domingo, abril 23, 2017

A BIBLIOTECA CONGELADA

Uma das mais bonitas bibliotecas do mundo é a do Palácio Nacional de Mafra, disso não temos dúvidas, e é por isso mesmo que falo dela.

Li há dois dias uma notícia num jornal, e o que mais me chamou à atenção foi precisamente o título, que pelos vistos foi tirado das declarações do director do monumento, e que era “a biblioteca de Mafra está congelada e isso é bom”.

Este título não é para se ler duma forma literal, eu sei, mas é curioso como a minha opinião também se podia descrever quase com as mesmas palavras.

Todo o monumento é um perfeito congelador em boa parte do ano, e as temperaturas são muito constantes, o que é bom para a conservação, mas não será simpático para quem lá trabalha, a menos que seja num escritório climatizado. Eu diria que o monumento parece estar congelado no tempo, que pela falta de cuidados na conservação do edifício, quer na informação disponibilizada no percurso museológico.

Curiosamente, e referindo-me especificamente à biblioteca, notei pela notícia que ainda se desconhece muito sobre os livros que lá se encontram, e pelo que me disseram numa visita feita no ano passado, os muitos volumes que lá se encontram não estão digitalizados, e nem sequer é público o espólio existente naquele espaço.


É uma pena que muita coisa esteja “congelada”, e acredito que como eu, muitas outras pessoas gostassem de ter acesso a mais informação sobre esta maravilha do nosso Património.


sexta-feira, abril 21, 2017

OS “PEQUENOS” MANDÕES

Infelizmente é mais comum do que se possa pensar, existem muitas figuras sem jeito nem poder efectivo, que se fazem valer da sua posição favorável, obtida não por competência nem capacidades demonstráveis, para “poder mandar” nos outros, muitas vezes muito mais conhecedores, mais competentes e assíduos.

Pessoas desta jaez não trazem nada de positivo aos serviços, prejudicam e minam as equipas, usando os seus “poderzinhos” dividir para reinar, insinuando-se sempre perante as altas chefias como indispensáveis e capazes de resolver problemas, usando o medo e a ameaça como armas preferidas.

Há um ditado popular que encaixa na perfeição em situações destas: não peças a quem pediu, nem sirvas a quem serviu.


Chefias que não sabem escolher os seus coadjuvantes, que não sabem ajuizar sobre a competência dos seus subordinados, que não sabem defender as suas equipas, merecem falhar e ter serviços desmotivados e pouco produtivos, pois também são incompetentes para chefiar.


terça-feira, abril 18, 2017

O MEU PALÁCIO PREFERIDO

No Dia Internacional dos Monumentos e Sítios achei que devia deixar aqui, publicamente, a minha preferência pelo Palácio Nacional de Sintra, não só pela particularidade de ser o mais antigo palácio real, ou por ter sido utilizado pela monarquia durante mais séculos, mas também porque afectivamente estou ligado a este edifício e a muitos portugueses que já lá trabalharam, trabalham ou o usam nas suas vidas profissionais.


segunda-feira, abril 17, 2017

MACACADAS

 Fui desportista na minha juventude e sou um amante do desporto em geral, mas estou decepcionado com o futebol profissional que tem proporcionado momentos muito tristes.

O dinheiro que está envolvido no futebol de alta competição, o mau comportamento de dirigentes e o lamentável comportamento das claques, têm ensombrado a arte que os futebolistas colocam em campo.


Infelizmente os ideia do desporto foram eclipsados pela corrupção, pela má educação e pelo comportamento animalesco de pessoas que andam em torno do futebol…

sábado, abril 15, 2017

A INTEGRAÇÃO DE PRECÁRIOS

 O Estado é o maior empregador de trabalhadores precários, dando por isso um péssimo exemplo às empresas privadas, que aproveitam a boleia para aumentar ainda mais o universo de precários deste país.

Numa altura em que se fala na integração dos precários ao serviço do Estado, muitos convenceram-se que isto era um dado adquirido, e que todos seriam integrados nos postos de trabalho em que desempenham funções, o que não está garantido, de modo nenhum.

A integração dos precários do Estado vai passar por alguns crivos que abalam a confiança de quem está atento ao processo em fase de discussão.

Em primeiro lugar temos que os interessados que julgam reunir as condições necessárias terão 60 dias para se propor para ser oponentes ao concurso que acontecerá mais tarde.

