quinta-feira, março 04, 2010

RAPIDINHAS

Processo negocial – É curioso que o governo alegue que a greve dos funcionários públicos tem contornos políticos porque, segundo o governo, estava ainda em curso o processo negocial. Ficou por dizer que o processo negocial está fechado no que respeita aos pontos que justificam a greve, nomeadamente os aumentos (congelamento), e as medidas penalizadoras das aposentações (antecipadas 3 anos). Seriedade é o mínimo exigível aos governantes, e a afirmação de que o processo negocial estava ainda em curso não é rigorosa, atendendo aos motivos que levaram a esta greve, concorde-se ou não com ela.

O insulto de Zeinal Bava – O presidente executivo da PT considera que é um “insulto” dizer que a PT foi instrumentalizada no alegado negócio da compra da TVI, já que o mesmo não foi discutido ao mais alto nível dentro da PT. Eu acho que o senhor Zeinal Bava está a insultar a inteligência dos portugueses porque as suas declarações em Junho de 2009, exactamente sobre este caso, provam que ele conhecia o negócio (entretanto inviabilizado). A menos que o presidente executivo da empresa não seja um dirigente de alto nível, as suas declarações são incompreensíveis.

Nana Mouskouri – A cantora grega que já foi eurodeputada renunciou à pensão que recebia pelo cargo que ocupara, pelo menos até o país sair da crise em que se encontra. Diz a cantora que é “um dever para com a minha pátria”. Por cá temos umas boas centenas de políticos e ex-políticos que acumulam pensões pelos cargos que ocuparam, com outras reformas ou remunerações do trabalho que desenvolvem, e que se saiba não houve um só que tivesse dado um exemplo destes. Os sacrifícios são sempre para os mesmos, e de cima nunca vem qualquer bom exemplo.




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mitru


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Akbar-Pirjani

Jordan Pop-Iliev

quarta-feira, março 03, 2010

ACTUALIDADE

Como José Sócrates está de visita oficial a Moçambique, pareceu-me útil deixar-vos aqui este apontamento linguístico que li noutro espaço alimentado por uma amiga.

Moçambicano não cumpre acordo ortografico...

São 6 da manhã.
Moçambicano não dorme, ferra.
O despertador toca.
Ele não se levanta cedo, madruga.
E não vai tomar duche, vai duchar.
E não se arranja, grifa-se bem.
Depois não toma pequeno-almoço, mata-bicha.
E não bebe café solúvel e pão com doce, toma café batido e bread com jam.
Não sai de casa para ir trabalhar, vai no serviço.
E quando chega ao local de trabalho não pede desculpa por ter atrasado, diz sorry lá, que tive problema de transporte.
E não trabalha até ao meio dia, djoba até àquela hora das 12.
E aí não pede ementa, pede menu.
E não come, tacha.
Não come batata frita, come chips.
Não come salsichas, come vorse.
Não come costeleta, come t-bone.
E não bebe uma laurentina preta, toma uma escura.
E não fala com o amigo sobre a namorada, bate papo "brada, minha dama".
E não gosta muito, grama maningue.
E na saída do restaurante não vê as mulheres que passam, aprecia as damas.
E não seduz, paquera.
E não faz convite, pede contacto.
E não a segue, vai à sua trás.
E não encontra um conhecido mais velho, apanha um jon cota.
Na rua não compra cajú, compra castanha.
E não tira fotografias, fota.
No escritório, a empregada não despeja o lixo, no ofice trabalhadora vai deitar.
E não traz o jornal, leva.
E não põe insecticida, baygona.
E não tem reuniões, tem meetings.
E no computador ele não escreve, taipa.
E depois não faz impressão, printa.
E não trabalha as fotografias em Photoshop, fotoshopa.
E para fazer um intervalo não vê o patrão, tcheka o boisse.
E não sai para dar uma volta, dá um djiko.
E não escreve sms para a amiga colorida, manda mensagem para a pita.
E não mente dizendo que está ocupado, mafia que tá bizi.
Moçambicano não trai, cornea.
Não caminha, estila.
Não se faz de difícil, jinga.
Não acaba uma tarefa, ultima.
E no fim do trabalho não vai, baza.
E com os amigos não tem negócios, tem bizne com bro.
E ao fim do dia não vai ao ginásio, djima.
E não está musculoso, tá big.
E não tem bicicleta, tem bikla.
E não faz saudação batendo na mão do amigo, deketa.
E não gosta de aproveitar a vida, enjoya laifa.
De tarde não bebe chá e come pão com manteiga e queijos, toma chá.
E não vai buscar a namorada que está num cabeleireiro distante, a arranjar as unhas e a fazer tranças no cabelo, vai apanhar dama que faz unha e entrança láaaaaaa no salão.
E não bebem um refrigerante, tomam refresco.
E a namorada não usa mini-saia e saltos altos e anda descapotável, põe sainha e uns saltos e tá descartável.
E não lhe diz que é bonita, diz "tens boas".

