos migrantes, mas esquecem-se que os povos estão mais preocupados com os problemas que mais directamente sentem no seu dia-a-dia, e esses não são certamente os mesmos que os políticos elencam.


A cegueira dos políticos e a obsessão com as finanças, está a minar a confiança dos cidadãos, e isto é o terreno fértil para os populismos de direita, que à boleia da crise dos migrantes está em crescimento anunciando que tudo ficará ainda pior com a chegada desta vaga de refugiados. 

Chuva By Palaciano

segunda-feira, novembro 02, 2015

O FIM DAS FÉRIAS

Chegaram ao fim os meus dias de férias, e também chegou ao fim o tempo do sol, das temperaturas amenas e dos dias grandes. O Inverno ainda não chegou mas o tempo já o prenuncia, pedindo agasalhos, impermeáveis e coisas quentes. Dos últimos dias aqui ficam umas imagens que ilustram o que disse. 

Durante boa parte das férias ainda me foi possível apreciar a beleza do Outono e as suas cores e contrastes, felizmente.