A segunda etapa depende das chefias máximas que proporão ou não a integração destes postos de trabalho, processo que parece não ser passível de recurso no projecto inicial.

Depois destes processos existe o concurso público, porque terá que ser assim segundo o governo, e como tal aberto a todos, que segundo os critérios de isenção requeridos neste tipo de provas, coloca todos os candidatos em igualdade de condições.


Se as coisas não mudarem entretanto, nada garante que os precários agora em funções, tenham garantidas as entradas nos serviços e funções que desempenham.


quinta-feira, abril 13, 2017

O COELHO DA PÁSCOA

O coelhinho lá aparece quando falamos de ovos da Páscoa, e já nem as criancinhas acreditam que ele ponha ovos, mas lá que fica bem na imagem e é fofinho, isso é!

Páscoa Feliz para todos...


terça-feira, abril 11, 2017

BREVÍSSIMAS

Greves – Os médicos marcaram uma greve para os próximos dias 10 e 11 de Maio por ainda estarem a receber as horas extra a 50%, entre outras coisas. Os trabalhadores que garantem a vigilância, lojas e bilheteiras dos museus, palácios e monumentos, dependentes do Ministério da Cultura também vão fazer greve nos dias 14 e 15 de Abril por não verem reconhecida a carreira como especial, apesar de serem obrigados a trabalhar aos sábados e domingos sem qualquer compensação extra.


Hipocrisia – A directora-geral do Fundo Monetário Internacional vem agora dizer que a “batalha da competitividade não se ganha à custa de salários baixos”, acrescentando mesmo que é preciso “expandir as oportunidades para todos” e “melhorar as capacidades” dos trabalhadores não especializados, para que possam optar por um trabalho bom. Isto são palavras para a Organização Internacional do Trabalho ouvir, mas relativamente a Portugal critica-se o aumento do salário mínimo.
Óculos e jornais

Brexit

domingo, abril 09, 2017

TRISTEZA

Ainda há poucos dias estávamos todos indignados com um dirigente europeu que afirmou que os portugueses (e não só) gastavam o dinheiro com copos e mulheres, e que não podia ser.

Claro que o holandês foi além do razoável para um político com responsabilidades perante os portugueses, porque somos europeus, recorrendo a um estereótipo que como se sabe, não serve para classificar povos e nações independentes.

Hoje fomos todos “brindados” com uma notícia infeliz, porque uns quantos miúdos fizeram asneiras em solo espanhol, dando a imagem errada do povo português, pelos distúrbios, asneiras e bebedeiras, que não ficam bem em lado nenhum.

Jeroen Dijsselbloem ficou com mais munições para nos atirar, e o mais grave é que alguns encarregados de educação acham que os seus meninos, e restantes amigos, não fizeram nada de mais, limitando-se a ser jovens e inconscientes.


Não sei se detesto mais o holandês desbocado se os “papás supé condescendentes”. Só para rematar: há quem prefira gastar 550 euros para se ver livres dos petizes dute uma semana, ainda que tenham consciência que é para se embebedarem e fazerem todo o tipo de tropelias “normais em jovens daquela idade”.


sexta-feira, abril 07, 2017

AS TRETAS DAS ESTATÍSTICAS DO EUROSTAT

As estatísticas são sempre uma treta, mas servem de indicativo para muita gente que acaba por influenciar a nossa economia, como sejam as agências de rating, o BCE ou a Comissão Europeia, que dão mais crédito a estudos e estatísticas do que à realidade.

Fiquei a saber pelo DN que os portugueses ganham 13,7 euros à hora, que eles dizem ser metade da média do euro. Claro que não houve o cuidado de traduzir bem o que saiu do gabinete de estatísticas oficiais da União Europeia, mas mesmo assim podiam fazer as contas, e veriam que estes resultados não correspondem em nada aos salários e outras prestações que cá se praticam.

É curioso que esta estatística “diga” também que o custo hora do trabalho só baixou em 2014, e 0,1 euros, tendo aumentado todos os outros anos desde 2004 até 2016.


Paguem-me este valor hora e eu prometo estar calado nos próximos 5 anos, pelo menos.


quarta-feira, abril 05, 2017

CELEBRAR A FONTE

Museus de vários países vão celebrar a 9 de Abril o centenário da obra de Duchamp, "A Fonte", um urinol de porcelana branco, uma obra maior do dadaísmo em França, que pretendia com ela questionar o conceito da palavra arte.

