sexta-feira, setembro 24, 2010

POESIA

TESTAMENTO, ENTRE OS PINHEIROS E O MAR

José Fernandes Fafe

Se eu morrer primeiro do que tu,
salva a ternura que salvei.

Depois, se te doer, firma o olhar
nas ondas mais longínquas do mar largo,
destrói a dor nas lágrimas, e o vento
que te esvoace a saia e o cabelo,
pinheiro firme, cego dos sentidos,
entre as flores silvestres e a espuma...

E o indício de tudo ter passado
(eu, um tempo feliz que se recorda)
é sentires o longo, íntimo afago
do marulho do mar, mão pelos cabelos...



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By Caloi

By Junião

quinta-feira, setembro 23, 2010

RESTAURO E MECENATO

Não é vulgar eu aplaudir aqui, iniciativas na área da Cultura em que o Ministério da Cultura esteja efectivamente envolvido. Não tenho qualquer preconceito em registar trabalho bem feito por parte da entidade pública (MC), mas convenhamos que não é muito comum encontrar motivos que mereçam particular destaque.

Desta vez destaco o protocolo entre a Fundação Iberdrola (enquanto mecenas), Junta de Castela e Leão e Ministério da Cultura que prevê intervenções a nível de restauro em 18 igrejas românicas de Portugal.

Esta parceria transfronteiriça vai permitir a criação de uma nova rota no Caminho de Santiago, o que é uma mais-valia para as regiões beneficiadas, no norte do País. Fica-nos apenas uma pequena frustração, de ter apenas um mecenas com sede no estrangeiro.

Talvez este anúncio, que passou despercebido na nossa comunicação social, possa chegar aos ouvidos dos nossos empresários e em breve se possa anunciar algum mecenato relevante, patrocinado por uma empresa nacional, porque património a necessitar de restauro é o que temos em abundância um pouco por todo o lado.



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By Palaciano

By Palaciano

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Pressa e Morte

Apressado? Mau resultado.

quarta-feira, setembro 22, 2010

OS SORVEDOUROS DE DINHEIRO

Enquanto vemos, ouvimos e lemos políticos e economistas a malhar na Função Pública, classificando-a de sorvedouro da riqueza nacional, vamos tomando conhecimento de poços sem fundo onde se despeja dinheiro sem verdadeiro controlo.

O despesismo atribuído ao Estado tem inúmeras vertentes e grandes montantes desse dinheiro nada tem a ver com despesas com o funcionalismo, mas sim com milhares de instituições que vivem à sombra do Orçamento de Estado.

O DN citando o economista José Cantiga Esteves vem revelar que existem cerca de 14 mil instituições que estão sob o chapéu do orçamento de todos nós. Serão todos necessários e úteis?

A estas revelações, que aliás são mais do que evidentes, podemos acrescentar serviços que são contratualizados a empresas privadas em quase todas as áreas, desde a educação, a saúde, a segurança e outras acessórias que também fazem parte da tal despesa rígida de que falam. Juntem-se os encargos da dívida pública e a incompetência na gestão do nosso dinheiro e temos um retrato muito simples do buraco em que estamos.

O senhor Murteira Nabo podia olhar para tudo isto antes de falar no corte do 13º mês, mas isso é incómodo para a sua classe, a dos economistas, e a dos políticos, que são os contratadores desses mesmos economistas.



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By Falco

By Falco

terça-feira, setembro 21, 2010

A EXCELÊNCIA NA GESTÃO

Fala-se muito em excelência e eu descobri-a na gestão, exactamente na pessoa do presidente das Estradas de Portugal, senhor Almerindo Marques.

Segundo veio a público agora, as Estradas de Portugal prevêem mais do que quadruplicar as suas receitas em 2011. Esta extraordinária previsão, baseia-se na certeza (?) de cobrança de portagens nas actuais SCUT.

Não sei o que me deu agora, mas acho que se o meu patrão me quintuplicar o vencimento, eu poderei facturar pelo menos mais quatro vezes mais. Devo ter sido atacado por algum mal que prolifera entre os grandes gestores nacionais.

È muito difícil prever estes aumentos de facturação, só que eu estou enganado porque os meu patrão é mesmo capaz de me reduzir é o vencimento. Pelo contrário, Almerindo Marques tem tudo para acertar na previsão, porque Sócrates já decidiu fazer dele bom gestor (com o nosso dinheiro).

É tão complicado” prever coisas destas, pelo menos para gajos como eu que não sou amigo do Pinóquio, nem sequer jogo naquelas cores.

AUMENTEM-ME, PORRA!



