Podia começar por dizer que os pobres estão cada vez mais pobres e que tudo isso acontece com uma corrupção generalizada como pano de fundo. Não, isso já foi dito, bem como a frase “a promiscuidade entre poderosos interesses privados e a gestão da coisa pública atingiu entre nós proporções inimagináveis” rematada com a existência de “um pequeno grupo que enriquece à custa dos bens colectivos”. Não consigo ser original, porque Paulo Morais já o escreveu no JN e Castanheira Barros já o enfatizou.
O financiamento à margem das leis e as multas aplicadas, que ninguém quer comentar, talvez sejam apenas a ponta do icebergue, bem como as sinecuras que estão sempre à espera por quem ocupou cargos de relevância no poder político. Talvez esteja apenas a ser pessimista e não seja bem assim, talvez eles sejam de facto tão competentes que se tornam indispensáveis às grandes empresas públicas e privadas, mas então porque é que os que os sucederam nos cargos nos dizem que eles é que são os culpados do atraso do país?
Começo a ficar confuso. Se eram incompetentes como conseguiram aqueles cargos que hoje ocupam? Se eram competentes, porque é que estamos tão mal?
Tenho para mim que são todos muito iguais na sua mediocridade enquanto servidores da causa pública, e eles encarregam-se de o confirmar, basta ouvi-los quando se confrontam no Parlamento ou quando se pronunciam na comunicação social. Eles dizem cobras e lagartos, uns dos outros. Em quem hei-de eu acreditar? Felizmente para mim, já tomei essa decisão há muito tempo, voto sistematicamente em branco, em coerência com os discursos dos próprios candidatos, e com as minhas convicções.
*** * ***
FOTOGRAFIA PUBLICITÁRIA
photoshutter
bac
*** * ***
CARTOON
by Nikola Ojdanic - Serbia
by Gilmar - Brasil