sábado, novembro 28, 2009

ESTIMATIVAS E PALPITES

Com o advento da “crise financeira” que assolou os mercados, houve quem viesse a falar grosso dizendo que a nossa banca era segura, que a crise não tinha grande dimensão no nosso país, e que os produtos (financeiros) tóxicos, de alto risco na terminologia bancária não eram negócio típico da nossa banca.

Afinal tivemos os casos BPN e BPP, com a nacionalização do primeiro e o aval dado ao segundo, tudo a bem da economia nacional devido ao tal risco sistémico, que nunca explicaram devidamente.

Não sei se estamos a falar de casos de burla, ou pelo menos má gestão destas instituições bancárias, porque a nossa Justiça tem critérios que por vezes eu não quero sequer entender, mas o que é certo é que alguém vai ter que pagar o pato, que é como quem diz, arcar com os prejuízos.

A minha preocupação vai para o facto de ouvir Teixeira dos Santos assumir que desconhece o custo da nacionalização do BPN. Venha alguém que me explique como é que um ministro das Finanças decide nacionalizar um banco, sem primeiro se inteirar da sua situação financeira, e como é que um ano depois decide alienar o mesmo banco sem ter uma ideia concreta sobre o seu valor efectivo.

Senhor ministro das Finanças, eu não quero saber de palpites nem adivinhações, mas creio que é possível fazer-se um balanço de activos e passivos e calcular com uma margem de erro razoável o valor real aceitável para uma licitação justa. Vamos ver se afinal é verdade o que dizem sobre o senhor, ou não, que será um dos piores ministros das finanças da União Europeia.



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FOTOGRAFIA


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Obama by Mohammadreza Akbari

Putin by Salam Mohammadi

quinta-feira, novembro 26, 2009

CURIOSIDADES TEUTÓNICAS

Segundo li nas notícias, uma funcionária bancária alemã, fez o papel de Robin dos Bosques e compôs as contas de vários pobres com dinheiro resultante dos lucros de clientes muito ricos. Saliente-se que não se apoderou de um cêntimo de quem quer que fosse, limitando-se a fazer uma redistribuição que considerava mais justa.

O procedimento foi condenado, com uma pena suspensa e com a obrigação da restituição das verbas desviadas, estando agora a funcionária reformada, auferindo a reforma mínima, revertendo o restante para o tribunal para pagamento do dinheiro desviado.

Ainda na Alemanha foi constatado que a destruição pelo fogo de viaturas topo de gama, que têm sido atribuídas a extremistas de esquerda, tem aumentado e revelam um aumento do descontentamento com a situação económica e a má distribuição da riqueza, não se lhe podendo atribuir quaisquer motivações políticas.

As desigualdades podem vir a resultar em convulsões sociais e não creio que o espectáculo seja bonito de se ver.



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FOTOGRAFIA
Fall Rain by SoManyVoices

Late Fall 4B by Tjpower11

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CARTOON
Estética para mentirosos
870

terça-feira, novembro 24, 2009

DIA NACIONAL DA CULTURA CIENTÍFICA

Eis-me de regresso, recordando um velho mestre e um espírito culto e livre que me inspirou a mim e a muitos outros que tiveram a oportunidade de o conhecer.

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POEMA PARA GALILEU

Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,
aquele teu retrato que toda a gente conhece,
em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce
sobre um modesto cabeção de pano.
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.
(Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício.
Disse Galeria dos Ofícios.)
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.

Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria…
Eu sei… eu sei…
As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.
Ai que saudade, Galileo Galilei!"

António Gedeão, in Linhas de Força






sexta-feira, novembro 20, 2009

MAIS UM APONTAMENTO

Por enquanto só música e imagens, mas muito bem disposto e com vontade de voltar à actividade, logo que me deixem.



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IMAGENS MANIPULADAS

terça-feira, novembro 17, 2009

sábado, novembro 14, 2009

MÚSICA ADEQUADA AO MOMENTO

Tenho acompanhado as notícias, mas como elas não são recomendáveis tenho-me entretido a ouvir música e encontrei duas que me pareceram adequadas ao momento.
Abraço do Zé para todos os que aqui passam






quinta-feira, novembro 12, 2009

DEVAGAR, DEVAGARINHO...