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Tuesday Special by gurnblansten

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Amir Taqi

Amir Taqi

domingo, setembro 19, 2010

FECHO AO 7º DIA

Não sou muito dado a citar a Bíblia e este título pouco ou nada tem a ver com os ensinamentos do grande livro. A minha intenção é muito mais terrena e prática, e insere-se num movimento europeu em defesa do descanso semanal ao domingo.

Estou farto de ouvir os “muito para a frente” a clamarem que tudo tem que estar aberto ao domingo, porque isso lhes facilita a vida e ajuda a economia. Um argumento tão pobre como este, que parte do princípio que eles, os “muito para a frente” não trabalham ao domingo, mas querem que os outros, os “conservadores” e “retrógrados”, estejam a trabalhar para seu deleite, é absolutamente patético.

Desta vez foi um deputado alemão do Parlamento Europeu que lançou esta campanha para as empresas fecharem ao sétimo dia, que se pretende que se torne lei nos 27 países. O deputado Martin Kastler que é apenas mais um que deseja que o domingo seja dia descanso e dia da família é o autor do documento que tem de reunir um milhão de adesões.

O slogan da campanha é “O pai e a mãe pertencem-nos ao domingo”, pretende fortalecer os laços familiares e humanizar a sociedade em que vivemos. Esta talvez venha a ser a primeira petição a surgir no seguimento do Tratado de Lisboa que consagrou o “direito de petição” como um direito fundamental, que aguarda ainda regulamentação.



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Aquecimento Global por Heinz Ortner

Aquecimento Global por Winfried Besslich

sábado, setembro 18, 2010

CAMELÍTICO

Este senhor começa a ficar perturbado com o calor desértico de parte deste país. As notícias que me chegam aos ouvidos conduzem o espírito até ao Poceirão, e fico espantado com a suspensão do outro troço do TGV.

Após beber um gole de água fresca, fiquei a saber que afinal este país que até estava a crescer 0,1% mais do que o previsto, afinal está a ser prejudicado por uma crise internacional que aconselha à moderação no investimento. Estávamos a crescer e a sair da crise, mas agora tudo se inverteu. Daqui a seis meses voltamos a crescer, e haverá novo concurso.

O governo PS, grande defensor do Estado social, decidiu defender a nação do oportunismo que grassa no sector da saúde, especialmente nos mais pobres que começaram a abusar dos medicamentos, e vai obrigar os ditos a pagar 5% dos medicamentos que lhes forem receitados. Claro que também vão baixar os preços dos medicamentos, o que será uma altura boa para diminuir a comparticipação estatal.

Socialmente esclarecido sobre a bondade das medidas, e sem poder arcar com o preço da minha medicamentação, vou lá fora gritar uns quantos piropos aos autores desta (dês)graça, e deixo um aviso à navegação: VOTEM NELES, E DEPOIS … EMIGREM!



MÚSICA


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sexta-feira, setembro 17, 2010

DESCONFIEI DESTE TÍTULO

Continuo a passar os olhos pelos títulos dos jornais, e não é raro encontrar títulos em que não acreditamos, ou que pelo menos não parecem dizer a verdade toda.

Depois de ter recebido um "boneco" do meu amigo Goraz, fui à procura do título que lhe tería dado origem, e encontrei-o:

«Preço dos medicamentos desce seis por cento»

Deixo-vos o boneco e acrescento a minha desconfiança.

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quinta-feira, setembro 16, 2010

A INÚTIL TRAPALHADA

A difícil situação em que nos encontramos, com um desemprego altíssimo, o investimento em baixa e com um poder de compra cada vez mais baixo, faz com todos pensemos nas soluções para se sair desta situação perigosa.

Todos? Não, porque há quem se detenha em artifícios e politiquices completamente estéreis, mas que ocupam os noticiários de cada dia. A alteração da Constituição é apenas um exemplo da incapacidade real dos nossos políticos de apresentarem soluções para os problemas que enfrentamos.

O ridículo que tem sido a discussão das alterações da Constituição, nomeadamente na vertente laboral, da saúde e da educação, traduz-se na mudança de expressões ou simples palavras, que o principal partido da oposição, o PSD, pretende transformar em obstáculos à boa governação.

Estou cada vez mais farto de jogos florais e de problemas de semântica. O que se exige a quem está na política é que apresente soluções para os problemas e depois cumpra o que prometeu. Já agora, também era de bom-tom que aqueles que têm responsabilidades na situação em que nos encontramos viessem retratar-se, assumindo as suas responsabilidades, o que nunca acontece neste país com tão maus políticos.



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O Tigre e o Dragão

quarta-feira, setembro 15, 2010

CONTESTAÇÃO

Os dirigentes políticos já não estão habituados à contestação sem aviso, e sem enquadramento partidário. Nos últimos anos toda a contestação tem tido origem em grupos organizados de algum modo ligados aos partidos políticos, e por isso facilmente detectados e bastante previsíveis.

