sexta-feira, fevereiro 01, 2008

O REGICÍDIO

Nos últimos dias muito se tem escrito sobre o regicídio e muitas têm sido as teorias que vieram a lume, tentando explicar tudo o que se passou e as motivações dos seus autores. Não me vou debruçar sobre as teorias, pretendo apenas deixar uma narrativa registada na revista Serões, poucos dias depois.
O primeiro regicida, o que mais denodo e pertinácia mostrou, chamava-se Manuel dos Reis da Silva Buiça, contava trinta e dois anos e nascera em Bancoais. Ficara viúvo e tinha duas filhas de pouca idade. Foi em Vinhaes ajudante do professor de instrução primária Parece que a morte da esposa lhe perturbara fundamente o espírito… Era actualmente professor de um colégio muito considerado em Lisboa. Durante dez anos que ali esteve desempenhou exemplarmente os seus deveres, obtendo o passado ano lectivo os seus discípulos número avultado de distinções.
Não fazia alarde de ideias avançadas. Na manhã do atentado compareceu na escola, pelas dez horas, e solicitou licença do director para sair, pois desejava ir à estação esperar uma filha que vinha de fora. Era, ao que consta, assíduo frequentador da carreira de tiro de Pedrouços, onde obtivera a categoria de atirador de primeira classe
.”
Este homem, aparentemente um normal e pacato cidadão, terá sido o autor do primeiro tiro, desfechado com uma carabina Malincher, que viria a atingir mortalmente o rei D. Carlos no pescoço, esfacelando as vértebras cervicais, segundo afirmaram posteriormente os médicos.
A monarquia tinha agora os dias contados.

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FOTOS - DESERTOS

another metaphorical carrot by *hotburrito2

Sand Pattern and Creosote Bush by TheDynamicLight

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CARTOON

13 comentários:

  1. É uma época da nossa história que me interessa particularmente.
    Interessante o texto da revista. A queda da monarquia era uma inevitabilidade. Em espanha, não sei se p Zé tem estado atento, milhares de pessoas têm saido à rua a pedir o fim do regime monárquico. Com todos os defeitos da República, é bem preferível um chefe de estado não-monárquico. Porque teríamos levar com imbecis da mesma família séculos a fio?
    D. Carlos, acabou por ser vítima das asneiras dos antepassados. Era um homem culto, contrariamente à grande maioria dos seus antecessores.
    Abraço

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  2. Devo esclarecer que não sou monárquico, nem pouco mais ou menos, apenas sou um amante de História. Agora limitei-me a reproduzir uma parte do texto de uma revista da época, que relata com "as cores da época" o acontecido.
    Abraço do Zé

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  3. Anónimo10:06 a.m.

    Os atentados dessa época, e foram muitos contra diversos monarcas europeus, muitas vezes foram perpretados por figuras mais ou menos irrelevantes no panorama dos que contestavam o sistema, um pouco como acontece hoje com o terrorismo que grassa na actualidade.
    Fui

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  4. Anónimo2:46 p.m.

    A Monarquia estava podre. Foi necessário para avançar com a Revolução republicana. Viva a República.
    Um Abraço e Bom Fim de Semana

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  5. Bom momento de humor com os cartoons.

    sobre o texto e como pessoa interessada em história o relato parece imparcial. Por opção sou républicano.

    Mas esse periodo da nossa história está pouco estudado, pelos vicios do ensino da história. Ela é pouco critica (apenas poucos) escrevem de forma não apologetica e mitica. Recentemente o jornal Publico (passo a publicidade) num artigo acerca de um livro sobre o Fernão de Magalhães, feito por um investigador estrangeiro, punha o dedo na ferida.

    Um abraço e bom fim de semana
    António Delgado

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  6. Esqueci-me BELA MÚSICA.

    ABRAÇO

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  7. Olá Zé acabei de te mandar um mail com recheio...espero que gostes e aproveites neste fim de semana de carnaval.
    Se precisares de alguma dica apita, estou perto de ti...cá no Mira... de que não gosto nada.

    Bom e recordar a NOSSA HISTORIA não faz mal a ninguém, vens sempre a proposito amigo.
    Os cartoons sempre o máximo .

    Bom carnaval, olha eu vou-me mascarar de "jamé" ou de "casmpanha difamatoria" que tal??!

    beijão grande

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  8. Olá querido amigo Zé, li e reli o teu texto e adorei.
    É como dizes muito se tem escrito, sobre o Regicídio mas, gostei muito de ler o que se escreveu na época.
    Parabéns!!!
    Muitos beijinhos de carinho e ternura.
    Fernandinha

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  9. Olá Zé, o resto da postagem está uma beleza.
    Fernandinha

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  10. Zé,

    Estou francamente admirada com o destaque que se tem estado a dar ao centenário do Regicídio. E é curioso como ao lermos, eu, pelo menos, verificamos que afinal ainda há tanto informação por tanto tempo sonegada.

    Mas é sempre tempo de saber mais uns detalhes, graças a pessoas como tu,que, conhecedores da nossa História, partilham connoco momentos como este.
    Obrigada.

    Um abraço

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  11. Caríssimo Zé,
    Gostei imenso do testemunho e da história de um homem de coragem. Outros pensarão de outra forma, mas é preciso "tê-los" para matar o Rei, sabendo que seria morto imediatamente a seguir.
    Depois do regicídio, foram só mais dois anitos de D. Manuel II, que só prologaram o estertor de um regime completamente apodrecido.
    E o que é espantoso é que,no dealbar do século XXI, sobrevivam ainda monarquias na Europa. Quem quer largar os seus privilégios, as suas benesses? Nem os lacaios destes senhores/as!
    Um abraço amigo e... anarquista!

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  12. Um crime é um crime, e para se alcançar os fins nem todos os meios são validos
    Não tenho nada contra a monarquia, mas não gosto do sitema , mas esta nossa republica deixa muito a desejar
    Saudações amigas

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  13. "Não fazia alarde de ideias avançadas" curioso como o relato recorre à designação "ideias avançadas". Não compreendo por que é que, ainda hoje, haja quem defenda a monarquia, não parecem ser detentores de ideias avançadas.
    Por vezes para salvar muitas vidas pode ser necessária uma morte, os cristãos sabem-no, de resto não foi só o Carlos que morreu!
    Acho que vivemos numa república decadente: estarei com ideias avançadas?

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