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terça-feira, fevereiro 02, 2016

O DESCRÉDITO DA POLÍTICA



Após cada acto eleitoral ouvimos falar da abstenção, atribuem-se responsabilidades ao tempo, ao cansaço e sei lá mais ao quê, mas sabemos todos que o alheamento dos eleitores tem mais que ver com a qualidade dos políticos e das políticas que implementam do que tudo o resto.

Os exemplos do que corre mal por causa das más decisões políticas são mais do que muitos e não é difícil encontrar alguns a cada dia na nossa imprensa.

Hoje fala-se nos aumentos brutais nos salários de gestores da coisa pública, e logo aparece quem se desculpe com a imposição da troika, outros manifestam desconhecimento, e parece que tudo vai ficar assim mesmo.

Outra notícia diz que um milhão de portugueses trabalham mais de 40 horas semanais, e que a OIT afirma que, Portugal aparece no grupo de países europeus em que as mudanças nos acordos coletivos nas últimas décadas provocaram não apenas o prolongamento dos turnos, do trabalho à noite e do trabalho temporário, mas também o fenómeno das horas de trabalho “irregulares”, mas PSD, CDS e PS lavam as mãos de tudo isto, parecendo que as culpas são dos marcianos.

A Europa todo-poderosa permitiu que Passos Coelho aumentasse o défice público, desde que os cidadãos em geral vissem os rendimentos do trabalho muito diminuídos, e agora não permite o alívio da austeridade, alegando que isso será inviável devido aos compromissos europeus. Os compromissos europeus são encarados diferentemente quando se trate de Portugal ou da França e da Dinamarca, ou quando existem governos com o apoio da esquerda ou claramente de direita.

Portugal está refém de maus políticos, de partidos que partilham o poder e abafam qualquer intervenção política não enquadrada pelos partidos já existentes. Estamos também reféns do poder de Bruxelas, para quem os cidadãos nacionais e a sua vontade pouco contam. Somos também reféns do poder económico, a que tudo se subordina, ainda que sempre escudados na pessoa dos políticos que colocam interesses pessoais acima dos interesses dos cidadãos e do próprio país.


Sol by Palaciano

sexta-feira, novembro 15, 2013

A FALTA DE LÓGICA NOS CORTES



Analisando as medidas constantes da proposta de Orçamento do Estado para 2014 percebe-se claramente a desproporção dos sacrifícios exigidos aos trabalhadores e aos grandes grupos económicos.

Indo mais fundo na análise dos cortes temos que, apesar de toda a retórica, os funcionários do Estado, empresas públicas e pensionistas contribuem muito mais para a descida das despesas públicas do que outros que “comem à mesa do OE”, como sejam as PPP e outras empresas privadas que recebem rendas pelo fornecimento de serviços públicos.

Os constrangimentos jurídicos que o governo afirma ter em cortar às empresas contrasta com a facilidade com que o mesmo governo corta sucessivamente e sem escrúpulos aos que vivem dos rendimentos do trabalho, estejam estes no activo ou já reformados.

Governantes que enchem a boca com a equidade bem podiam tentar explicar a lógica dos cortes, não sentados em qualquer gabinete mas sim em lugares públicos e sem segurança pessoal, que iam ver a resposta que teriam…