domingo, setembro 13, 2015

MOUZINHO DE ALBUQUERQUE (parte 2)



A exemplo do que já havia sucedido ao aportar na Madeira, ao chegar a Lisboa na manhã de 14 de Dezembro, e como acontecia normalmente com os regressos vitoriosos dos corpos expedicionários a África, tem uma recepção apoteótica, a maior de sempre, à maneira dos antigos generais de Roma, com o povo em massa nas ruas a aclamá-lo, em ambiente de fervor patriótico poucas vezes visto na História de Portugal.

Mouzinho vem para terra a bordo da galeota real com os ministros da Guerra e da Marinha, que tinham ido ao navio apresentar-lhe cumprimentos. O rei D. Carlos, fardado de generalíssimo, espera-o pessoalmente e abraça-o no cais de desembarque do Arsenal da Marinha, com a rainha D. Amélia e os príncipes também presentes. O rei não deixa curvar-se perante si. Enquanto uma multidão dá vivas ao herói ao som de música e foguetes-

Os jornais lançam números extraordinários, publicam versos em sua honra, estudam a sua genealogia, publicam e republicam fotos suas, dos seus camaradas de África, do Gungunhana e de outros régulos que derrotou, saem anúncios publicitários das melhores lojas e armazéns de Lisboa, que se colam àquela história de sucesso.

No paço, o soberano ofereceu-lhe um jantar de honra, de 215 talheres, em que serviu a magnífica baixela Germain, que só se usava nas solenidades excepcionais. Mouzinho senta-se à direita da rainha D. Amélia e, aos brindes, D. Carlos saudou-o com uma calorosa admiração e um profundo reconhecimento pelos seus feitos em África.

(Continua)



sexta-feira, setembro 11, 2015

MOUZINHO DE ALBUQUERQUE



A Vinda à Europa e a recepção apoteótica

Em Dezembro de 1897, vem a Lisboa, viajando primeiro de comboio até Pretória, onde foi hóspede de Estado do presidente Paul Kruger, que o recebeu pessoalmente, com honras militares, continuando ainda de comboio até à Cidade do Cabo, onde embarcou no Peninsular para Lisboa.

Mouzinho manteve sempre boas relações com as autoridades do Transval. Estes viam nos portugueses um aliado na luta contra a tendência expansionista inglesa, e o braço direito de Kruger no Governo, Wilhelm Leyds, deslocou-se algumas vezes a Lourenço Marques para conferenciar com o comissário régio Mouzinho, vindo mais tarde também a apresentar credenciais em Lisboa como ministro plenipotenciário daquele país para a Europa.

Os sul-africanos temiam que o porto de Lourenço Marques caísse nas mãos dos ingleses e sabiam que Mouzinho seria sempre um aliado na luta contra a intenção inglesa de dominar toda a África austral.

(Continua)



quarta-feira, setembro 09, 2015

1895 - PRISÃO DE GUNGUNHANA

A notícia da captura de Gungunhana chegou a Lisboa quando o prisioneiro desembarcou em Lourenço Marques (actual Maputo).

O “telegrama importante” desse dia 4 de janeiro de 1986, enviado ao secretário particular do rei, chegou logo ao DN: “Peço honra apresentar com minhas homenagens, entusiásticas felicitações a sua majestade pela prisão de Gungunhana e seu filho Godide, levada a efeito pelo valente Mouzinho.” Em março, o jornal anotou no dia da sua chegada “à vista em Cascais”: “O Gungunhana chega a Lisboa numa sexta-feira 13, dia de bem mau agouro para ele, posto que de ótimo auspício para nós.”

