segunda-feira, junho 30, 2014

OUTRA VEZ EM RISCO



Há quatro anos “estoiraram” uns quantos bancos por esse mundo fora e a crise económica assentou arraiais, sentindo-se mais fortemente nos países com economias mais débeis.

Por cá os bancos que se tinham aventurado em cavalarias altas foram apanhados com as calças nas mãos, e também aqui o governo acabou por arcar com os prejuízos, transferindo as dívidas para os cidadãos que foram chamados a pagar mais impostos, entre outras medidas também penalizadoras.

Ao contrário do que nos “impingiram” não foi a dívida pública que obrigou os governos a medidas excepcionais, pois ela até era inferior à média europeia.

Agora estamos perante nova ameaça, novamente vinda da área financeira, o BES. Podem dizer que o banco não corre nenhum risco, mas os efeitos da má gestão do grupo já se começam a sentir, e esperemos não ter que pagar os desmandos duma família que não soube gerir da melhor maneira o seu património… 


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domingo, junho 29, 2014

PRESENTE



"É preciso fazer um esforço contínuo para amar o presente. Viver pelo passado, pelo que se fez, pelo que se conseguiu, é o mesmo que alimentar uma fome premente com banquetes de outrora."



sábado, junho 28, 2014

OS NOSSOS MUSEUS E A SOCIEDADE CIVIL

Testemunhei há poucos dias uma polémica em torno do abate duma árvore centenária situada à frente dum palácio, em que uns atacavam pura e simplesmente o abate, e outros tentavam explicar que o seu estado já era uma ameaça à segurança de quem passava por perto da mesma.

Os portugueses podem ser persistentes na defesa do que julgam ser parte do seu património e da sua identidade, mas poucas vezes são chamados a colaborar, ou se voluntariam para ajudar a preservar o que temos.

É de louvar a iniciativa de que levou a que todos pudessem ver 22 propostas de alunos de arquitectura do Instituto Superior Técnico para a ampliação do Museu Nacional de Arte Antiga, situado nas Janelas Verdes, em Lisboa.

Todas as instituições onde se guarda e preserva parte do nosso património têm que ultrapassar inúmeros problemas, que passam pelas dificuldades no investimento, problemas de optimização de espaços expositivos, acessibilidades, circulação de visitantes, conservação de estruturas, e muitos outros de natureza técnica. Os meios nem sempre acompanham as necessidades e há que ter prioridades, o que é sempre controverso.


O envolvimento da sociedade civil na salvaguarda do património é necessária e até indispensável, o que se deseja é que seja construtiva, porque é muito fácil criticar, o que é difícil é fazer algo ou arregaçar as mangas e colaborar ajudando a melhorar o que achamos que é de todos nós.  


quinta-feira, junho 26, 2014

AS DIFERENÇAS ENTRE PORTUGAL E ALEMANHA

Foi quase hilariante ler o que Paulo Portas mais admira na Alemanha, e ao mesmo tempo ver outros títulos do mesmo jornal online, exactamente no mesmo dia.

Paulo Portas afirmou que “ mais vale uma boa negociação do que 10 mil manifestações”, e que o que deve estar sempre em causa é “compromisso, compromisso, compromisso”. Dificilmente Portas pode afirmar que o “seu” governo respeita os compromissos, mas isso é apenas um pormenor, para quem joga essencialmente com palavras.

No mesmo jornal e bem perto da notícia da admiração de Portas vinha outra, onde o presidente da Siemens afirmava que “quem for para engenharia (em Portugal), tem emprego garantido” na Alemanha. Outro título logo abaixo é: “sabe qual é a diferença entre Portugal e a Alemanha no primeiro salário de um engenheiro?”, que revela ser 2 vezes maior.

Claro que há diferenças entre Portugal e a Alemanha no campo laboral, mas este discurso devia ser para os empresários portugueses, para os políticos nacionais e sobretudo para o governo, que é responsável pela desregulação do mercado laboral, pela quebra sucessiva de compromissos assumidos para com os cidadãos e promessas quebradas após ser eleito.


