quarta-feira, janeiro 24, 2007

ADMIRAR A COERÊNCIA E A HONESTIDADE

Ao ler o editorial de ontem do DN, da autoria de João Morgado Fernandes, achei interessante a questão por ele colocada no título “E Soares?”. Porque não terá ficado Mário Soares entre os 10 primeiros do programa Grandes Portugueses, onde figuram, entre outros Salazar e Cunhal?
Podíamos começar pelo facto de ambos já terem morrido e portanto terem passado à categoria de mitos, seja por boas ou más razões consoante as diferentes opiniões. Acho que é uma explicação possível, mas não suficiente perante outros possíveis candidatos à escolha.
Escolheram-se diversos personagens da História, da Cultura e do espectáculo, pelo que era inevitável também a escolha de políticos, mas mesmo assim Soares recolheu menos votos que Salazar e Cunhal.
Pegando apenas nestes três políticos e excluindo o facto de apenas um estar vivo, então o que é que os diferencia entre si, para justificar as preferências? Não pesou o facto de se situarem à esquerda ou direita do espectro partidário, porque é clara a opção das últimas eleições pelo chamado centrão (PS/PSD).
Tudo ponderado, resta-nos a coerência de atitudes, tanto Salazar como Cunhal sempre mantiveram o mesmo tipo de discurso durante o tempo em que tiveram o seu espaço de influência e a honestidade que pautou o seu estilo de vida, austero e de acordo com os princípios que sempre defenderam.
Dois estilos antagónicos, dois inimigos declarados, duas visões opostas no que respeita à política nacional mas sempre coerentes com as suas ideias e honestos quanto aos bens materiais que nunca ofuscaram a sua acção. O carácter despojado de cada um, aliado à firmeza das suas ideias justificam a escolha dos portugueses?
Penso que sim. Nós portugueses, temos a tendência de desculpar os erros dos protagonistas históricos, tendendo a valorizar mais a constância, a honestidade e os princípios que pautaram a vida dos que de algum modo marcaram a nossa História passada e não muito recente.
Talvez seja uma conclusão politicamente incorrecta, para quem conhece profundamente a acção política deste dois Homens, com H grande, até porque não me identifico com nenhum deles no campo das ideias, mas é a explicação mais provável (na minha modesta opinião), para Mário Soares ter sido preterido na escolha popular, pois o seu percurso (embora) notável teve oscilações ideológicas (meteu o socialismo na gaveta), e nunca terá sido um exemplo de frugalidade como os seus dois adversários, que embora derrotados na vida política, se impuseram perante o português comum.Será uma opinião politicamente incorrecta, mas é a minha!
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Parada militar na Índia Foto@EPA/STR

Soldados indianos treinam o desfile para as celebrações do Dia da República, em Nova Deli. A 26 de Janeiro, a Índia comemora a adopção da constituição em 1950, com festejos que incluem marchas militares e eventos culturais por todo o país

3 comentários:

  1. Anónimo12:30 a.m.

    Não tenho tido tempo para estas andanças, mas sobre os Grandes Portugueses pronuncio-me. Soares foi um grande político mas os seus erros (todos os cometemos) ainda estão vivos na nossa memória, como a descolonização desastrosa e aquele acordo com o FMI, quando nos tiraram o 13º mês e o mencionado socialismo posto na gaveta.
    Gostei da análise, embora as figuras não sejam obviamente da minha escolha.

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  2. Anónimo4:58 p.m.

    Já vi que não gosta ce Salazar nem de Cunhal, mas Soares nem vê-lo. Certo ou errado?

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  3. Voltei às lides embora com limitações, mas continuo sempre atento ao Zé.

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