terça-feira, junho 30, 2015

MÁ GESTÃO OU GESTÃO DANOSA?

A crise que o país atravessa e o memorando assinado com a troika, não podem servir para justificar a gestão ruinosa dum governo que teima em vender o país a pataco, por manifestamente não ser competente na gestão do património do Estado.

A venda da ED, da REN, da ANA e da TAP, numa altura que foi tudo menos oportuna, e por valores muito baixos, deixaram a fazenda pública praticamente só dependente da cobrança de impostos, e retiram ao Estado instrumentos para regular serviços absolutamente vitais ao país.

Destas empresas apenas a TAP se encontrava em situação económica difícil, e todas as outras davam lucros que garantiam algum desafogo à tesouraria pública. A TAP podia ser ajudada pelo Estado, ao contrário do que nos fizeram crer, como aconteceu com a LOT, que apresenta um futuro risonho.

O Tribunal de Contas veio agora dizer que a venda da REN e da EDP foi má para os interesses do Estado e que os dividendos anuais das duas garantiam muito mais dinheiro do que o obtido com a sua privatização.


Um grupo de gestores que tivesse feito maus negócios destes, numa empresa privada seria despedido de imediato, para além de enfrentar processos em tribunal por gestão danosa. É uma pena que o mesmo não aconteça a quem desbarata o património de todos nós e faz negócios claramente prejudiciais ao Estado.


quinta-feira, junho 25, 2015

O SUICÍDIO DO EURO



O folhetim da Grécia continua a ser mantido e agora já não me parece que seja por culpa dos governantes gregos, mas sim da intransigência dos credores que claramente querem punir a desfaçatez dum governo que ousou dizer bem alto aquilo que já se sabia, a receita prescrita pela troika falhou redondamente os seu objectivos.

Quando os credores querem ditar onde e como os devedores devem cortar, ou onerar com impostos, estamos perante uma ditadura do capital com clara ingerência na soberania dos países devedores. A estratégia nem sequer é inteligente, pois a continuação do sufoco das economias em dificuldades, torna cada vez mais improvável o pagamento das dívidas.

A estratégia dos países do euro é suicidária, e aquilo que se dizia ser a moeda comum é cada vez mais a moeda de alguns, e aos países com economias mais débeis só resta um caminho que é a porta da saída.


Um detalhe de uma pintura de Bosch

domingo, junho 21, 2015

ESTAREMOS RICOS SEM O SABER?

O discurso seguidista e submisso deste governo, que afirma ter os cofres cheios e de ter feito sair o país do sufoco em que estava metido, não tem tradução nos bolsos dos portugueses nem nas políticas de austeridade com que nos brindam.

Veja-se que Portugal é o país da UE onde os juros da dívida mais pesam no PIB, acima da Itália e mesmo da Grécia, o que não abona nada este governo. O aumento da dívida pública também não é nada abonatório.

Quando falo da “riqueza” do país refiro-me ao preço da energia, que é o 2º mais alto da União Europeia, o que onera toda a produção, muito mais do que os salários, que por seulado são dos mais baixos da UE. Podia acrescentar o preço das telecomunicações, que também está entre os mais caros, o que não é de descartar.


Podem-se debitar loas à “boa” governação deste governo, mas isso não passa de propaganda, porque a realidade fala mais alto.  


sexta-feira, junho 19, 2015

A GESTÃO DO PATRIMÓNIO



Já estamos todos fartos de ouvir a ideia de que a gestão privada dos bens públicos é melhor do que a gestão pública, e que na área do Património, já resultou em Sintra e deve vir a resultar na zona do eixo Belém/ Ajuda.

Começando pelo princípio, temos que a gestão do Património já é integrada há dezenas de anos, já que os museus e monumentos do sector público deixaram há muito de ter autonomia administrativa, estando dependentes duma única entidade, que já foi o IPPC, o IPPAR ou agora a DGPC. A rentabilização de estruturas de apoio, como a bilhética, as compras, as obras, as lojas, a informática, a segurança e a limpeza, há muito que dependem duma só entidade.

Chegados aqui, só há uma razão para o falhanço das entidades públicas, que é a incompetência na gestão do tal Património. Claro que as coisas não se resumem ao preto e branco, e temos também o excesso de burocracia em todos os processos, o excesso de centralização da decisão, que incrivelmente depende quase sempre do aval das Finanças, e a morosidade no processo de decisão por todos estes motivos.

