domingo, agosto 28, 2016

PORQUE FOGEM OS TRABALHADORES DOS MUSEUS

Os trabalhadores que fazem o acolhimento e a vigilância dos museus não ficam muito tempo nessas funções, e parece que ninguém se preocupa com isso, nem no sector público nem no privado.

No sector privado a precariedade é uma constante e poucos conseguem ingressar nos quadros, o que resulta numa constante mudança de funcionários, em períodos de absoluta desmotivação, e consequentemente num serviço de má qualidade, que peca não só pela falta de preparação e conhecimento dos funcionários, e também num risco maior para a segurança do Património à sua guarda.

No sector público temos um quadro de pessoal muito envelhecido, desmotivado e muitas vezes sem qualquer formação para a função, que só é parcialmente compensada pela experiência de muitos anos. É certo que foram abertos alguns concurso recentemente, com maiores exigências ao nível de habilitações literárias, mas os candidatos admitidos, na sua grande maioria, apenas estão a usar os concursos para transitarem logo de seguida para outras carreiras e outros lugares em serviços menos exigentes a nível de horários, e com possibilidades de progressão.

O trabalho aos sábados, domingos, exigido a estes trabalhadores, não implica pagamento diferenciado como acontece com a generalidade dos outros trabalhadores, estando a ser usado um regulamento interno para justificar a obrigação sem compensação, o que é caso único na função pública e também no sector privado. Salva-se no meio disto tudo o poder local, que segue a legislação à risca (pagando devidamente o trabalho ao sábado e ao domingo), e uma instituição privada, que em bora não o fazendo desse modo, considera esta carreira como atípica e por isso merecedora dum salário que compensa as obrigações impostas.


Será que só com greves é que os responsáveis pelos museus, palácios e monumentos vão entender isto? Quem vai ganhar com mais este confronto? Porque não se reconhece a carreira como específica, já que se lhe exige mais do que a outras carreiras do mesmo nível? 


5 comentários:

  1. Neste país só se consegue algo à força de muita luta.
    Abraço e bom Domingo

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  2. Anónimo1:39 p.m.

    Em contrapartida há lugar para dezenas de "doutores", engenheiros e arquitectos, mais do que vigilantes, bilheteiros e operadores de loja, o que espantaria qualquer bom gestor, mas estamos em Portugal
    Bjo da Sílvia

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  3. OLÁ XAMUAR ZÉ

    Quero agradecer a visita e as palavras que deixou no comentário ao meu post.

    Também já reconstruí a vida algumas vezes,
    sabes que, quem veio de África teve que passar por essas coisas todas
    sabemos bem o que é "começar do nada"

    Abraço meu.

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  4. Deus dá nozes a quem não tem dentes!

    Eu adoraria trabalhar num Museu.
    Fazer o acolhimento e a vigilância dos museus.

    Também denoto um serviço de má qualidade
    muita falta de preparação e conhecimento dos funcionários!

    No sector público temos um quadro de pessoal muito envelhecido, desmotivado e muitas vezes sem qualquer formação para a função
    Não acho isto uma desculpa - sem qualquer formação para a função!

    Eu mesma quando não sei, vou pesquisar
    As pessoas têm que ter brio pessoal e profissional
    é isso que acho que falta
    As pessoas vivem no "deixa andar".....
    é uma vergonha.

    Tenho dito.
    Um abraço.

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  5. Anónimo12:01 a.m.

    É difícil pedir brio e profissionalismo a quem aufere seiscentos e picos euros mensais brutos, e sabe que nunca poderá ascender na carreira. Estas qualidades despontam nos primeiros meses, um ano, e depois fenecem como tudo o que não é regado e alimentado como deve. Os jovens de trinta e poucos anos, com preparação e bagagem académica fogem, e em breve só restarão os seguranças que se estarão nas tintas para a História, para o Património, e apenas farão a sua tarefa de vigilantes, afinal aquela para que serão contratados.
    A exigência será sempre proporcional ao que se dá em retorno, e não vale a pena negar as evidências.
    O Palaciano

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