Entre os museus que aderiram à comemoração deste centenário, alguns darão entradas gratuitas entre certas horas, se os visitantes disserem o pseudónimo do artista, quando este apresentou a obra em 1917: Richard Mutt. 

Muitas "Fontes"

segunda-feira, abril 03, 2017

AS COMPETÊNCIAS DIGITAIS

As metas definidas no programa do governo que aposta nas competências digitais para “mudar paradigma” económico, são interessantes, mas é necessário ter os pés no chão e reflectir sobre a realidade actual.

Aumentar o número de especialistas em tecnologias de informação, já tem sido um objectivo dos últimos anos. Fazer crescer o número de doutorados também é o que já hoje se está a tentar. Dotar todas as habitações de ligação à internet até 2030 é que é um objectivo demasiado ambicioso.

Os custos de ligação das habitações à internet, é elevado para quem aufere vencimentos baixos, pensões ainda mais baixas, e sobretudo impossíveis para quem está no desemprego.


Sinceramente não estou a ver os fornecedores de telecomunicações a baixar os preços praticados, que todos sabemos serem exagerados em comparação com os praticados por essa Europa fora. Estará o governo a pensar em intervir no mercado das telecomunicações? 


quinta-feira, março 30, 2017

FRASE DA SEMANA

"Não acho que o outro ganha demasiado, acho que eu é que ganho muito pouco!"


terça-feira, março 28, 2017

ARTE

As obras de arte dividem-se em duas categorias: as de que gosto e as de que não gosto. Não conheço outro critério.

Anton Tchekhov


domingo, março 26, 2017

O (NOVO) MUSEU DOS COCHES

Depois de ter sido inaugurado a 23 de Maio de 2015, com intermináveis filas, ou não fosse gratuita a entrada, eis que o Ministério da Cultura vem agora anunciar a inauguração do projecto expositivo para o próximo dia 19 de Maio.

Esta inauguração poderá vir a responder à falta de informação de que muita gente se queixa actualmente, num museus em que a frieza do espaço impera, e onde a beleza dos coches não brilha.


Não sei qual vai ser o resultado, mas tal como eu, existem milhares de portugueses ansiosos por poder orgulhar-se dum museu moderno e funcional, apesar de todas as reservas que ainda subsistem.

Museu dos Coches 1955

Docker-Phaeton (início do século XX)

sexta-feira, março 24, 2017

TRAPALHADA COM AS REFORMAS

O governo vai levar à Concertação Social uma proposta para alterar o regime de reformas, e existiam expectativas altas por parte dos trabalhadores, visto que o ministro Vieira da Silva tinha anunciado que pretendia beneficiar os detentores de longas carreiras contributivas.

Os benefícios são ainda pouco conhecidos, mas pelo que já é público só os que têm carreiras de pelo menos 48 anos escapam às penalizações, o que arrefeceu as fundadas expectativas dos trabalhadores.

O que também é digno de nota é a afirmação que o que vai ser proposto na Concertação Social só se aplica a quem desconta para a Segurança Social, porque a Função Pública continuará a com as regras próprias, onde pelos vistos as penalizações se mantêm todas, com o factor de sustentabilidade e as majorações existentes, o que é estranho.


É absolutamente justo que quem já contribuiu durante 40 anos ou mais e atingiu uma idade de 60 anos, ou mais, já merece o justo descanso e uma velhice descansada, caso seja essa a sua opção, seja no público ou no provado, e um governo que não consiga reconhecer isso, e não aproveite a oportunidade para rejuvenescer as empresas e os serviços públicos, não está a pensar no futuro. 


quarta-feira, março 22, 2017

OS ESTEREÓTIPOS DO EUROGRUPO

Existem cada vez mais políticos europeus que não conseguem disfarçar a sua intolerância para com outros povos, julgando-se superiores. Já assistimos a isto no passado e deu no que deu, por isso não existe outra opção que não seja a de condenar gente desta laia, exigindo que sejam apeados dos cargos europeus que ocupam. 

*
Sou mesmo um pateta...

Gostava de ser considerado "o exterminador"

segunda-feira, março 20, 2017

SEGURANÇA

Pela comunicação social ficou a saber-se que Portugal tem locais identificados como os mais susceptíveis a sofrer um ataque terrorista, e que alguns deles nem sequer têm planos de segurança validados.

