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quarta-feira, julho 04, 2018

PORTUGAL E OS DESCOBRIMENTOS


Nos tempos que correm não será politicamente correcto falar-se dos descobrimentos portugueses, mas o que é certo, é que foram os portugueses que nas suas naus e caravelas, partindo de Portugal, descobriram novas rotas marítimas para terras distantes.
A pretexto da religião e do interesse comercial, lá foram os nossos marinheiros pelas costas de África, até à Índia e ao Brasil. Os povos que encontrámos tinham diferentes religiões e interesses próprios no comércio das especiarias e outras mercadorias.

O mercado das especiarias era feito por terra, até à presença portuguesa, e era dominado na Europa pelos venezianos e genoveses, e em África e na Ásia pelos povos locais, pelo que houve muita disputa pelo domínio das rotas, com a violência típica destas situações nessa época.

Outro assunto difícil de abordar, a escravatura, há que lembrar que ela sempre existiu, mesmo em África e antes das nossas navegações, e também convém salientar que sem a condenação das diferentes religiões, ao tempo, tendo até o Infante D. Henrique tido o acordo papal para ter a exclusividade do mercado de escravos.

Tudo isto faz parte da nossa História, o que não significa que nós, na actualidade, estejamos a apoiar este tipo de acções, pois o pensamento e a evolução dos comportamentos sociais, são absolutamente contrários a essa actuação.

O que também importa salientar é que os factos históricos não podem ser negados, de nada adianta tentar encobrir o que foi feito, e também lembrar que a História tem de ser olhada com olhos de ver e julgada segundo o pensamento de cada época, e não com uma visão actual.     



domingo, janeiro 17, 2016

DESCOBRIMENTOS OU EXPANSÃO?

Quando se questiona se ainda é correcto falar de descobrimentos, ou se seria melhor dizer expansão, creio que estamos a perder tempo na escolha da palavra politicamente correcta, especialmente quando falamos nos descobrimentos marítimos portugueses.

Quando há quase 50 anos atrás eu aprendia História, ainda no tempo do liceu, já o meu melhor professor da matéria, que até tinha um tom demasiado monocórdico, dizia que os autores dos livros de estudo “romanceavam” bastante os factos, exagerando na glorificação dos feitos portugueses.

Já adulto, por interesse próprio, e por ligação profissional, “mergulhei” em livros de diversas bibliotecas, e centrei muito do meu interesse na História do século XIV até ao XVI, época áurea (no meu entender) da História de Portugal, As diferenças entre o que foi escrito até ao princípio do século 20, e o que foi escrito a partir do Estado Novo, começou a tornar-se muito evidente.

Ao ler um artigo sobre o lançamento do Dicionário da Expansão Portuguesa (1415-1600), e ao ver escrito que um dos interesses maiores do apoio aos descobrimentos foi o comércio, mais do que a evangelização ou outro interesse científico, ou que o Infante D. Henrique nunca criou uma escola náutica em Sagres, não vi nas revelações nenhuma novidade, era tudo sabido por qualquer pessoa interessada na matéria.

Nenhuma das “revelações” diminui o feito dos portugueses, nem a audácia deste povo, e vem apenas colocar em evidência que somos capazes de grandes feitos, não sabemos é aproveitar essas oportunidades como outros povos, como foi o caso dos ingleses e dos holandeses.


Na minha óptica expansão é um termo mais errado do que descobrimentos, porque não tivemos essa visão das descobertas, pelo menos comparativamente aos outros povos que nos sucederam no domínio dos mares e do comércio daí resultante.

( Colaboração do Palaciano)