sexta-feira, maio 23, 2008

PATRIMÓNIO, A MEMÓRIA DOS POVOS

Já abordei algumas vezes o modo pouco atento com que se preserva o Património, e também a falta de divulgação do mesmo. Ainda há poucos dias foi comemorado o Dia Internacional dos Museus, de um modo bastante modesto porque os meios também eram escassos, e poucos dias depois eis que surge mais uma má notícia: a casa de Aristides de Sousa Mendes está em risco de ruína.

Sobre este homem bom, que enquanto cônsul durante a guerra, e desafiando o regime de Salazar, permitiu que muitos judeus fugissem à morte nas mãos dos nazis, aconselho-vos a leitura destes textos sobre o homem de que falo (AQUI) e (AQUI).

No que respeita à casa situada em Cabanas de Viriato, no Concelho de Carregal do Sal, diga-se que tem o telhado em mau estado e necessita de recuperação urgente, está classificada como Monumento Nacional, e apesar disso continua a degradar-se por falta de atenção das autoridades (ministério da Cultura), e perante a indiferença dos portugueses.

Perante os factos, somos um povo que não sabe respeitar a memória dos seus maiores, não conhece a sua História, e pouca importância dá à sua Cultura e Património. Não é um resultado da crise económica, nem consequência das dificuldades financeiras, é mais grave do que isso, é uma perda de identidade nacional, falta de orgulho de ser português.

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Contributo do Goraz


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FOTOGRAFIA MANIPULADA

no man's land by i-c-e-blue

Robot-toad by vodoc

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CARTOON

Hasan Bleibel

Hasan Bleibel

12 comentários:

  1. Que dor de alma!
    Nem sequer a Democracia presta homenagem digna a este Homem!!
    Deus nos valha!
    Bem haja por o haver recordado.

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  2. Anónimo12:03 p.m.


    A tua cruzada em prol da cultura e do património tem chegado mais longe do que pensas, e a sua leitura é obrigatória aqui na redacção e também noutros locais como aqueles que eu te disse no mail de ontem. Sei que tu já deves ter dado por isso, porque conheces bem o sistema.
    Bjos da Sílvia

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  3. Olá Xamuar
    Será que já viste o filme de que falo no meu espaço?

    Gostei muito da fotografia manipulada das gaivotas...

    E, segundo leio aqui, a tua cruzada em prol da cultura e do património tem chegado mais longe do que pensas...assim é bom, saber que as nossas palavras não caem em saco roto.
    Parabéns e continua sempre em frente.

    Bom fim de semana(embora as previsões sejam de chuva).
    Beijinhos

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  4. Zé Povinho
    Deixa-me fazer aqui uma correcção relativamente aos judeus salvos por Aristides Sousa Mendes.A maioria dos 30.000 ou 40.000 indivíduos que Aristides "safou" do holocausto não eram judeus. O Homem desatou a carimbar passaportes sem olhar sequer para os nomes dos titulares. Eram pessoas e isso lhe bastava. Só que quando ficou na miséria e os filhos proibidos de estudar nas Faculdades Portuguesas, só os judeus estavam organizados para lhe acudir.
    Há também a ressaltar o facto dos proscritos por Salazar carregarem a maldição até depois do 25 de Abril. Nunca se lhes fez a verdadeira justiça.
    Conheço a casa do Aristides, falei com pessoas que o conheceram e até com pessoas da Fundação.
    Só os judeus, familiares de individuos que ele conseguiu salvar, costumam anualmente ir plantar um laranjeira junto à sua estátua.
    Nós contentamo-nos com as ruínas e até há continuadores de Salazar a conspurcarem-lhe o nome.
    Apesar de ter perdido tudo,honras, palácio, carreira, dinheiro e até os filhos que tiveram que sair do país e morrer tão pobre que nem fato tinha, Aristides nunca se arrependeu. Ele achava que a vida dele valia muito pouco em relação a todas as que salvou.

    Abraço

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  5. Correcção bem recebida, mas de facto foram quase exclusivamente os judeus que se lembraram da sua desobediência até há poucos anos, e mesmo hoje são poucos os que se interessam pelo assunto. É sempre bom saber que há quem esteja atento.
    Obrigado.
    Abraço do Zé

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  6. "Perante os factos, somos um povo que não sabe respeitar a memória dos seus maiores, não conhece a sua História, e pouca importância dá à sua Cultura e Património."

    Simples mente excelente, muito bem.

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  7. o humor dos quadros da que pensar...

    bom fim de semana

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  8. ... embora essa tal perda de identidade nacional e essa falta de orgulho em ser português também tenha ,e muito, a ver com as gerações sucessivas de políticos e políticas que nos têm (des)governado.
    Somos um país rico em história, mas com uma história pobre de governação, ou falta dela.
    Saudações do Marreta.

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  9. Lamentável o estado em que a casa se encontra. Triste povo este que não preserva o património histórico, nem o natural, nem coisa nenhuma. Onde paira o orgulho de ser português? Que triste pátria esta que maltrata o espólio de um dos seus mais ilustres filhos.

    Beijinho

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  10. E já agora relembro Irena Sendler, polaca e Raoul Wallenberg, sueco, que também salvaram milhares de judeus do trágico fim que lhes estava reservado.

    Beijinho

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  11. Tem toda arazão, Zé!
    A crise, se bem que seja uma espécie de instituiçãp nacional, nem sempre esteve com crises agudas e a casa não se degradou em 2 ou 3 ou 5 anos. E como essa muitos outros nacos de património são votados ao abandono.
    É ma falta de interesse e de amor pelo património, sim senhor.

    Um abraço.Jorge P.G.

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  12. Que posso eu acrescentar ao que já disseram os anteriores comentaristas?
    Um abraço e uma boa semana

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