A segurança em locais sensíveis, como em instalações de energia, transportes e comunicações, que podem colocar em causa o funcionamento do país, está descurada, mas descurada está também a segurança de outros locais públicos o que não devia acontecer.

Será que as instalações onde estão serviços públicos, e onde existem espaços de utilização pública estão preparados para emergências, mesmo sem serem de natureza terrorista? Existem planos de emergência nesses locais e equipas preparadas para actuar se for necessário? As saídas de emergência estão devidamente assinaladas, os extintores estão devidamente inspecionados e bem posicionados, e as comunicações entre as equipas de emergência estão asseguradas?


Tremo só em pensar o que será a segurança, ou falta dela, em equipamentos culturais, edifícios antigos e onde têm que existir situações de compromisso por questões estéticas e estruturais, onde por vezes temos enchentes de visitantes, e onde os vigilantes são muito poucos e em muitos casos sem meios de comunicação... 

Torre de Belem, uma entrada e uma só saída


Museu dos Coches, 2 elevadores e umas escadas de emergência

sábado, março 18, 2017

OS DEPUTADOS E A ÉTICA

Existe um Estatuto dos Deputados, e existem suspeitas que ele poderá ter sido violado por alguns senhores deputados.

Pelo que se sabe e é público, estamos perante a actividade de advocacia em alguns casos, e o deputado Luís Montenegro já veio afirmar que está “100% seguro” de que não está em incompatibilidade.

No caso de Montenegro terá sido porque detém mais do que 10% duma sociedade de advogados, que fez alguns contratos de aquisição de serviços jurídicos com entidades públicas.

Claro que para também sabemos que no passado o parlamento tem sido o de que as sociedades de advogados não são consideradas como actividades comerciais ou industriais pelo que ficam fora deste impedimento. Curioso entendimento, porque a venda de serviços é uma actividade comercial, como se percebe pelos impostos que incidem sobre essa actividade.


Começam agora muitos portugueses a entender porque é que os advogados que são deputados, não deviam manter a sua actividade durante o mandato, e nunca devia ser permitida a intervenção das sociedades onde têm interesses, em negócios ou assuntos envolvendo o Estado. 

O julgamento dos cidadãos é muito importante, mais do que o da Comissão de Ética, que afinal se pronuncia em causa própria.


quinta-feira, março 16, 2017

AINDA AS GRATUITIDADES NOS MUSEUS

Depois de algumas críticas interessantes que os meus amigos me fizeram chegar de um modo discreto e particular, aqui ficam alguns elementos que talvez elucidem melhor os críticos e, quem sabe, os senhores deputados.

O ponto de partida para o meu artigo anterior foi a recomendação de alargamento das gratuitidades “aos fins-de-semana, feriados e quartas-feiras para as pessoas até aos 35 anos”.

Em primeiro lugar não creio que existam estudos sobre a percentagem de entradas grátis que resultariam de tal medida. Em segundo lugar é discutível que a totalidade do universo de pessoas até aos 35 anos esteja entre os mais desfavorecidos, comparativamente ao grupo de indivíduos com idade superior a 65 anos.

A pergunta que já tinha colocado sobre a estimativa de quanto significaria a perda de receitas após a entrada em vigor desta proposta, também ficou sem resposta, como eu calculava.

Outro ângulo da questão prende-se com a dificuldade de fixação de funcionários qualificados nos museus, palácios e monumentos dependentes do Ministério da Cultura. Poucos o sabem mas os candidatos admitidos nos últimos concursos internos apenas usam estes serviços durante uns meses, pedindo quase de imediato a transferência para outros ministérios, através dos mecanismos de mobilidade, ou candidatando-se por concurso a vagas noutros ministérios.

É muito difícil fixar pessoas com vencimentos na ordem dos seiscentos e picos euros, horários de trabalho que incluem fins-de-semana e feriados sem qualquer compensação extra por isso, e com folgas que não são compatíveis com as dos seus familiares directos. Claro que a desculpa para isto é a falta de verbas para o pagamento do trabalho que devia ser considerado extraordinário, ou para considerar que esses trabalhadores estão numa carreira específica e que portanto assim devia ser tratada.

