Já aqui falei sobre esta iniciativa da representação nacional do ICOM (International Council of Museums), a propósito do 18 de Maio, data em que se comemora o Dia Internacional dos Museus.
Debater os entraves e os desafios que o sector enfrenta é sempre salutar, mas para tal há que envolver todos os profissionais envolvidos no funcionamento e divulgação dos museus e não só alguns sectores profissionais como acontece geralmente. Em Portugal os membros desta organização não-governamental são apenas representativos de uma parte do pessoal que trabalha nos museus, ao contrário do que se passa em alguns países europeus, onde a participação é muito mais abrangente.
Na minha modesta opinião, não basta enviar missivas ao ministro da Cultura dizendo que o sector está em risco de colapso por falta de recursos materiais e humanos. Esta é apenas a parte visível do problema, que é muito mais profundo, e que começa exactamente pela política cultural que o governo pretende implementar.
É notório que o governo deixou de investir no Património e que os museus, palácios e monumentos apresentam já sinais evidentes deste facto, na degradação dos espaços, na falta de manutenção e de restauro das colecções e até na actividade expositiva, que é actualmente de uma pobreza evidente. O governo já manifestou a intenção de entregar alguns museus às autarquias locais, já criou empresas como os Parques de Sintra – Monte da Lua a quem entregaram a gestão de monumentos, e prepara-se agora para fazer algo no género com o Museu dos Coches e talvez até com a Torre de Belém.
Será que a secção nacional do ICOM está na disposição de confrontar o executivo com estes assuntos? Será que estão dispostos a defender para Portugal algum dos modelos existentes na Europa, e com provas dadas, para o nosso Património? Ficamos a aguardar pelos resultados.
Debater os entraves e os desafios que o sector enfrenta é sempre salutar, mas para tal há que envolver todos os profissionais envolvidos no funcionamento e divulgação dos museus e não só alguns sectores profissionais como acontece geralmente. Em Portugal os membros desta organização não-governamental são apenas representativos de uma parte do pessoal que trabalha nos museus, ao contrário do que se passa em alguns países europeus, onde a participação é muito mais abrangente.
Na minha modesta opinião, não basta enviar missivas ao ministro da Cultura dizendo que o sector está em risco de colapso por falta de recursos materiais e humanos. Esta é apenas a parte visível do problema, que é muito mais profundo, e que começa exactamente pela política cultural que o governo pretende implementar.
É notório que o governo deixou de investir no Património e que os museus, palácios e monumentos apresentam já sinais evidentes deste facto, na degradação dos espaços, na falta de manutenção e de restauro das colecções e até na actividade expositiva, que é actualmente de uma pobreza evidente. O governo já manifestou a intenção de entregar alguns museus às autarquias locais, já criou empresas como os Parques de Sintra – Monte da Lua a quem entregaram a gestão de monumentos, e prepara-se agora para fazer algo no género com o Museu dos Coches e talvez até com a Torre de Belém.
Será que a secção nacional do ICOM está na disposição de confrontar o executivo com estes assuntos? Será que estão dispostos a defender para Portugal algum dos modelos existentes na Europa, e com provas dadas, para o nosso Património? Ficamos a aguardar pelos resultados.
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PINTURAS




Disse e disse muito bem!
ResponderEliminarApoiado ZéPovinho!
Bom fds :-)
Bjs
Ambos sabemos que não vai haver coragem para tanto, que os concursos ainda não saíram e os lugares ainda estão em jogo. Aquele «clube» é só para quem não levanta ondas...
ResponderEliminarBjos da Sílvia
Olá querido Amigo Zé, magnífico texto, além disso o post no seu todo, é belíssimo... Meu querido, muitos beijinhos de carinho,
ResponderEliminarFernandinha
Gostaria de acreditar que algo fosse feito no sentido que apontas... Um Bom Alerta. Um abraço e Bom Fim de Semana
ResponderEliminarEsta registado este teu apontamento caro zé. De facto tem de se fazer mais pelo património, museus e pela arquitectura portuguesa.
ResponderEliminarTem um bom fim de semana.
Um abraço
Vem sendo notório o desinteresse do governo pelo património cultural do país.
ResponderEliminarEstou naturalmente expectante quanto às acções que o ICOM eventualmente venha conseguir pôr em prática. Mas convencer o governo a mudar a sua política pobremente economicista, parece-me muito difícil.
Um abraço e bom fim-de-semana.
Jorge P.G.
O mal é que muitas vezes o tempo para visitar museus é aos fins-de-semana, e muitos estão encerrados ou limitados no acesso. Este pais culturalmente está muito pobre, o estado que os museus estão reflectem isso mesmo.
ResponderEliminarCumprimentos
Meu caro Odysseus
ResponderEliminarOs museus estão abertos aos fins-de-semana, e ao domingo, até às duas da tarde, as entradas até são de borla. Note-se que estou a falar dos museus dependentes do ministério da Cultura, embora isto também seja verdadeiro para muitos outros, talvez a excepção seja o Palácio Nacional da Pena como aliás já aqui referi.
Abraço do Zé
Saudações amigas e bom domingo
ResponderEliminarConociendo tu espacio, leyendo y pensando en Volver.
ResponderEliminarMentesSueltas
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderEliminarTenho especial interesse pelas questões culturais mas sou levado a crer que esta importante área, a da cultura, é no nosso país uma área muito abandonada por problemas estruturais como a educação e sobretudo o ensino das artes. Nunca Portugal foi, ao contrário do que por vezes se afirma, um país que desse nomes de grande referência no domínio das artes (pintura, escultura, musica, arquitectura) as grandes obras de referência nestes domínios e existentes em Portugal são da lavra de estrangeiros ou então os seus autores não se conhecem e envolvem-se em aureolas de mistério como convém, ao estudiosos de cá: é o caso dos Painéis de S. Vicente e dos túmulos de Pedro e Inês só para dar estes exemplos . Estruturalmente não temos cultura para entender ou proteger a nossa cultura patrimonial que está na origem dos museus. Isso implica o ensino das artes e programas muito concretos nestas áreas e que nunca existiram: As "viagens na minha terra" do romântico Almeida Garret destacava isso e nada mudou desde aí apesar de ele ter fundado o teatro D. Maria. Há pouco e só para dar um exemplo caricato, um conceituado cientista da área da matemática tentou interpretar os painéis de S. Vicente um estudo que é muito interessante mas levantaram-se os detentores da verdade hermenêutica na área das artes (há muitos no nosso país) a perguntarem a legitimidade de semelhante estudo ou que tem a matemática de positivo a oferecer e que ajude a entender os referidos painéis. Este tipo de mentalidade é bem exemplificativa da cultura e mentalidade existente neste país e que me escuso de averiguar de forma alongada neste comentário mas que é esclarecedora . Tudo isto para dizer que as politicas museológicas, em meu entender, passam por aspectos de educação, cimentadas em anos e até séculos de ensino e investigação, não são terapias de mercado a resolve-las como se pretende. O que se pretende implementar parece que é como procurar o rasto do voo de uma ave no céu. Só poderá existir uma verdadeira politica cultural quando existir um forte e efectivo mercado de educação em Portugal onde a arte e o seu ensino tenham uma dimensão cultural bem implantadas.
ResponderEliminarUm abraço
António Delgado
Ps. desculpe a linguagem mercantilista, mas peço para que não me entenda como um apologista do capitalismo avançado.
Olá Zé, eu junto a minha à sua , à nossa voz.
ResponderEliminarMuito pertinente o que diz. Será que nos ouvem ?
Um beijinho amigo.
Uma boa semana.
Maria