Dois Rumos
Mentir, eis o problema:
minto de vez em quando
ou sempre, por sistema?
Se mentir todo dia,
erguerei um castelo
em alta serrania
contra toda escalada,
e mais ninguém no mundo
me atira seta ervada?
Livre estarei, e dentro
de mim outra verdade
rebrilhará no centro?
Ou mentirei apenas
no varejo da vida,
sem alívio de penas,
sem suporte e armadura
ante o império dos grandes,
frágil, frágil criatura?
Pensarei ainda nisto.
Por enquanto não sei
se me exponho ou resisto,
se componho um casulo
e nele me agasalho,
tornando o resto nulo,
ou adiro à suposta
verdade contingente
que, de verdade, mente.
Carlos Drummond de Andrade
Lábia by Goran Divac

Bom domingo com saudações amigas
ResponderEliminarUma voltinha pela poesia que refresca o cinzento da realidade nacional.
ResponderEliminarBjos da Sílvia
É um dos meus poetas preferidos.
ResponderEliminarUm abraço e bom Domingo
Boa escolha, meu caro!
ResponderEliminarAbraço-o
Na verdade tudo é relativo
ResponderEliminarexcepto a minha
que é tão só uma convicção
e já é tanto
"São de facto dois rumos opostos uma verdade e uma mentira" Prefiro as verdades mas tenho me contentado com as mentiras... Nosso Carlos foi um grande poeta...
ResponderEliminarEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderEliminara verdade da mentira... um filme que se vê com frequência...
ResponderEliminarabraço
a verdade da mentira... um filme que se vê com frequência...
ResponderEliminarabraço