Por último quando se fala em alargar as gratuitidades amais “cidadãos”, podia inferir-se que se estavam a referir a nacionais ou residentes, mas isso não é correcto, porque as gratuitidades são igualmente extensíveis a estrangeiros, talvez mesmo a cidadãos não comunitários, como acontece hoje com os descontos praticados.


A minha pergunta do último post mantém-se: de onde virá o dinheiro para a implementação destas recomendações, sem prejudicar o funcionamento dos serviços?    


terça-feira, março 14, 2017

CULTURA - REALIDADE E FANTASIA

É muito frequente ouvir-se falar na exiguidade dos dinheiros destinados à Cultura em Portugal, e muito especialmente quando se fala no Património, que como todos sabem necessita de verbas avultadas para a sua manutenção, renovação, restauro e exposições.

Sabe-se que o Estado entregou alguns dos monumentos mais geradores de receitas à gestão privada (em Sintra), e que se não fossem as receitas que ainda se vão gerando nos museus, palácios e monumentos na dependência da DGPC, as verbas provenientes do Orçamento de Estado não suportariam sequer os vencimentos e as despesas correntes da instituição.

Pois parece que os senhores deputados não tomaram nada disto em consideração e decidiram ser “muito simpáticos” com os cidadãos, avançando com gratuitidades que terão óbvias consequências a muito curto prazo, isto se a sua recomendação constante da Resolução da Assembleia da República número 38/2017, for acatada pelo governo.


Não se julgue que estou contra as gratuitidades só porque sim, mas sim porque não se fazem omeletes sem ovos, pelo que também não é possível melhorar o acesso e a oferta do Património aos cidadãos sem as necessárias verbas, e não vi em lado nenhum alguém dizer de onde virão as ditas.


domingo, março 12, 2017

HOMEM

Desde que se cumpram certas cerimónias ou se respeitem certas fórmulas, consegue-se ser ladrão e escrupulosamente honesto - tudo ao mesmo tempo. A honradez deste homem assenta sobre uma primitiva infâmia. O interesse e a religião, a ganância e o escrúpulo, a honra e o interesse, podem viver na mesma casa, separados por tabiques. Agora é a vez da honra - agora é a vez do dinheiro - agora é a vez da religião. Tudo se acomoda, outras coisas heterogéneas se acomodam ainda. Com um bocado de jeito arranja-se-lhes sempre lugar nas almas bem formadas.


Húmus

Raul Brandão

sexta-feira, março 10, 2017

IGREJA DE SANTO ANDRÉ MAFRA

Quase todos conhecemos o Palácio Nacional de Mafra e a sua monumental Basílica, onde pontuam os dois carrilhões e os seis majestosos órgãos, e podia-se pensar que de igrejas estávamos falados, numa pequena localidade como Mafra, que se desenvolveu precisamente devido a esta construção mandada executar por D. João V.

Para além dos Mafrenses poucos conhecem uma outra igreja, também classificada como monumento nacional, situada na zona da Vila Velha, que terá sido mandada construir por D. Dinis, no século XIV.


A Igreja de Santo André é um exemplar da arquitectura gótica paroquial, e sofreu diversas obras de preservação e melhoramento ao longo dos séculos, sendo que a última grande intervenção terminou em 1930.

Nota: As foto foram retiradas da net 

Igreja de Santo André (Mafra)

Imagem anterior à última grande intervenção

sábado, março 04, 2017

O INFANTE D. HENRIQUE E A SUA AURA

Existem muitos mitos na nossa História, e a vida e obra do Infante D. Henrique é apenas um deles.

É pouco clara a responsabilidade do Infante no cativeiro e morte do seu irmão D. Fernando, no mercado de escravos negros, e a sua influência na política portuguesa até à Batalha de Alfarrobeira.

O herói da nossa História, descrito pelos nossos cronistas, como Azurara, e depois glorificado durante o Estado Novo, talvez não seja tudo o que nos contaram, mas talvez tenha tido os seus defeitos, não sendo tão perfeito como o pintaram.

A História vai sendo alterada à medida que novos factos são conhecidos, e isso tem o seu encanto... 
*
Comemorações Henriquinas 1960

quinta-feira, março 02, 2017

DIREITOS DOS CIDADÃOS

Há coisas que não consigo entender neste rectângulo à beira mar plantado, e prendem-se sobretudo com coisas que eu acho que deviam ser do conhecimento público, porque afinal acabam por interferir, e muito, com a nossa carteira, pois são os cidadãos deste país a pagar a factura.

