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segunda-feira, agosto 24, 2015

SEMEAR VENTOS E COLHER TEMPESTADES

Nas últimas décadas o ocidente, leia-se Europa e os EUA, têm sustentado o seu crescimento não baseados no sector produtivo, produção industrial especificamente, mas sim no controlo da comercialização das matérias-primas, no outsourcing do fabrico de produtos concebidos no ocidente, devido ao baixo preço da mão-de-obra do oriente, e aproveitando-se do poderio militar e da influência política que detém desde a II Guerra Mundial.

Com o tempo tudo muda, e os países asiáticos já conseguem afirmar marcas próprias, a preços mais competitivos, a sua dimensão populacional e os meios de produção imensos começam a ditar as suas regras, na formação de preços e na imposição de tendências, também porque se tornaram grandes mercados.

Do lado dos produtores de matérias-primas, mormente do petróleo, o resultado das políticas do ocidente começam a ver-se, e não são bons para a Europa, que está a enfrentar uma crise de refugiados que já é explosiva, ameaçando mesmo a coesão europeia.


Criou-se o monstro e agora começa a ser cada vez mais difícil lidar co ele, basta ver o que acontece quando o mercado chinês abranda, ou quando os refugiados, aos milhares, se juntam nas fronteiras da Europa em busca dum futuro melhor. 


quinta-feira, setembro 26, 2013

RESULTADO DE POLÍTICAS ERRADAS



Com a crise instalada e com programas políticos claramente recessivos, a sociedade portuguesa reage como pode, criando ou aumentando procedimentos que prejudicam o Estado, ou seja, nos prejudicam a todos.

Com o crescimento brutal do desemprego e o aumento insuportável dos impostos, a economia paralela também cresceu distorcendo toda a realidade económica do país.

Falar do peso da economia paralela é falar de 44.183 milhões de euros só no ano passado, montante que dava para pagar mais de metade do valor do resgate da troika.

Ninguém defende esta economia paralela, mas isto é o resultado de políticas erradas. O Estado não tem, ou não aloca meios, à fiscalização do enriquecimento ilícito, ao combate às empresas fantasma, à fraude organizada ou ao branqueamento de capitais. Não são os biscateiros ou os vendedores ambulantes que interessam verdadeiramente, mas sim os grandes tubarões que deviam estar na mira das autoridades e da Justiça.

A consequência 1ª desta situação é o constante aumento de impostos sobre ao poucos que cumprem religiosamente as suas obrigações fiscais, que são cada vez menos…


sexta-feira, março 16, 2012

CAUSA OU CONSEQUÊNCIA?

Confesso que economistas e fiscalistas nunca foram da minha simpatia, mas como procuro estar sempre informado, lá vou lendo e ouvindo o que eles têm para nos dizer.

Medina Carreira tem conseguido conquistar alguns dos meus amigos e conhecidos, talvez pelo seu pessimismo militante mais do que pela substância do seu discurso. Não creio que seja muito diferente dos restantes, mas também não está refém de lealdades nem devedor de favores, pelo que se percebe a sua aceitação.

Eu não aceito as suas opiniões sem reservas e discordo bastas vezes das suas análises, como aquela que vem no Dinheiro Vivo desta quinta-feira.

Para este fiscalista os salários baixaram porque as empresas precisam de baixar os seus custos, e se os restantes custos de contexto, como a energia, os combustíveis e os impostos não baixam, então têm que ser os salários a ser sacrificados. Se até aqui concordo que tem sido a estratégia seguida pelas empresas e pelo Estado já não posso concordar com a afirmação: “a grande culpada da queda dos salários, é só uma: a recessão.”

Ao contrário do que diz Medina Carreira, a recessão não é a causa da queda dos salários mas sim a sua consequência, o que causa um círculo vicioso de onde não se sai, a menos que se mude de estratégia. Falta dizer que quanto menos dinheiro houver disponível para salários, menor será o consumo, mais se terá que diminuir a produção e mais desemprego se cria, o que resulta sempre em maior recessão.

FOTOGRAFIA
By Palaciano

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