Paulo Portas devia ter vergonha das comparações, mesmo não tendo caído na esparrela, como Passos Coelho, de criticar o Tribunal Constitucional, o que os alemães não fazem.  


terça-feira, junho 24, 2014

O QUE MAIS NOS INDIGNA

O sector bancário foi o responsável pela actual crise que atingiu quase todo o mundo ocidental, mas o ónus dos desvarios dos senhores da alta finança recaiu completamente sobre os restantes cidadãos, tendo os gestores e accionistas recebido milhões que corresponderam a aumentos de impostos, despedimentos e perdas de direitos laborais e sociais.

O cartoon mais abaixo refere-se a um dos responsáveis pela falência do Lehman Brothers, mas bem podia tratar-se de um responsável dos muitos bancos nacionais, que também são responsáveis por muito do que está a pesar sobre todos nós.

O cerne da questão é mesmo a falta de Justiça e a constatação de que o poder político é apenas uma extensão do poder económico, cá dentro e lá fora.
 

domingo, junho 22, 2014

ESTRATÉGIA NÃO CONFESSADA

Este governo tem demonstrado pela acção, ter uma agenda concreta favorável ao capital em detrimento do trabalho, que muitos caracterizaram como ultraliberalismo.

O ataque à legislação laboral tem sido uma constante que marca a actuação de Passos Coelho enquanto 1º ministro, demonstrando que para o governo a defesa das empresas vem primeiro, e só depois virão os direitos dos trabalhadores.

Com as alterações das legislação laboral transferiram-se dinheiros que eram rendimentos do trabalho para as empresas, coisa que nem a TSU tinha conseguido.

Uma das últimas alterações foi a continuação, dita excepcional, da remuneração reduzida do trabalho extraordinário, que consegue transformar este trabalho extraordinário num trabalho mais barato que o trabalho normal.


A desvalorização do factor trabalho tem “engordado” o bolso das empresas, mas o que podia ser aproveitado para reforçar o capital das mesmas, não aconteceu e foi direitinho para o bolso de empresários e gestores de topo, mantendo as empresas frágeis e dependentes de financiamento externo sempre que se lançam em novos negócios, o que onera inevitavelmente a produção.


quinta-feira, junho 19, 2014

UM CERTO PORTUGAL DE SUCESSO

Desde o consulado de Cavaco Silva que se ouve falar de empresários e de gestores de sucesso, que fizeram coisas inovadoras, ou que pura e simplesmente sobressaíram nas áreas onde se moviam.

Quem não se lembra dos nomes que dominaram o BCP, o BPN, o BPP, o BANIF e o Espírito Santo, para citar apenas alguns? Todos eles eram notícia ainda há poucos anos pelo sucesso à frente das suas instituições.

Os tempos mudam, a crise surge, e do sucesso passa-se ao descrédito, dos louvores passa-se às crítica, em alguns casos chama-se mesmo a polícia, mas quase todos eles passam incólumes a tudo isso, continuando à solta e bem na vida, como se nada se tivesse passado.

A memória dos portugueses pode ser curta, mas o que esses homens de sucesso fizeram pesa agora muito na carteira dos que pagamos impostos. Quem os elegeu como gente de sucesso continua a sua senda em bons cargos, com reformas chorudas e de carteira bem recheada, sem qualquer remorso e sem nenhum arrependimento.


Portugueses, meditem bem e vejam se não voltam a enganar-se na escolha que fazem quando vão às urnas, porque eles andam aí, e candidatam-se ao poder, ou encostam-se a outros nomes menos “desgastados” perante a opinião pública.


terça-feira, junho 17, 2014

PENSAMENTO

"Partido político é um agrupamento de cidadãos para defesa abstracta de princípios e elevação concreta de alguns cidadãos."

Carlos Drummond de Andrade 
Livre-se de coelhos...

quinta-feira, junho 12, 2014

AS POUPANÇAS NA DESPESA



Este governo anda a enganar os portugueses quando afirma que tem funcionários a mais e que a única solução para baixar a despesa é despedir pessoal.