A prova de que tudo isto é verdade está no facto de se saber que o professor António Lamas foi responsável no sector público, e não conseguiu dar a volta ao problema, e depois sem o espartilho da burocracia inerente à dependência estatal, conseguiu levar para a frente a Parques de Sintra, transformando-a num caso de sucesso. A pessoa é a mesma, apenas o tipo de gestão mudou.

Em conclusão temos que o Estado gere mal, porque não confia nos seus nomeados, não sabe estabelecer metas dando meios para serem atingidas, e teme vir a responsabilizar os responsáveis por incompetência. Renove-se a cúpula e deixemo-nos de dizer asneiras fazendo discriminação entre o sector público e o privado, sendo que em ambos temos gente competente e incompetente. 

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segunda-feira, junho 15, 2015

BOMBA AO RETARDADOR



A possível saída da Grécia do euro, resultado do incumprimento dos seus compromissos, é uma ameaça clara para Portugal, que será a próxima vítima dos mercados onde a especulação domina ditando as regras nos ratings.

As posições do governo e de Cavaco Silva, sempre alinhadas com a todo poderosa Alemanha, são uma aposta errada, porque se a Grécia cair, não podemos esperar que Merkel nos defenda, e é bem provável que alguém nos venha recordar a frase de Cavaco dizendo “que há regras e procedimentos que não podem ser ignorados e que não pode haver excepções”.

Se o pior acontecer à Grécia, devido à intransigência da troika, ficaremos cientes de que a solidariedade europeia, com que nos venderam a União Europeia e a moeda única, sem nunca serem referendados, é uma miragem, porque prevalece a força dos mais poderosos.



sábado, junho 13, 2015

A AUSTERIDADE À PORTUGUESA

Como os cofres estão cheios e os portugueses continuam a pagar impostos estupidamente altos, o governo continua a "alugar" uns carritos para os seus muitos assessores e chefes de gabinete, que como auferem salários de miséria, necessitam de ajuda para as deslocações para os ministérios.

Desta vez foram mais 34 as viaturas contratadas, que a somar às outras que já existiam, devem perfazer uma frota bem jeitosa, que o povinho vai pagando "alegremente".

Esta austeridade é cada vez mais hilariante...


quinta-feira, junho 11, 2015

CHRISTOPHER LEE (1922-2015)

Christopher Lee protagonizou muitos filmes de variados estilo mas, para mim, ficará sempre ligado ao personagem de Conde Drácula, que me marcaram na minha juventude. Ainda recentemente o vi no Senhor dos Anéis, e fui a correr para rever os seu velhos desempenhos destacando aqui um trabalho com outro amigo também com a mesma conotação, Peter Cushing.


segunda-feira, junho 08, 2015

TRABALHO, MOTIVAÇÃO E SATISFAÇÃO



Depois de muitos anos em posições de liderança de equipas aprendi e pratiquei muitas coisas que, quase sempre, foram encaradas pelas altas chefias com muita desconfiança. Uma das razões que mais os incomodava era que eu não aceitava que os trabalhadores é que se tinham que adaptar à empresa, porque considero isso como uma limitação à criatividade e à inovação.

Não consigo imaginar duas ou três dezenas de indivíduos, de diferentes idades, com formações diferentes, com feitios diversos e com diferentes experiências, possam pensar todos do mesmo modo. 

Pelo contrário acho que às lideranças cabe estabelecer claramente os objectivos, acompanhar de perto o grupo dando toda assistência necessária para a ultrapassagem dos problemas, e fazer sentir a cada um a sua importância dentro do grupo.

Lamento que ainda haja muita gente que ache que se deve forçar as pessoas a um procedimento, comportamento e modo de trabalhar absolutamente igual, não respeitando a sua diversidade e não deixando espaço para a sua criatividade, que muitas vezes podia vir a ser preciosa.    



sábado, junho 06, 2015

QUESTÕES DE FUNCIONALIDADE

O novo Museu dos Coches tem suscitado diversos comentários, a favor e contra, que são naturais já que o gosto das pessoas é diverso e livre.

Não sou um admirador do edifício, mas o que para mim está em causa é se ele está adequado à função que para ele está desde sempre destinada.