Amigos

O Zé cá vai andando, com a cabeça entre as orelhas e em franca recuperação, pelo que dizem os especialistas. Agradeço o apoio que têm demonstrado, e espero que apesar de demorada a volta ao trabalho, eu possa dar umas voltinhas aqui por este espaço sem comprometer o que quer que seja. Por enquanto só me deixam dedicar 10 minutos por dia ao computador o que ainda é muito limitativo.

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Problemas da investigação lusa

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Eu também tenho dúvidas sobre a possibilidade de ser Arthur Rubinstein o interprete desta versão da Campanella, mas gostei e deixei aqui para quem por aqui passar se poder deliciar.


segunda-feira, novembro 09, 2009

REPOUSO

O tempo convida a ficar em casa e a música é uma boa companhia, especialmente aquela de que gostamos.



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FOTOGRAFIA
By Palaciano

By Palaciano

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CARTOON
Oleg Goutsol

Mihai Ignat

sábado, novembro 07, 2009

O ESTICAR DA CORDA

Nos últimos anos começou a tornar-se evidente que todos os estratagemas para cortar nos custos com o pessoal iriam ser tentados por alguns gestores e patrões, muitas vezes sem qualquer lógica ou estratégia que pudessem redundar em mais produtividade, ou uma baixa de custos sem perda da qualidade.

Todos os que estamos ainda no mundo laboral conhecemos casos desta tendência cujos resultados têm sido negativos mas que satisfazem a vaidade e a bolsa de alguns indivíduos cujo futuro se limita a muito curto prazo e para quem as pessoas não passam de artigos descartáveis.

Por cá tivemos um hino de funcionários de uma autarquia (Portimão), lá fora as notícias de suicídios em empresas onde a gestão de pessoal é apenas um exercício de prepotência, ou os casos em que algumas vítimas de despedimentos acabam por cometer crimes e assassinatos claramente ocasionados pelos sentimentos de revolta, não podem ser simplesmente ignoradas como se não tivessem sido originadas por descontentamentos que se revelam de formas mais ou menos graves, mas que se revelam de alguma forma.

O lucro, a crise, a economia, não podem ser desculpas para se ignorar os impactos negativos que as sociedades podem causar nos seus cidadãos e para os quais devem estar devidamente preparadas e com planos de ajuda aos que por contingências da vida são menos afortunados.



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FOTOGRAFIA
zharikson

оАзис

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CARICATURA
Bowie por Filipe

Maradona por Filipe

Faria de Oliveira por Óscar

quinta-feira, novembro 05, 2009

quarta-feira, novembro 04, 2009

CONFUNDIR PÚBLICO & PRIVADO

Dois escândalos de grande dimensão fizeram com que muito “boa gente” ligada aos dois partidos que têm alternado no governo ficasse com as barbas de molho e um bocadinho incomodados.

Os Partidos de Suspeitos, com ou sem “D”, tiveram cada um o seu “escândalo gate”com figuras graúdas possivelmente envolvidas.

Os políticos em funções bem como os retirados com lugares no sector privado que tutelaram, assobiando para o ar continuam a dizer que o problema é da dimensão do Estado. A política da avestruz, de esconder a cabeça na areia continua a ser a norma.

O caso BPN foi afinal inteiramente da esfera privada, o que é incómodo, e agora o sucatagate tem origem no sector privado, os corrompidos são na sua maioria nomeados por confiança política, e as empresas supostamente envolvidas têm gestão privada.

Talvez seja altura de se começar a meditar se não haverá por aí muita sanguessuga privada a viver à custa do Estado e se não haverá também alguns que usando os contactos e influências que tiveram enquanto ocuparam cargos políticos, agora os estão a rentabilizar de forma muito pouco ética.