O que se passou com a nossa banca, onde os accionistas ganharam somas muito altas durante muitos anos, gestores receberam principescamente, e a certa altura deram o estoiro, e nós (o Estado somos nós) ficámos com o menino nas mãos. Quem foi responsabilizado pelo verdadeiro saque dessas instituições, e quem foi condenado?

Agora com a Caixa Geral de Depósitos também se constatou que existe muito crédito que já voou, mas não podemos conhecer quem foram os beneficiários desses créditos manhosos, e existam apenas suspeitas de que afinal são os mesmos fulanos e instituições que também ficaram com calotes nos outros bancos falidos. Quem autorizou tal sangria, que garantias exigiu, para se saber quem esteve envolvido nestes maus negócios.


Já que são os cidadãos contribuintes que vão pagar toda esta festança, também me pergunto porque é que estrangeiros com posses ficam isentos de alguns impostos, e eu português e contribuinte, sou obrigado a pagar cada vez mais impostos? Terei que adoptar outra nacionalidade?


domingo, fevereiro 26, 2017

DISCUSSÕES SÉRIAS TÊM O SEU LADO POSITIVO

As opiniões dos historiadores sobre os quadros de suporte a uma exposição do Museu de Arte Antiga continuam a ter eco na nossa imprensa e não parece haver consenso. Argumentos de um lado e de outro colhem seguidores, e a última palavra só poderá ser a dos especialistas que eventualmente venham a analisar os quadros em questão.

Aos historiadores gostaria de dizer que o que o público deseja deles é a discussão sobre a vida em Lisboa na época a que a exposição pretende reportar.

Eu sou bastante céptico quanto a verdades absolutas e a técnicos donos da verdade, porque já detectei muitos erros nas exposições de diversos historiadores, e porque a História não é uma ciência exacta, admito o erro e acho bom que se continue a investigar e a discutir as opiniões, porque isso é saudável e é um passo positivo na procura da verdade. 

Nota: Deixo-vos duas imagens onde podem constatar um erro dum especialista que respeito, mas que também pode errar como qualquer um de nós, leigos.

Capa do Livro

Texto assinalado

sexta-feira, fevereiro 24, 2017

CULTURA E AUTENTICIDADES

Quando se discute a autenticidade das pinturas que serão expostas numa exposição do Museu Nacional de Arte Antiga, o que é perfeitamente aceitável, existem muitas coisas que passam ao lado dos historiadores, que também não são autênticas, e que não lhes merecem a devida atenção.

Todos os que conhecem bem os palácios reais sabem que o que é mostrado ao público não são os espaços exactamente como estavam no tempo dos Reis (e viveram lá bastantes), mas sim um ambiente o mais idêntico possível a um determinado período da história relacionada com o palácio.

No Palácio Nacional da Ajuda as coisas foram mais ou menos consensuais, e fáceis de conseguir, e no Palácio Nacional da Pena também se conseguiu criar uma exposição aproximada, mas nos outros palácios as coisas foram mais difíceis e pouco consensuais.

Imaginem a dificuldade em decorar o Palácio Nacional de Mafra, onde apenas o D. João VI viveu durante cerca de um ano, tendo os outros Reis  passado lá em muito poucas ocasiões, ou no Palácio da Vila de Sintra que foi usado ao longo de muitos séculos como residência de Verão e como sala de visitas para altos dignitários estrangeiros, e compreenderão como as decorações são muito discutíveis.

Para exemplificar o que digo deixo-vos umas aguarelas de Enrique Casanova, de espaços que já não existem como estão representados e uma fotografia duma cama que nem sequer está em exposição, que estava nuns aposentos que nem sequer são hoje visitáveis.

Vamos mesmo discutir a autenticidade de tudo?

Cama do Quarto da rainha D. Maria Pia

Quarto de D. Luís

Quarto Toilette

Sala do Despacho

quarta-feira, fevereiro 22, 2017

NEGÓCIOS, PROTECCIONISMO E BALELAS

Tem sido norma ouvir-se que Portugal tem um mercado de trabalho excessivamente protegido, e que isso é prejudicial para a produtividade, competitividade e atracção de investimento estrangeiro. As vozes que se ouvem neste sentido são sempre as ligadas aos grandes negócios e empresas, seus representantes e os comentadores e economistas que gravitam em torno dos seus interesses.