Tirado DAQUI



FOTOGRAFIA
my HOusE by twELveRN

hOusE Of mY brOthEr by twELveRN


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Henrique Monteiro

Henrique Monteiro

segunda-feira, março 01, 2010

AS EXCEPÇÕES À CRISE

Sempre que a economia nacional é declarada em crise, o que tem acontecido com frequência, são anunciados cortes que por acaso atingem sempre os mesmos.

Eu sei que o que disse é muitas vezes chamado de discurso da esquerda radical, mas todos sabemos que é uma verdade inquestionável. Os alvos dos cortes são feitos nos salários, nas reformas, e claro está nos impostos indirectos que atingem todos por igual.

Porque somos todos iguais, quando o governo fala da convergência dos sistemas de pensões, temos uns quantos que são mais iguais do que a generalidade dos portugueses, que são aqueles senhores que têm as pensões vitalícias.

Podem dizer-me que as pensões vitalícias dos políticos acabaram, mas há quase 400 beneficiários e nos últimos tempos houve uma corrida a esta “benesse”, que continua com uma fórmula de cálculo que data de 1985. Note-se que a pensão vitalícia é cumulável com a reforma por aposentação e ainda com um salário no sector privado.

A crise quando ataca escolhe sempre os mesmos. Chamem-me o que quiserem mas eu tenho o direito de me indignar com esta situação.

Mais AQUI



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Viksy

TiNk@


CARICATURA
Farrell

Diogo Salles

sábado, fevereiro 27, 2010

A CENTRAL DAS FRASES

Alexandre O'Neill

…já te disse que são os do primeiro…
…e afinal não pudemos telefonar…
…ai nem queiras saber o engenheiro…
…se me dão licença eu vou contar…

…penses nisso era só o que faltava…
…não as outras duas é que são as tais…
…mas o senhor presidente autorizava…

…na avenida centenas de pardais…

…de facto muito inteligente…
…ó filha por aqui fazes favor…
…que veio ontem p'ra falar co'a gente…
…é mesmo lá ao fim do corredor…



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Conflagration Dahlia by andras120

Pink Zinnea by sevymama


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Mahmoud Nazari

Mauro Miranda

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

SOMOS RICOS?

Um país com baixos salários, com uma economia à beira do descalabro, com impostos sobre os automóveis dos mais altos, só faltava mesmo ter-mos também uma das gasolinas mais caras dos 27.

Já foi divulgado que a gasolina à saída da refinaria da Galp já sai cara, mas ainda temos que adicionar a isso os impostos que são enormes, para se considerar que andar de carro é um luxo. É preciso conhecer Portugal para ter uma ideia sobre a má qualidade dos transportes públicos e as suas deficiências para não se falar no luxo de ter um automóvel.

Podemos estar ainda atrás da Dinamarca, da Holanda e da Finlândia no que toca à carestia da gasolina, mas estamos muito mais para trás no que respeita a nível de vida, salários e outros aspectos como a segurança social.

É inevitável dizer-se que só estamos no pelotão da frente das coisas más, no que interessa estamos sempre na cauda do pelotão.



PINTURA
"Lonely Bicycle" Oil by Leonidafremov

SOURCE by Leonidafremov


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terça-feira, fevereiro 23, 2010

MEMÓRIA

Faz hoje 75 anos que nasceu um personagem da banda desenhada que faz parte da minha infância, a Luluzinha. Originalmente com o nome de Little Lulu é uma criação de Marjorie Henderson Buell.

Um vestido vermelho e cachinhos no cabelo constituíam a imagem de marca da Luluzinha, que ganhou como parceiros o Bolinha, o Carequinha e a Aninhas, entre outros, que todos juntos deram muitas horas de prazer a muita gente da minha geração.




