Mostrar mensagens com a etiqueta Deslumbrados. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Deslumbrados. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, abril 17, 2018

DESLUMBRAMENTO E GANÂNCIA


Com a verdadeira explosão que se verificou nos números relacionados com o turismo e com o “Portugal está na moda”, logo despontaram por todo o lado os oportunistas e gananciosos, para os quais o limite é a Lua.

A banca abriu os cordões à bolsa, as rendas dispararam, com elas os despejos, e parecia que tudo estava de acordo com a oferta e a procura, as tais regras do mercado, mas parece que se esqueceram dum pormenor, a concorrência.

Só este ano vão abrir uma centena de hotéis em Portugal, o número de apartamentos para aluguer de curta duração duplica todos os anos, os Hostels proliferam por todo o lado, e as casas para venda a estrangeiros são cada vez mais, como se todos tivessem descoberto o filão inesgotável.

Infelizmente, tudo tem limites e o filão está a esgotar-se a passos largos, e como ninguém se atreveu a regular tudo isto, defendendo os autóctones, já começámos a ultrapassar os limites, e os fluxos que pareciam não ter fim, começam a abrandar, senão mesmo a regredir, porque não é o turismo que ultrapassou os limites, mas sim a ganância que está a matar a galinha dos ovos de ouro.


quinta-feira, outubro 06, 2016

A CRÍTICA E OS DESLUMBRADOS

A propósito da inauguração do MAAT, um novo museu que é uma obra vistosa, como já tinha acontecido com o novo Museu dos Coches, outra obra vistosa, o tema de conversa no sector da Cultura, e não só, anda mais em redor da imponência das obras do que das colecções que eventualmente possam vir ser, ou já lá estejam a ser exibidas.

A arquitectura dos edifícios e o seu custo são sempre discutíveis, mas não se julgue que estamos perante um problema de hoje, porque já antes isso acontecia em Portugal.

Recordemos Antero de Quental sobre o Palácio de Mafra: «…lúgubres moles de pedra, que se chama Escorial de Mafra, para vermos que a mesma ausência de sentimento e invenção, que produziu o gosto pesado e insípido do classicismo ergueu também as massas compactas e friamente correctas na sua falta de expressão da arquitectura jesuítica. Que triste contraste entre essas montanhas de mármore, com que se julgou atingir o grande, simplesmente porque se fez o monstruoso, e a construção delicada, aérea, proporcional e, por assim diser, espiritual, dos Jerónimos, da Batalha, da catedral de Burgos.».


Goste-se ou não, e eu sou insuspeito por já ter publicado comentários menos abonatórios sobre o Museu dos Coches, a verdade é que só nos resta exigir que estes edifícios funcionem o melhor possível.


segunda-feira, agosto 16, 2010

O SER, E O PARECER

Circulando sempre por bandas do turismo e da hotelaria, por força da minha actividade principal, tenho para mim que o novo riquismo de alguns portugueses ostentam, principalmente nas férias, não é saudável nem recomendável.

Uma certa classe de deslumbrados que giram em torno da política e da finança, fazem questão de alardear que estão na mó de cima e aparecem em tudo o que é muito badalado e “em grande” para impressionar quem os vê.

É lamentável que num país pobre e com desigualdades que nos deviam envergonhar, haja quem alardeie tanta abastança, na maioria das vezes sem nunca ter provado competência profissional alguma.

Uma volta pela noite de Lisboa e pelo paradeiro dos sem abrigo, talvez pudesse contribuir para abrir os olhos desta cambada de deslumbrados, alguns dos quais bem podiam contribuir com dinheiro e com trabalho comunitário para tornar a vida um pouco menos dura aos que não foram bafejados pela sorte, ou não tiveram amigos influentes nos sítios certos.

Ao invés do brilho das festas, do luxo dos alojamentos de férias, e dos acenos para as máquinas fotográficas, que tal descerem ao mundo real uma vez por outra?



CARTOON


ELVIS PARTIU HÁ 33 ANOS