quinta-feira, outubro 31, 2013

OS DISSIMULADOS



A credibilidade deste governo, e sobretudo a dos dirigentes maiores dos dois partidos que sustentam a coligação, está completamente de rastos, mas eles ainda não o perceberam.

As promessas não cumpridas de Passos Coelho e a irrevogabilidade das decisões de Paulo Portas dizem tudo sobre o valor da palavra dos dois.

O guião ontem apresentado por Portas, para a reforma do Estado, foi mais uma manobra de dissimulação dos cortes que o executivo pretende fazer sem oferecer nada de concreto para os portugueses, com os tais cortes. Dizer simplesmente que se propões menos Estado em troca de menos impostos é uma falácia absoluta pois todos sabemos que se privatizam todas as empresas públicas que davam lucro, e que os serviços que não dão lucro serão privatizados mas implicarão indemnizações compensatórias. Isto será igual a menos Estado mas mais encargos que todos pagaremos com mais impostos.

Outra incongruência absoluta é dizer-se que querem menos funcionários mas mais bem pagos, quando ao mesmo tempo justificam cortes de salários públicos com o argumento de quererem nivelar os salários públicos com os do privado.

A agenda neoliberal deste governo ficou bem patente nas intenções de privatizar o ensino, e a saúde, na intenção de introduzir o plafonamento das reformas, e na intenção indisfarçável de alterar a Constituição Portuguesa sob pretexto de limitar o défice.
 
Estão ultrapassados todos os tipos de dissimulação e todas as formas enganar o povo. Estas tácticas já foram chão que deu uvas, mas hoje está estéril e ninguém está mais disposto a enfiar o barrete.

terça-feira, outubro 29, 2013

MAIS UM DISPARATE LEGISLATIVO



Este governo não consegue parar de nos surpreender com medidas simplesmente disparatadas, mesmo em tempos de crise, que é quando se exige o máximo de ponderação.

Enquanto o país se afunda numa depressão colectiva que vai escondendo uma revolta generalizada, por não haver quem consiga vislumbrar tempos melhores num futuro mais ou menos próximo, temos políticos que se permitem perder tempo com inutilidades.

Imagine-se que a senhora ministra da Agricultura se prepara para fazer aprovar um diploma legal que limita a dois o número de cães por apartamento, ou de quatro se a preferência for por gatos.

Para o futuro teme-se que o ministro do ambiente regulamente qual a cilindrada dos carros, ou o número de assoalhadas permitido por casal, ou a ministra das Finanças imponha um qualquer número de cuecas por pessoa, para evitar que os estendais dêem mau aspecto na fachada ou nas traseiras dos apartamentos.


domingo, outubro 27, 2013

PANCADINHAS DE AMOR

Eu não vejo telenovelas há muitos anos, mas fui bombardeado por estes dias com o espectáculo da Liliane Marise que teve lugar nos telejornais da noite, que vejo à hora de jantar.

Pelas notícias percebi que o grande "exito" da "cantora" era a música "Pancadinhas de amor", que vos deixo abaixo, o que me fez descortinar a razão de alguma violência doméstica que tem sido notícia.

Não sei se a Bárbara Guimarães e o Carrilho gostaram da música, mas que as coisas estão ligadas, lá isso estão.

sábado, outubro 26, 2013

IDENTIDADE



Preciso ser um outro
para ser eu mesmo

Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta

Sou pólen sem insecto

Sou areia sustentando
o sexo das árvores

Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro

No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço


Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"



quinta-feira, outubro 24, 2013

INIMIGO PÚBLICO



Devia começar este post dizendo que a mim, Passos Coelho nunca me enganou, porque tenho a certeza absoluta de que terá enganado muitos dos que nele votaram.

Foi curiosa a afirmação, ainda que irreflectida, de Passos Coelho ao dizer “eu não tenho amigos”.

Ao ser acusado de favorecer os grandes grupos económicos em detrimento dos cidadãos, a propósito dos muitos sacrifícios a estes exigidos, versus os benefícios fiscais dos primeiros, terá tentado negar, mas não foi feliz na escolha das palavras.

A realidade porém, é dura para com Passos Coelho, e é correcto afirmar-se que “ele tem mais inimigos do que amigos”, e tudo tem feito para que isso seja uma verdade incontestável.


terça-feira, outubro 22, 2013

OS CUSTOS DO RESPEITO PELA CONSTITUIÇÃO



Já não levo a sério o Presidente da República Portuguesa, Cavaco Silva, em assuntos que se prendem com o respeito pela Constituição Portuguesa, e a gota de água no que respeita a esta afirmação tem que ver com a sua afirmação de que a fiscalização preventiva pode ter elevados custos.

Todos sabemos que a Democracia tem custos, desde os das eleições, aos custos que tem um Governo, a Assembleia da República, os autarcas, etc. A alternativa sem custos seria porventura a anarquia, mas mesmo assim existiria uma factura a pagar, à posteriori.

A instituição Presidência da República é a responsável pelo funcionamento de todas as instituições Democráticas, e como tal o titular do cargo é responsável pelo respeito escrupuloso pela Constituição, que jurou defender.

Não é defensável nem razoável que o Presidente de exima de suscitar a fiscalização preventiva em caso de dúvida, e depois venha a suscitar a fiscalização sucessiva logo após a sua aprovação.