Durante alguns anos bateu-se
consecutivamente na mesma tecla, a (pseudo) falta de produtividade dos
trabalhadores portugueses, para manter baixos ou até cortar os salários em
Portugal.
Este pretexto, ainda agora usado
pelo merceeiro-mor Belmiro de Azevedo, é uma falácia que os factos demonstram
de um modo indiscutível.
Nos dias que correm todos vemos
empresas alemãs, inglesas, holandesas canadianas, etc., virem a Portugal
contratar profissionais das mais variadas especialidades. Recorrentemente
ouvimos da boca de empresários internacionais elogios ao trabalho dos nossos
emigrantes um pouco por todo o mundo, e não o contrário.
Sabe-se que a produtividade em
Portugal, estatisticamente é mais baixa do que noutros países europeus, e
perguntamo-nos porquê? Contra-argumentando a afirmação de Belmiro de Azevedo
podia começar exactamente pela diferença salarial praticada em Portugal e pela
instabilidade laboral, mas este é apenas um dos aspectos da questão.
Existem mais factores que
explicam a baixa produtividade de algumas das nossas empresas, começando pela
má organização, pelo excesso de chefias, pela desadequação tecnológica, a falta
de capital, a pequena dimensão, a falta de renovação dos produtos e a sua
divulgação, só para descrever os factores mais gritantes e óbvios.
Quanto ao senhor Belmiro ficou
por dizer que tem sido um dos mais beneficiados pelas alterações nas lei
laborais, pelas isenções fiscais derivadas pela contratação de desempregados,
que em conjunto com a proliferação do trabalho temporário tem sido o grande
motor dos lucros do retalho, já para não falar dos baixos salários praticados e
da vantagem de ter uma posição dominante na distribuição que por falta de
regulação adequada permite “esmagar verdadeiramente os produtores”.
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