Só por curiosidade deixo aqui um vídeo que tem origem no Jornal de Negócios online, em que podemos ouvir o arquitecto português Ricardo Bak Gordon, que foi um dos responsáveis pelo projecto, e como podem constatar não faz qualquer referência à funcionalidade do mesmo.


Como opinião pessoal deixo apenas a observação: um museu feito de raíz, cuja colecção era bem conhecida à partida, devia ter tido um projecto virado para o usufruto pleno e agradável dos diversos público, e não ser uma obra feita apenas para satisfação de quem o concebeu.


quinta-feira, junho 04, 2015

O EMPREGO E O ESTADO

Muitos governantes, diversos políticos e bastantes comentadores têm usado as suas tribunas para zurzir nos funcionários públicos, como se todos os males que afligem os portugueses.

Hoje apeteceu-me falar do Estado empregador, porque afinal os funcionários públicos dependem exclusivamente dos governos e das chefias por ele designadas.

Comecemos pela taxa contributiva para a Segurança Social que o Estado descurou durante anos a fio, embora venha agora questionar a CGA, sobre a qual é o único responsável pelas decisões que tomou sobre o sistema, que hoje está fechado.

Outro aspecto que poucas vezes vem a público é que apesar de se terem colocado na mobilidade alguns milhares de funcionários, que se dizia estarem a mais na função pública, a verdade é que existem 46 mil desempregados a trabalhar em serviços da administração pública, local e central, e mais alguns milhares de pessoas a recibos verdes a desempenhar funções em vários ministérios e na administração local.

Esta situação, de recurso a desempregados, já foi considerada pelo Provedor de Justiça como trabalho ilegal, e é incompreensível que o Estado mande os seus funcionários para a mobilidade e depois recorra a desempregados para fazer trabalho “socialmente necessário”, sem nada receberem para além duma bolsa no valor máximo de 80 euros.


Nem me vou debruçar sobre a quebra dos contratos e da confiança que ao longo dos últimos anos têm sido uma vergonha para um Estado que se diz de direito… 


terça-feira, junho 02, 2015

A COMISSÃO LIQUIDATÁRIA

Foi criada há poucos dias a empresa pública Infraestruturas Portuguesas, que por mero acaso é a maior empresa nacional, com activos de 27 mil milhões de euros, que resulta da fusão da REFER com as Estradas de Portugal.

Podia discutir esta fusão, mas não é isso que me trouxe aqui, mas sim a possibilidade de privatização desta empresa, admitida pelo secretário de Estado dos Transportes.

Este governo deixou de tentar dirigir o país, tal a sua incompetência, e transformou-se na comissão liquidatária de Portugal. É ridículo pensar sequer em privatizar infraestruturas nacionais e não sei o que pensou a sumidade, Sérgio Monteiro, quando falou em privatizar uma empresa com este nome, que bem podia vir a cair em mãos estrangeiras, mas afinal isso também aconteceu com a EDP.

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Frase: O meu pai deixou-me rei das estradas de Portugal.
D. João II


segunda-feira, junho 01, 2015

AS PENSÕES A DANÇAR

Tem sido degradante assistir às discussões sobre a sustentabilidade das pensões dos portugueses, feita pelos partidos que têm partilhado o governo e os chamados “especialistas” na matéria, geralmente ligados a grandes empresas ou aos ditos partidos.

As soluções apontadas têm sido sempre a da diminuição dos montantes a pagar a quem se reforma, como se essa fosse a única possível. Outra conclusão dessas mentes brilhantes é que a descida da TSU, de patrões e empregados, poderia potenciar o emprego e consequentemente mais receitas para a Segurança Social.

Estas discussões estão pervertidas à partida, quando se sabe que o Estado descurou durante muitos anos a contribuição que lhe competia enquanto empregador, por decisão de vários governos que, não contentes com isso, usaram e abusaram de dinheiros da Segurança Social para outros propósitos, desbarataram fundos de pensões de várias empresas, deixando os encargos para a S. S., e atribuíram a políticos e não só, pensões em nada condizentes com as contribuições feitas para o sistema.


Será que estamos condenados a pagar para não ter beneficiar dessas contribuições? Não existirão outras formas de financiar as pensões, evitando assim a descida das mesmas?