O sector da saúde em Portugal está a atingir o ponto de ruptura, porque temos políticos e políticas que deixaram de se importar com os cidadãos, para se preocuparem apenas com números e com muito pouca habilidade, diga-se de passagem.
As urgências dos hospitais públicos não têm capacidade para responder às solicitações dos utentes do SNS, e as horas de espera são uma constante. Estou, estamos todos, fartos de ouvir responsáveis pela saúde a dizer que se recorre indevidamente às urgências, mas a verdade é que os centros de saúde também estão a rebentar pelas costuras, sendo que a espera é também de horas, e consultas de especialidade é mentira.
Nesta altura do ano, por causa das férias há sempre uns quantos artigos clamando contra a falta de médicos e contra a morosidade no atendimento, e o Algarve salta para a ribalta por causa dos turistas e da triste imagem que o país dá. Confesso que nunca esperei ouvir da boca de um autarca a frase “como é possível um turista de luxo ficar numa maca num corredor de hospital”, situação que é comum todo o ano nos hospitais centrais.
Grave também é ouvir de um responsável da saúde, “não querem esperar? Há outras alternativas no Serviço Nacional de Saúde – as clínicas, os consultórios…”
Ou estou redondamente enganado, ou então há políticos que não sabem que os portugueses pagam para ter acesso aos serviços de saúde sempre que necessitam, e que as esperas derivam da falta de pessoal nos hospitais e centros de saúde. Quanto ao recurso aos privados, apenas acrescento que não acredito que os cuidados primários de saúde possam ser encarados como um negócio, porque isso tem efeitos negativos no serviço público, e isso está à vista, só não vê quem não quer.
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