
TIMOR, 30 DE AGOSTO DE 1999
O REFERENDO em Timor Lorosae que viria a dar origem à independência de mais um país de língua oficial portuguesa, foi desejado e celebrado pela grande maioria do povo português, o que acho deve ser registado.

TIMOR, 30 DE AGOSTO DE 1999
O REFERENDO em Timor Lorosae que viria a dar origem à independência de mais um país de língua oficial portuguesa, foi desejado e celebrado pela grande maioria do povo português, o que acho deve ser registado.
Cantar Brejeiro
Passei de largo para ver se não te via
se me esquecia do teu doce bamboleio
mas por má sorte caminhaste para mim
olhos gulosos e assim
c'o vento a colar teu seio
olha a perninha, a perninha da menina
olha a perninha, a perninha a dar a dar
cabeça não tem juízo
e a perna é que vai pagar
amor de verão que foi no tempo das colheitas
e o teu perfume tinha a naturalidade
de quem descansa dos trabalhos e maleitas
nos derriços mais gostosos
de uma breve mocidade
olha a perninha, a perninha da menina
olha a perninha, a perninha a dar a dar
cabeça não tem juízo
e a perna é que vai pagar
mas da seara cortada fez-se farinha
dessa farinha com fermento fiz o pão
ficou-me ao peito essa trigueira rainha
que me roubou a alegria
ao meu canto e coração
Ao ouvir os anúncios na comunicação social, da reunião (penso que segunda-feira) do Presidente da Liga de Clubes de Futebol Profissional com a equipa de coordenação da Gripe A no Ministério da Saúde, estive à beira de um ataque de riso, porque finalmente deixei mesmo de perceber o que são grupos de risco.
Já ouvimos dizer que os bombeiros não fazem parte dos grupos de risco anunciados, mas em contrapartida os políticos arranjaram lá uma vaga, bem como as forças da ordem, não vá haver quem resolva contestar os critérios anunciados.
Comecei pelo futebol, mais concretamente pelos jogadores, porque me pareceu que são tudo menos um grupo de risco, pelo menos os representados pelo senhor Hermínio Loureiro, e podia dar uma achega e citar os profissionais de turismo, tanto os da indústria hoteleira como da restauração ou os próprios guias turísticos, ou então o pessoal de bordo da nossa companhia aérea, os que estão aos balcões de atendimento em terra, o pessoal dos monumentos e museus mais visitados, para nomear apenas alguns com mais probabilidades matemáticas e reais de contraírem a Gripe A por contágio por pessoas chegadas do estrangeiro.
Por acaso quem faz viagens a estrangeiro também faz parte dos grupos de risco? Serão atendidos antes dos que não saíram do país?
Senhora ministra, elucide os autóctones sobre os tais grupos de risco, ou então proíba que se fale neles, porque quando as coisas aquecerem, vai ser uma confusão medonha, e o que é preciso é ter resposta pronta para atender quem estiver doente e quem corra o risco de ficar doente, que serão todos (excepto os que já foram infectados com esta estirpe).
Adenda – Há uma pergunta que tem surgido em conversas de café e que não teve resposta ainda que se prende com o facto de se ter esgotado o Tamiflu nas farmácias. Estes antiviral só devia poder ser adquirido mediante receita médica e só é aconselhado a quem possa ter corrido o risco de entrar em contacto com algum sujeito comprovadamente infectado, o que deixa em aberto a pergunta pertinente de saber se o stock existente era manifestamente pequeno, ou se o medicamento está a ser receitado sem controlo, correndo-se então outros riscos que se prendem com a resistência do vírus ao medicamento. Não foi possível obter respostas concretas apesar de alguns esforços junto de autoridades na matéria.