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Pose by kudashkin

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sábado, fevereiro 20, 2010

TRAGÉDIA NA MADEIRA


Com as notícias trágicas da Madeira, onde a situação é ainda bastante má e onde tenho alguns amigos (felizmente bem), a vontade para escrever é pouca e a música é talvez mais apropriada.

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CONSCIENCE by Khs

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

FALTA DE CULTURA

Veio a público a notícia de que muito dos candidatos à carreira diplomática deram erros crassos em testes e entrevistas de selecção. Sabe-se que há bastante exigência na selecção de candidatos, mas isso não explica tudo.

Penso que não saber indicar três escritores de língua portuguesa do século XX, ou três pintores é simplesmente inacreditável. Situar o rei D. João V há época dos Descobrimentos e afirmar que Marcelo Caetano foi primeiro-ministro depois do 25 de Abril, é uma demonstração de falta de conhecimentos sobre a História de Portugal.

Para mim situações deste tipo não me causam grande admiração, devido ao contacto frequente com grupos de estudantes no âmbito da minha actividade, onde constato uma grande falta de cultura geral em boa parte dos jovens.



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A Perfect Composition by Sophie-Sara


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Joe Heller

Sergei Tunin

Christo Komarnitski

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

RAPIDINHAS


Justiça – Enquanto assistimos às demoras dos processos e à impunidade que reina sempre que estão envolvidas figuras públicas. Há problemas na Justiça, talvez nas leis, na falta de pessoal, e até de condições físicas. Há surpresas no meio disto tudo, como seja o caso de Matosinhos em que há arguidos acusados de um roubo no valor de 10 euros num supermercado Minipreço, que estão a ser julgados por três juízes. Alguém percebe?

Constâncio – Os portugueses receberam com verdadeiro júbilo a escolha de Victor Constâncio para o lugar de vice-presidente do Banco Central Europeu, não por algum tipo de nacionalismo, antes por satisfação de nos vermos livres dele. Na nossa memória ficam os casos do BCP, do BPN e do BPP onde a sua supervisão mostrou ser um falhanço. As suas declarações recentes são lamentáveis, mas ainda nos lembramos do que disse no passado sobre a escolha da pessoa para este cargo: “escolhida não pelo mérito mas sim pela negociação…”



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Yuriy Kosobukin


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Tarantino by Turcios

domingo, fevereiro 14, 2010

RAPIDINHAS

Gestão na Cultura – Com o anúncio da abertura próxima do Museu do Tua voltou à ribalta o modelo de gestão dos museus e do Património em geral. O Ministério da Cultura parece desejar ser apenas um distribuidor de dinheiros públicos entregando do Património nacional a gestão a outras entidades. Talvez seja de salientar que as 11 fundações recebem quase 13% das verbas do ministério e que todo o restante Património, museus, palácios e monumentos ficam apenas com 35% do orçamento. Assim é fácil manter o Museu Berardo com entradas gratuitas enquanto que os monumentos, palácios e museus são pagos, contribuindo com essas receitas para o orçamento de funcionamento deste ministério.

Fundações e similares – Fundações e sociedades anónimas são algumas das soluções que o Ministério da Cultura encontrou para gerir o Património. As fundações são o sorvedouro que se conhece, sem qualquer retorno para os cofres do Estado e a sociedade anónima, por enquanto apenas uma (Montes da Lua), continua a ser uma incógnita porque as suas contas são uma confusão que é difícil, ou mesmo impossível, de decifrar. O que começa a saber-se é que há dinheiro para pagar a António Vitorino e, ao que se diz, ao marido da eurodeputada Elisa Ferreira, como administradores da Fundação Berardo. Edificante!

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By One Man


CARICATURAS

By Carlinhos Müler
By Carlinhos Müler

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

OS CASTIGADOS DO COSTUME

O dia de ontem foi marcado por diversos reveses para o governo, mas ouve um acontecimento que passou um pouco despercebido na opinião pública, que foi a reacção dos membros do governo à notícia da intenção de congelamento dos salários reais da função pública até 2013.

No Parlamento foram diversas as perguntas colocadas aos ministros sobre o dito congelamento, mas nenhum confirmou ou desmentiu categoricamente essa intenção. Ouvimos dizer que a notícia era especulativa, outros não tinham nada para dizer, e outros ainda que as medidas económicas seriam conhecidas quando da divulgação do PEC.