A realidade é pouco favorável a estes senhores que se intitulam de liberais, porque em Portugal é facílimo o despedimento colectivo, a precariedade é maior do que a média europeia, e os sindicatos em Portugal são menos fortes do que na maioria dos países mais desenvolvidos da Europa.

Um pequeno exemplo da falta de protecção do emprego e dos direitos dos trabalhadores, em Portugal, relativamente ao que se passa nos países que mais nos têm criticado, é o caso da possibilidade da compra da Opel pela PSA, que mereceu a intervenção da própria chanceler alemã, Angela Merkel, que conduziu à promessa de Carlos Tavares, chairman da PSA de proteger os funcionários da Opel.


Imaginem senhores liberais o que diriam vocês da Intervenção no mesmo sentido do nosso 1º ministro, relativamente à compra por alguma empresa estrangeira de outra ainda nacional (raridades)…

Lohner Porsche o 1º Híbrido

segunda-feira, fevereiro 20, 2017

VISÕES SOBRE PORTUGAL

A poucos dias da inauguração da exposição “ A Cidade Global” no Museu Nacional de Arte Antiga, importa saber como é vista pelos estrangeiros a sociedade portuguesa em determinadas épocas da nossa História.

Esta exposição que pretende mostrar a Lisboa do Renascimento, suportada por dois quadros que são considerados polémicos por alguns especialistas nacionais, está de acordo com diversos autores estrangeiros como Roger Crowley ou Martin Page, e afasta-se bastante duma visão presa a complexos que nos vinha a ser transmitida por historiadores nacionais.

O modo como vimos e o modo como fomos vistos por estrangeiros é diverso, e se os últimos pensam que Portugal mudou o mundo e criou o primeiro Império Global no século XVI, nós somos mais modestos e apenas nos concentramos nas descobertas e na expansão da fé cristã, e não nas suas consequências, excepto na riqueza do rei D. Manuel e nas suas maiores manifestações, os monumentos e a embaixada ao Papa.

Vem a propósito recordar que quando falamos do nosso século XVIII vamos directamente para o D. João V, para o ouro do Brasil, e para o Convento de Mafra e não conseguimos relatar como era a nossa sociedade por esses dias com a crueza que o fazem autores como Johann Heinrich Friedrich Link que nos descrevem como um povo em clausura monástica, em que as procissões eram um acontecimento social, quase que como um carnaval, em que serviam de manifestação exterior de religiosidade, mas que socialmente é uma festa e uma ocasião para se conviver, mostrar e até conveniente a nível político, em que o monarca não se inibia de participar colhendo assim popularidade.


O contraste entre a visão dos nossos historiadores e a dos viajantes e investigadores estrangeiros é enorme, e faz-nos meditar sobre o que realmente fomos…


sábado, fevereiro 18, 2017

D. AFONSO VI – A ANULAÇÃO DO CASAMENTO

D. Maria Francisca alegando a incapacidade do marido, resolvera separar-se dele. Escreve uma carta, comunicando-lhe que recolhia ao Convento da Esperança e ia requerer a anulação do casamento para regressar ao seu país, levando o dote que trouxera Nessa mesma data dirigia ela uma epístola ao Cabido da Sé de Lisboa, informando-o das suas intenções, nestes termos:

Apartei-me da companhia de Sua Majestade, que Deus guarde, por não ter tido efeito o matrimónio em que nos concertámos, e por não poder sofrer mais tempo os escrúpulos da minha consciência, que me fez dissimular até agora o amor que tenho e me merecem estes reinos. Esperoque Sua Majestade, como melhor testemunha da minha razão, a declare para me recolher brevemente a França sem embaraço a minha pessoa.

E rogo ao Cabido da Santa Sé desta cidade, a quem por seus ministros toca ser juiz desta causa a queira mandar abreviar quanto for possível, favorecendo em tudo o que for justo a uma estrangeira magoada da desgraça de não poder viver na terra que veio buscar com tanto gosto.

E pode muito confiadamente entender de mim o Cabido, que em toda a parte em que assistir, saberei reconhecer a cortesia com que me trataram.

Lisboa, 22 de Novembro de 1667


Maria Francisca Isabel de Saboia