Quando toda a blogosfera e outras redes sociais esperavam ver em directo um encontro entre bloggers e José Sócrates, anunciado com alguma pompa, eis que uma “falha técnica” impede a visualização em directo do encontro.
Aqui o Zé “gramou” uns quantos vídeos disponíveis no sítio do PS para ver em diferido o que se tinha passado no Lx Factory à porta fechada, e para dizer a verdade nem me apetece comentar o que ouvi, até porque pelos bloggers escolhidos eu esperava algo no género do que se passou.
O que me faz vir a este assunto, que para a má-língua não passou de uma (pouco) subtil manobra de propaganda do governo, foi o facto de “o directo” ter falhado e ainda ter que ouvir da boca de Carlos Zorrinho que resolveu atirar uma pérola acusando os que se queixaram do falhanço de “deslumbramento tecnológico”.
Ao coordenador do Plano Tecnológico, que até nem tem sido alvo de reparos neste espaço, fica um reparo: há muito boa gente capaz de fazer melhor em situações destas, já para não falar nas empresas fornecedoras de serviços de Internet, que certamente também não deixariam os seus créditos por mãos alheias. Por pudor não menciono ninguém em particular, mas creia-me senhor coordenador, sei do que falo e conheço bem o meio.
Depois de “confessar” ter errado na Cultura, José Sócrates que obviamente estava apenas a tentar desviar as atenções de outros erros mais clamorosos acaba por mostrar com toda a clareza que a sua afirmação era apenas uma manobra de diversão, porque passados diversos dias sobre a “revelação”, ainda não foi capaz de dizer uma única frase sobre a Cultura.
Não creio que alguém tenha ficado espantado e muito menos chocado com a frase anterior, mas eu devo dizer que um outro político conseguiu causar-me alguma surpresa, refiro-me a Cavaco Silva, por ter mostrado algum interesse em assuntos culturais.
Os meus amigos de café dizem-me que há diferenças abissais entre Lisboa e Salzburgo, e eu sei que elas existem de facto, mas estes dois senhores bem podiam ter feito qualquer coisinha para elevar o nível de oferta cultural das nossas cidades, bastava para tal que a sua Cultura a isso os forçasse genuinamente, e das suas bocas não saíssem apenas palavras de ocasião, ainda que politicamente correctas.

O Governo de José Sócrates gaba-se da introdução do sistema de avaliação do desempenho da Função Pública, que conhecemos com a designação de SIADAP. Siglas e anúncios pretensamente reformistas são uma das características do executivo que estabeleceu a propaganda como arma de afirmação junto da opinião pública.
Quando se ouve um secretário de estado da Administração Pública afirmar que mais de 90% dos funcionários foram avaliados, ficando de fora apenas os professores, e ao mesmo tempo aponta o número de “perto de 300 mil funcionários avaliados em 2008”, estamos perante um erro, ou uma farsa, já que o número global de 750 mil funcionários é da própria Administração Pública. A percentagem apurada peca por evidente defeito, ainda que seja apenas um pormenor de pouca importância nesta matéria.
A avaliação do desempenho, segundo as normas do SIADAP, veio apenas colocar as classificações noutros patamares, e teve o cuidado de beneficiar convenientemente os próprios avaliadores, ainda que afirmando-se a pés juntos que é uma medida justa que pretende premiar o mérito dos que verdadeiramente se esforçam e se empenham.
Os Muito Bons e Relevantes, deixaram de estar ao alcance de quem não está encostado às chefias, onde passou a prevalecer o Bom, já que há que satisfazer a clientela considerada fiel, que além de subir vertiginosamente na carreira ainda pode abichar uns prémios de desempenho que ajudam muito à fidelidade às chefias.
O funcionário comum, que se dispensa de tecer elogios imerecidos às chefias e que coloca os interesses do serviço e dos utentes à frente das vaidades e teimosias das chefias, ou é bafejado pelo acaso, o que é pouco provável, ou então tem que contentar-se com subidas de 10 em 10 anos, se continuarem a ser obrigatórias, o que também não é garantido.
Publiquem-se as classificações dos funcionários de cada serviço, e os prémios de desempenho atribuídos à porta de cada ministério, com a devida menção do organograma do serviço, e ver-se-ia até onde aguentava a credibilidade dos defensores do sistema vigente. Seria edificante, muito edificante, podem crer.