A contestação estudantil tem-se pautado pelas mesmas regras, mas ontem as coisas saíram um pouco do padrão e tanto Sócrates como Mariano Gago foram realmente surpreendidos pela contestação de estudantes relativa à acção social.

Esta manifestação, pacífica e inesperada fez-me recordar velhos tempos em que estas acções estudantis eram preparadas em segredo (não podia ser de outro jeito), e iludindo sempre as autoridades que andavam sempre em cima dos mais contestatários.

Mariano Gago tentou desvalorizar e desacreditar o sucedido alegando que “ quem quer fazer valer as suas opiniões disputa eleições e ganha-as, inclusivamente nas associações de estudantes”, mas todos sabem que aí pontificam as ramificações partidárias e a participação cívica só é aceite dentro da lógica da política partidária e não de acordo com as necessidades dos estudantes.

É deste tipo de contestação que os nossos políticos têm medo, pela imprevisibilidade das suas acções e pela empatia que criam no meio em que se desenvolvem estas acções.



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Vêm lá os otários

segunda-feira, setembro 13, 2010

DESEMPREGO E POLÍTICAS

Desde 1975 o número de desempregados em Portugal quadruplicou. Na realidade nunca tivemos um desemprego tão alto, pelo menos desde que há registos.

Os nossos políticos e empresários culpam sempre os trabalhadores desta situação, falando em baixa competitividade e promovem políticas laborais mais liberais, facilitando os despedimentos, baixando salários, aumentando horários e tornando as relações laborais cada vez mais precárias.

As deslocalizações e a liberalização dos mercados nunca entram na equação da perda de competitividade do Ocidente, e são consideradas um avanço civilizacional, mas será que não foram também feitas de um modo incorrecto e prejudicial por criarem situações de falsa competitividade.

Parece que só agora é que os responsáveis pela política económica começam a ver que os danos na economia Ocidental foram tremendos e que o desemprego atingiu proporções que as nossas economias não podem suportar. A frase de Strauss-Khan “se não se adoptarem políticas adequadas para fazer frente a esta tragédia (desemprego), o custo económico e social será tremendo, porque estamos a falar de uma geração perdida”, é um sinal de que há que mudar urgentemente.

É uma pena que os nossos políticos e empresários ainda não tenham aberto os olhos para a realidade, e continuem a atacar os salários e as condições de trabalho, mas no que é mau costumamos estar sempre nos primeiros lugares.



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O Ovo ou a Galinha?

Fintando o Pecado Original

sábado, setembro 11, 2010

A REALIDADE E A UTOPIA

Como é do conhecimento de todos os que me conhecem, este Zé não concorda com muitas coisas que acontecem, e discorda de muitas coisas que os políticos nos fazem. Sou crítico, e preferia que o mundo fosse mais justo.

O Zé é um cidadão comum, sente o mesmo que a grande maioria dos seus concidadãos, mas recusa conformar-se com a situação. Não costumo ser demasiado condescendente com quem jurou defender o interesse público, e o não faz, nem deixo passar em branco a cobardia de quem está descontente mas prefere calar-se para não ficar mal na fotografia.

Há quem diga que já tenho idade para ter juízo, e até quem me diga que ando à procura de um mundo que é utópico. Eu sei que o homem nunca conseguirá atingir a perfeição, e que esta era capaz de ser aborrecida, mas continuo a achar que devo lutar por um mundo melhor, se não para mim, pelo menos para os que depois de mim virão.



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By Sandro Melo

By Shankar

sexta-feira, setembro 10, 2010

ESPARSA

Tornou-se-me tudo em vento,
Após tormento e tormento
Que eu passei cuidando em al;
Em fim veo cedo o mal
E tarde o conhecimento.

Eu assi desenganado,
Vejo vir males maiores.
O tempo a que sou chegado!
Que posso doer às dores,
E dar cuidado ao cuidado.

Sá de Miranda



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Gurbuz Dogan

Gurbuz Dogan

quarta-feira, setembro 08, 2010

SUSPENDA-SE A DEMOCRACIA

Há algum tempo fez furor a afirmação de uma senhora, líder de um partido político, sobre a possibilidade de se suspender a Democracia em Portugal durante algum tempo. Ninguém que se diga respeitador das Liberdades pode aceitar que se suspenda a Democracia por dá cá aquela palha, ou por capricho de um qualquer político.

Mais recentemente soube-se que se ia realizar em Portugal uma Cimeira da NATO, e que durante esse evento existiriam algumas restrições de circulação em certas áreas e que algumas Liberdades, como a de manifestação também seriam proibidas.