A despesa com pessoal pode ser um desperdício, ou não, tudo dependendo dos serviços que se prestam e da sua utilidade para os cidadãos. 

O caso que melhor demonstra que o encerramento de serviços públicos, causados por falta de pessoal e pela “racionalização” feita pelo governo é o das Lojas do Cidadão e das Conservatórias do Registo Civil, que se reflecte em dias perdidos pelos cidadãos para obtenção do cartão do cidadão.

O Estado tem muitas despesas de que não se fala, e nas quais não se quer mexer, como a aquisição de serviços, muitos desnecessários e outros que podiam ser feitos internamente, nas PPP’s que servem apenas para garantir lucros, ou em rendas excessivas como as da EDP.

Talvez hajam pessoas que estejam a mais no Estado, em alguns serviços, ou em algumas funções, mas que fazem falta noutros, mas há muito pessoal que está colocado por confiança política e que depois acaba por ficar em lugares criados à sua medida, que não são certamente aqueles que o governo quer despedir ou mandar para a mobilidade.

Quem tem sido iludido pela poupança na despesa do Estado, em salários, talvez deva pensar melhor se também deseja passar mais horas na fila para obter o cartão do cidadão, para renovar a sua carta de condução, ou para receber cuidados de saúde…



terça-feira, junho 10, 2014

PROCURAR O SONHO É PROCURAR A VERDADE



A única realidade para mim são as minhas sensações. Eu sou uma sensação minha. Portanto nem da minha própria existência estou certo. Posso está-lo apenas daquelas sensações a que eu chamo minhas. 
A verdade? É uma coisa exterior? Não posso ter a certeza dela, porque não é uma sensação minha, e eu só destas tenho a certeza. Uma sensação minha? De quê? 
Procurar o sonho é pois procurar a verdade, visto que a única verdade para mim, sou eu próprio. Isolar-se tanto quanto possível dos outros é respeitar a verdade. 

Fernando Pessoa


sexta-feira, junho 06, 2014

A DIMENSÃO DO PROBLEMA

Ao ouvir a ministra das Finanças falar da «dimensão do problema» que resulta dos chumbos do Tribunal Constitucional, nós ficamos com a impressão que os ataques ao bolso dos portugueses, não vão ficar por aqui.

A dramatização de Maria Luis, que teimou em repetir as palavras «incerteza», «imprevisibilidade», e «dúvidas», não deixa de ser caricata, porque os portugueses andam há 3 anos a repetir as mesmas palavras, mas por causa das medidas que o governo tem vindo a tomar, que afectam o rendimento das famílias.


O que está plenamente «clarificado» para todos nós é que há cortes que eram excepcionais, irrepetíveis, e temporários, que a senhora ministra quer transformar em permanentes. Também está bem «clarificado» que nenhum português deu mandato a este governo para cortar salários, baixar pensões e para facilitar despedimentos…  


quarta-feira, junho 04, 2014

SOBRESSALTO GOVERNATIVO



Deve ser um problema meu, mas a cada declaração dos nossos governantes, mais destoa a prática do discurso.

Uma das últimas frases de Passos Coelho é simplesmente exemplar, porque é estranho ouvir de quem tem quebrado sistematicamente a Lei Fundamental, que “não podemos estar num permanente sobressalto constitucional”.

Também é por demais estranho que o executivo peça “ajuda” a Belém para obter uma clarificação ao Tribunal Constitucional, quando os constitucionalistas que são chamados a comentar esta aclaração, são unânimes em dizer que nada há a aclarar e que este mesmo governo legislou recentemente no sentido de não ser haver qualquer aclaração das decisões do tribunal.

Outra curiosidade é a “determinação do executivo em criar estabilidade”, porque as constantes alterações sofridas pelos desempregados, reformados e funcionários públicos no que toca a rendimentos, indiciam um alto grau de instabilidade, ou será que Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque não dão por isso?


CARTOON
Estabilidade salarial