A má situação económica e financeira do país serviu de justificação para o congelamento total imposto para 2010, pelo que esta notícia não nos parece meramente especulativa ou delirante, mas sim concordante com os factos perante os quais o governo nos confronta.

A verificar-se o tal congelamento dos salários reais até 2013, ficamos com o facto de em 14 anos consecutivos, ter existido apenas 1 ano (2009) em que os aumentos foram reais e 13 em que os aumentos não cobrem a inflação. Atendendo a que nos últimos 10 anos os funcionários públicos já perderam 6% de poder de compra, até 2013 isso ainda se deve agravar.

É sintomático que apesar da contracção dos salários nos últimos anos, a despesa pública tenha aumentado em percentagem do PIB, o que demonstra que esta não é a solução para o despesismo do Estado. Para falar verdade o governo devia poupar onde tem aumentado os gastos, e há muito por onde escolher, sem deixar de dotar o sector social do dinheiro necessário.

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Apple with love by VampireWv


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Ken Catalino

Randy Bish

Nate Beeler

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

VITORINO NA FUNDAÇÃO BERARDO

Chegou-nos a notícia da nomeação de António Vitorino como membro do conselho de administração da Fundação de Arte Moderna e Contemporânea – Colecção Berardo, ocupando a vaga deixada por José António P. Ribeiro, o anterior ministro da Cultura.

Não discuto os critérios que presidiram a esta nomeação, até porque não foram divulgados, mas a aposta numa pessoa com este peso político faz pensar.

Não é segredo para ninguém que a Cultura enfrenta mais um ano com um orçamento diminuto, que já começa a condicionar algumas estruturas dependentes. Atendendo a que no âmbito do Património quase todos os esforços se concentram na zona de Belém, todos nos perguntamos sobre qual será o plano do governo.

Para que conste, e desde a passagem de José Miguel Júdice pelos destinos da zona ribeirinha de Lisboa, que se começa a adivinhar um plano que envolverá os equipamentos culturais desta zona, mas que o governo não parece disposto a revelar publicamente.

António Vitorino na Fundação Berardo é uma escolha estranha e leva-nos a manter uma reserva que só será dissipada quando tudo for clarificado pelo poder político. Aguardemos.



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Nicotiana by BeachGirlNikita

Angel by allmixedupp


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Steve Sack
900

terça-feira, fevereiro 09, 2010

RECOMENDAÇÕES SÓ PARA OS OUTROS

Portugal tem muitos entendidos em finanças e economia, basta constatar o número de comentadores e especialistas que dão palpites em toda a comunicação social, e o número exagerado de técnicos destas áreas em quase todos os organismos e empresas públicas. Há quem se questione como é que estamos tão mal tendo tantos génios.

Eu acho que encontrei a resposta ao ouvir um responsável da Associação Portuguesa de Bancos que defende o aumento generalizado dos impostos, para enfrentar os problemas económicos, mas que critica o aumento de tributação do sector bancário, e anuncia o aumento dos spreads para os bancos não perderem a sua margem de lucros.

António de Sousa não está só na peregrina ideia de aumentar os impostos, também Marcelo Rebelo de Sousa diz o mesmo, mas duvido que qualquer dos dois dissesse tamanha enormidade com salários de 500 ou mesmo 750 euros mensais.



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Frederick Deligne

Monte Wolverton


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domingo, fevereiro 07, 2010

CANDIDATO




Portugal atravessa um período político e social pior do que aquele a que alguém chamou de “pantanal” em tempos ainda recentes. As soluções que se apresentam são protagonizadas sempre pelos mesmos que nos conduziram a este ponto.

O próximo acto eleitoral será para escolher o novo inquilino de Belém e é com agrado que se regista uma candidatura descomprometida e convincente. Um candidato que não promete agradar a todos. e que apesar da sua costela monárquica aceita sacrificar-se tentando passar uma barrela na política portuguesa, a partir de Belém, merece o apoio deste humilde Zé Povinho.

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

EXPOSIÇÃO

A Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, já nos habituou a boas exposições de arte e agora anuncia mais uma a partir de dia 12 de Fevereiro.

Com o título de “A perspectiva das Coisas. A Natureza-morta na Europa”, esta mostra de correrá em duas partes, sendo que a 1ª, começa ainda este mês e reúne 71 pinturas de mestres europeus dos séculos XVII e XVIII.

Saiba mais AQUI




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loticsir

loticsir


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