Já faltava pouco mais para se encarar esta Cimeira da NATO como uma oportunidade para se suspenderem alguns Direitos e Liberdades, alegando-se problemas de imagem ou de segurança nacional. Efectivamente temos agora a suspensão de um dirigente do Sindicato Nacional da Polícia, que terá anunciado uma greve coincidente com a dita Cimeira.

Pelos vistos o Ministério da Administração Interna considera crime a possível greve da polícia, e ameaça com processos disciplinares e suspensões, todos os que aderirem a esta greve, que segundo o MAI constitui “um ilícito disciplinar de extrema gravidade”. Será mesmo?

Veremos se de facto o MAI tem a Lei do seu lado nesta proibição, e se a polícia é necessária nessa data para cuidar da segurança pública, ou se pelo contrário é indispensável para a segurança dos líderes internacionais que se deslocam a Portugal por ocasião da Cimeira da Nato.

Leia também AQUI

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By Palaciano

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terça-feira, setembro 07, 2010

CONTESTAÇÃO

Os cidadãos têm sempre ao seu dispor diversas formas de intervir nos destinos das nações, seja qual for o regime em que se encontrem.

Em Democracia temos a tendência de reduzir a participação cívica ao simples acto de votar de tempos a tempos, deixando o poder nas mãos de outrem, muitas vezes sabendo que esses que se nos impõem, não estão verdadeiramente interessados no bem comum, e nunca irão cumprir as promessas com que nos tentam enganar durante as campanhas eleitorais.

Há quem tente mudar as coisas de dentro para fora, entrando no jogo partidário, mas por uma razão ou por outra, acabam sempre por ser “engolidos” pelo que se apelida de “sistema”.

Muitas vezes resta apenas a contestação. Não há nada de errado com a contestação, quando o poder não dá resposta aos interesses das populações.

Em Moçambique houve contestação por causa dos aumentos dos bens essenciais, o que tornava a vida dos cidadãos ainda mais difícil do que até aqui. Apesar do uso da força por parte das autoridades, acabou por existir cedências e muitos preços já não vão aumentar. Em França contesta-se a mudança da idade da reforma, dos 60 para os 62 anos, e o governo de Sarkozy admite agora negociar certos aspectos desta medida, e parece condenado a perder as próximas eleições.

O poder está nas mãos dos cidadãos, e não podemos estar conformados com o que nos querem impor uns quantos senhores que foram mandatados para fazer uma coisa e agora pretendem fazer o seu contrário. Contestar é uma forma participar nos nossos destinos.



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sexta-feira, setembro 03, 2010

APRENDER COM OS...


José Sócrates deslocou-se à Líbia para um encontro internacional, acompanhado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, encontro esse que durou poucos minutos e que não terá tido resultados muito importantes, já que nada foi divulgado publicamente.

A viagem de Sócrates, que foi convidado a deslocar-se no carro do dirigente líbio, o que é uma distinção pouco comum, talvez tenha sido bem aproveitada. Não sei se Muammar Kadhafi prometeu petróleo mais barato à Galp, ou negócios mais chorudos ao Espírito Santo, mas o que é verdade é que Sócrates esteve por perto até às duas da madrugada.

O Zé só teme que os governantes portugueses aprendam a organizar festas de aclamação patriótica à moda de Kadhafi, com criancinhas a gritar vivas “à mãe pátria” e grupos folclóricos a abrilhantar os festejos, complementados com fogo-de-artifício. Nunca se sabe!...



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Futebolando...

quinta-feira, setembro 02, 2010

PASSEIO

Não sou esperto nem bruto,
nem bem nem mal educado:
sou simplesmente o produto
do meio em que fui criado.
António Aleixo



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Sevket Yalaz

Julian Pena pai

quarta-feira, setembro 01, 2010

AS ESTATÍSTICAS

Temos um senhor secretário de Estado que não gosta de algumas estatísticas do Eurostat, em particular das do desemprego que segundo ele são de 10,6 % e não 10,8 %, como diz aquela entidade da União Europeia.

Valter Lemos não devia preocupar-se com os 0,2 % de diferença entre os resultados do INE e os do Eurostat, porque é ridícula tendo em conta a grandeza do desemprego.

Já agora, podemos lembrar que também lemos que os níveis de confiança, em Portugal, estão a melhorar (?), apesar de se registar agora uma maior inflação do que a da média europeia, resultado que a nós nos causa muita estranheza.

Estaremos mesmo mais confiantes? Com a economia no estado em que está, com o desemprego ainda a aumentar e com os salários a decrescer? Elucide-nos senhor secretário de Estado.



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By Palaciano

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