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FOTOGRAFIA
Two II by Handie

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Benjasit Tumying

sábado, outubro 31, 2009

OS INOCENTES

Há coisas que se repetem com frequência, e os protestos de inocência por parte dos indiciados é um clássico.

Em Portugal começa a tornar-se repetitivo o facto de haver bastantes suspeitos de crime, especialmente económico, com prejuízos comprovados, mas as condenações são escassas e nunca efectivas.

Não sei se é Justiça que tem culpa desta situação, se o poder legislativo que “armadilha” as leis de modo a haver sempre escapatórias. Claro que o indivíduo que rouba produtos no supermercado é acusado e julgado com todo o rigor legal, mas quanto maior é crime económico e maior o prejuízo do acto, também é menor a probabilidade de haver condenação.

O povo costuma dizer que roubar está para o tostão como a irregularidade formal está para o milhão.

Sucedem-se os casos como o do Freeport, dos submarinos, dos sobreiros, dos contentores, do BPN, do BPP e dos abuso de poder com políticos como suspeitos, mas tudo continua como dantes, calmo e sem que o Zé saiba quem roubou, quem corrompeu, quem foi corrompido e muito menos quem foi responsável.

O povo apesar de inocente nisto tudo acaba por pagar tudo o que é roubado enquanto outros, os culpados, enchem os bolsos à custa da nossa ingenuidade.



(As)Salto à Vara por Fero

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Jeff Parker

quarta-feira, outubro 28, 2009

AS NOMEAÇÕES POLÍTICAS

Existe uma quase unanimidade na exigência de concursos para os quadros dirigentes do Estado, ao contrário do que acontece com demasiada regularidade.

Os regimes de substituição, que acabam por dar preferência a muitos nomeados logo que se abre o respectivo concurso, e os ainda muitos cargos que não estão sujeitos a concurso mas sim à confiança política, causam prejuízos ao Estado e a sua partidarização que não é nada saudável.

Infelizmente também há concursos à medida, e só se poderá afirmar que a politização dos cargos é “residual” com os olhos completamente tapados e com algodão nos ouvidos.



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unforgotten by Proseuche

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AMADORA BD - 20 ANOS
Mauricio por Baptistão



domingo, outubro 25, 2009

LUCIDEZ OU COERÊNCIA?

É irritante e incompreensível ouvir o senhor governador do Banco de Portugal, sempre que vem falar de cenários económicos para os tempos mais próximos, abordar o tema da contenção salarial.

Os senhores economistas devem ter alguma fixação doentia relativamente aos salários, como se os outros factores de produção, como a energia, o custo dos transportes, a burocracia, os impostos e mesmo a situação geográfica ou o baixo poder de compra não tivessem também a sua importância na equação produtividade e competitividade.

Ao governador do BdP compete regular a economia do país na sua vertente macroeconómica, com preocupações e responsabilidades quanto às finanças públicas e ao endividamento público e privado relativamente ao fluxo de importações e exportações necessárias ao desenvolvimento e saúde económica.

Sempre ouvi o governador dizer que os preços não são da sua responsabilidade mas sim resultado do bom funcionamento dos mercados, o que não é da sua competência em absoluto. Gostava que o senhor Constâncio fosse coerente também no que respeita às políticas salariais, mostrando assim lucidez e coerência, factores que não demonstra em absoluto.



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chriskaula

guzin-guzin

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Henrique Monteiro

terça-feira, outubro 20, 2009

SINAIS PREOCUPANTES

É sintomático que um dos chefes patronais venha dizer que os ordenados mínimos em Portugal deviam ficar congelados em 2010, porque ele é sem dúvida o modelo dos seus apoiantes. Corte-se nos ordenados mais baixos (os mínimos) porque esse é o único factor de produção que faz com que os preços das nossas mercadorias não sejam competitivos.

Quando na semana passada se anunciou o aumento dos combustíveis e da energia eléctrica, é bem indicadora da capacidade do nosso patronato esta preocupação, como se os salários em Portugal fossem superiores aos da UE e os combustíveis e a energia eléctrica fosse mais cara nos nossos parceiros europeus.