Gungunhana, mítico imperador de Gaza, foi capturado a 28 de Dezembro de 1895 num ataque surpresa das forças comandadas por Mouzinho de Albuquerque à povoação sagrada de Chaimite. A operação culminou um ano de combates – Marracuene, Magul, Coolela – por tropas expedicionárias enviadas para Moçambique com o objectivo de capturar o chefe tribal dos vátuas. Essenciais nessas vitórias foram as novas armas de repetição – espingardas e carabinas com capacidade para oito tiros de calibre 8mm – e a táctica do quadrado, evitando a luta corpo a corpo com os temíveis guerreiros vátuas e concentrando o poder de fogo. A decisão de derrotar o Leão de Gaza reflectiu o endurecimento da política portuguesa no quadro das chamadas campanhas de conquista e pacificação, iniciadas uma década antes. Gungunhana ascendeu ao trono em 1894, ano em que a Conferência de Berlim dividiu o continente africano entre as potências coloniais. Com a ênfase posta no direito de ocupação, cresciam as pressões sobre os territórios de Portugal na África Austral. Na sequência da sua proposta do Mapa Cor-de-Rosa, ligando Angola e Moçambique, a Inglaterra contrapôs em 1890 um ultimato: ou Lisboa abandonava o projecto ou entrava em guerra com Londres. Gungunhana jogou com essa rivalidade para manter a independência de um império que sofria a pressão invasora dos europeus. Essa mesma pressão de ingleses e alemães, que levara Lisboa a defender a pacificação dos seus territórios pela via militar, acentuou-se em Moçambique após o acordo de fronteiras estabelecido em 1891 com a Inglaterra e que deixara Gaza dentro daquela colónia. A recusa de Gungunhana em assumir-se como súbdito da coroa portuguesa, a par dos ataques contra colonos e povos locais sob protecção de Lisboa, levaram Mouzinho de Albuquerque para Lourenço Marques com o objectivo de o eliminar. A sua captura permitiu recuperar da humilhação causada pelo Ultimato britânico, sendo alimentada nas décadas seguintes como ato heróico do oficial de cavalaria – embora vozes isoladas o qualificassem como crimes de guerra pelas leis castrenses de então. Gungunhana, enviado para Lisboa, viu-se passeado – com as sete mulheres, escandalizando os católicos – e exibido para gáudio de todos. Deportado para os Açores, foi convertido, alfabetizado e integrado na sociedade da Terceira, onde morreu 11 anos depois (1906). Em 1985, o agora herói da resistência moçambicana foi trasladado para a Fortaleza de Maputo – onde está a estátua de Mouzinho erigida na antiga Lourenço Marques.

MANUEL CASTRO FREIRE


Nota: Este texto foi retirado do DN de 30/07/2014

Gungunhana e suas sete esposas em Lourenço Marques actual Maputo ( Foto de The Delagoa Bay Review)

segunda-feira, setembro 07, 2015

FELICIDADE E DINHEIRO



Todos sabemos que o dinheiro não compra felicidade, mas que dá uma ajuda que não podemos desprezar, isso dá.

Foi conhecido recentemente um estudo feito pelo Instituto Nacional de Estatística do Reino Unido que confirma que o dinheiro traz mesmo felicidade, ou seja, que a satisfação com as condições de vida, a valorização pessoal e profissional, bem como a felicidade, aumentam proporcionalmente à riqueza do agregado familiar.

Porque os ingleses são por natureza bastante cautelosos, acabaram por sugerir no dito estudo que “é possível que o dinheiro dê felicidade, mas também que seja a felicidade a trazer o dinheiro”.

Eu sou muito tuga e muito céptico, e aconselharia os estudiosos a fazerem o reverso, que era estudar se a miséria faz alguém feliz, o que traria luz ao assunto.



quinta-feira, setembro 03, 2015

CULTURA E MERCANTILISMO



A Cultura tem sido usada por diversos governos de todo o mundo como a flor na lapela de governantes vaidosos e pouco interessados com os bens culturais.
Muito à frente das preocupações culturais está, como sempre, o dinheiro, que afinal faz mexer as coisas.

O que se passa em Abu Dhabi, onde estão em construção museus com ligações a grandes museus europeus, que a troco de verbas chorudas permitem a utilização de nomes conhecidos, como o Louvre ou o Guggenheim, e também dão apoio com colecções e assistência técnica. O escândalo das más condições de trabalho na construção destes equipamentos não te suscitado a devida indignação dos meios culturais e muito menos dos políticos europeus que nem se pronunciam.

Não é mau que a Cultura possa gerar dinheiro, directa e indirectamente, mas é péssimo que a troco de dinheiro se “calem as consciências”.



terça-feira, setembro 01, 2015

SERÁ QUE PRODUZIMOS TÃO POUCO?



Segundo os rankings da OCDE e da UE os portugueses são dos europeus que mais horas trabalham e dos que menos produzem e estes dados resultam da informação fornecida dada pelos diversos governos europeus.

Esta coisa das estatísticas pode conduzir a resultados difíceis de explicar, como seja o facto de ver o Luxemburgo a ter um rendimento por hora de trabalho de 58,8 euros, e em Portugal o rendimento hora é de apenas 17,1 euros. Atendendo ao facto de boa parte dos trabalhadores luxemburgueses serem de facto portugueses, esta diferença custa a engolir.

Existe um factor cuja responsabilidade é de muitos trabalhadores e empresários portugueses, que é o da fuga aos impostos, escondendo-se rendimentos e lucros, o que prejudica, e muito, qualquer estatística.