A gripe A continua a ocupar as atenções da comunicação social um pouco por todo o mundo, tendo-se agora a consciência de que a sua progressão está completamente incontrolável e que nos resta esperar que os seus efeitos não sejam piores do que os conhecidos até agora. Traduzindo por miúdos espera-se que o vírus H1N1 não sofra mutações significativas e mais graves.
Outro assunto também na ordem do dia, porque é uma efeméride, são os 40 anos da primeira alunagem, e o que se espera que aconteça nos próximos 20 anos no que respeita às viagens pelo espaço.


Há limites para a ignorância e esses são em regra ditados pela ausência de formação académica, que podem, e friso o podem, justificar atitudes que não são admissíveis a pessoas que tiveram acesso à educação que habilita qualquer pessoa a descodificar a informação de modo a não formular disparates.
Ouvir dizer que o Ministério da Saúde proibiu os homossexuais de doarem sangue, deixou-me a impressão de que a imbecilidade estava à solta nas instituições que deviam cuidar da nossa saúde e não dos costumes e inclinações sexuais de cada um. O nome estava na notícia do CM de 17/07, e era o de Gabriel Olim, director do Instituto Português de Sangue.
Na notícia, entretanto desmentida por uma senhora grega, que suponho ser comissária europeia de assuntos da saúde, pelo menos no que se refere a recomendações daquela instituição comunitária, fala-se em comportamentos de risco para justificar a incompreensível proibição.
Não costumo vestir a pele dos justiceiros de ocasião, mas penso que a única atitude sensata deste senhor director era a de pedir a demissão, porque há atitudes que não se podem ter em certos cargos e conceitos que não podem ser defendidos por quem abraça o serviço público, como seja a discriminação, seja ela de que tipo seja.
Gripe A – Como eu supunha, as vacinas para a gripe suína não vão ser ministradas a todos, como medida de prevenção, mas apenas aos grupos definidos administrativamente pelo Ministério da Saúde. O omnisciente ministério e os seus dirigentes actuam na saúde como os militares numa guerra, considerando que há danos colaterais que têm que ser assumidos como indispensáveis para uma vitória. Uma vacina é por definição um meio preventivo contra uma potencial ameaça e não um remédio que cura uma doença, por isso um critério estabelecido a esta distância (5 meses) é um perfeito disparate mesmo usando apenas critérios lógicos, e sem considerar que ainda iremos atravessar todo o Outono e uma parte do Inverno, o que não é desprezível numa análise com base científica.
Jardim – O senhor Alberto João Jardim já nos habituou às suas tiradas humorísticas, quase todas de mau gosto, diga-se. A última é a intenção manifestada de proibir o comunismo na nossa lei fundamental, usando como analogia a proibição de ideologias fascistas. A argumentação é delirante, mas isso é irrelevante, agora a utilização do lema “é proibido proibir”, não fica bem na sua boca, porque nessa altura sabemos de que lado da barricada estava o senhor Alberto João. A memória é uma coisa lixada para os políticos!...
Eu como a maioria dos portugueses fui dos que não engoliu a desculpa de José Sócrates, quando lhe perguntaram o que mudaria no mandato que está a terminar, reconhecendo um erro na sua actuação.
Em geral, quando não se querem reconhecer erros escolhe-se algo que na altura não seja encarado como indispensável, tais as carências sentidas ao nível económico e social. Sócrates é exímio nestas manobras, e vai de dizer que devia ter investido mal na Cultura, que o dinheiro é sempre um excelente isco.
José Sócrates não é um homem de Cultura, e neste momento está mais preocupado com os resultados eleitorais nos escrutínios que aí vêm, do que com os míseros 0,4% que consignou para a Cultura. Uma Capital Europeia da Cultura vem a calhar, depois das suas recentes declarações, e o envolvimento de Jorge Sampaio é para capitalizar, pensa o 1º ministro.
Senhor engenheiro, se é que este tratamento não é ofensivo, isso é apenas foguetório para alguns ingénuos e muito distraídos, o que os eleitores querem saber é qual a dotação orçamental que pretende consignar à Cultura (não vale mentir como nas eleições passadas), e como vai ser utilizado esse dinheiro e quais as políticas para o Património, que o senhor se tem esquecido de enumerar.

De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.
E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.
Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.
Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.
Natália Correia