Eu, ao contrário do retrógrado senhor Miguel Sousa Tavares, não me sinto saloio nem provinciano, nem faço parte do terroristas de que a Internet é depositária, mas resolvi juntar o nome do personagem a este comentário.

Talvez pareça estranho a muitos, mas ele é que é um ferrenho caçador, daqueles que por acidente já causaram 5 mortes desde o início da época, por isso devolvo o termo de terrorista, o de saloio e provinciano também é devolvido pela defesa da Maitê e ainda por ter escrito sem a devida crítica, que existem trabalhadores “importados” no Alentejo que trabalham do amanhecer ao anoitecer, mas que mais não são do que mão-de-obra barata, sem direitos e sem liberdade, como poderá comprovar perguntando isso mesmo aos poucos que dizem uma palavra em português.

Com tantos elogios à exploração de seres humanos, que noutras épocas significava pura escravatura, começo a pensar que há muita gente que prefere ignorar que o seu bem estar deriva de factores que têm vergonha de denunciar e pronunciar.



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ValeKo

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Alesandro Gatto

Valerio Kurtu

quinta-feira, outubro 15, 2009

ESTÁ TUDO LOUCO

Conhecidos os resultados das eleições, temos que José Sócrates vem a público pronunciar repetidamente a palavra “diálogo”, que tanto quanto se sabe não fazia parte do léxico do 1º ministro cessante.

É notável que um político que se classificou a ele próprio como animal feroz, venha agora falar de mansinho em diálogo com as oposições. Talvez tenha passado despercebido que José Sócrates está disposto ao diálogo com as oposições mas cumprindo sempre o programa do PS, que é como quem diz a vontade dele.

Mas também temos a Maitê Proença a ridicularizar os portugueses, todos, menos o Miguel Sousa Tavares que não se sentiu nada incomodado com o vídeo abjecto com que fomos brindados. Apesar da defesa ensaiada pelo MST a Maitê veio pedir desculpas, dizendo que era uma brincadeirinha em que os brasileiros são exímios (?).

Deve ser da camada do ozono, ou da falta dela, mas há coisas aqui que não batem certo…



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Raphaello

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Mike Keefe

Cameron (Cam) Cardow

Frederick Deligne

terça-feira, outubro 13, 2009

MÚSICA

Com pouca vontade de escrever, fica uma música que ouvi no passado domingo enquanto tentava escapar às notícias sobre as eleições.
Este é o tipo de música que me agrada e que preenche os meus momentos de neura.

sábado, outubro 10, 2009

SEM COMENTÁRIOS

Meu caro Teófilo Braga


O carácter inalteràvelmente afectuoso das nossas relações, através de uma íntima convivência de mais de quarenta anos, me anima a dirigir esta carta ao chefe do actual governo da Nação. Sabe muito bem V., conhecendo a minha orientação mental, que, indiferente às formas de governo, nada em política me é mais profundamente antipático do que o votismo e o parlamentarismo, que eu considero os mais destrutivos agentes da capacidade administrativa em democracias insuficientemente educadas para a liberdade. O governo a que V. preside provém da intervenção fortuita de uma élite que distribuiu o exercício das funções pela especialização das capacidades. Esta génese torna para mim particularmente interessante e atraente o seu governo. Não vá porém julgar, meu caro Teófilo, que por meio desta sincera confissão eu venho formular a minha adesão à República, engrossando assim o abjecto número de percevejos que de um buraco estou vendo nojosamente cobrir o leito da governação. Não; pela minha parte eu não presto esse tributo à República. Nunca também o prestei aos políticos monárquicos, de cujos partidos nunca fiz parte, a cujo funcionalismo nunca pertenci, aos quais nunca absolutamente pedinchei o que quer que fosse…

Carta de Ramalho Ortigão a Teófilo Braga, de 16 de Outubro de 1910.

Leia o texto integral AQUI



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CARICATURA - NOBEL
Autor Desconhecido

CRISTIAN TOPAN