sexta-feira, julho 26, 2013

A VERDADE E A LEGITIMIDADE



Este governo é legítimo na medida que resultou de eleições livres, contudo esta legitimidade é formal, porque há muito que perdeu a confiança da maioria dos cidadãos devido à sua propensão para faltar à verdade.

Tudo começou logo depois da tomada de posse, quando começou a fazer o contrário do que tinha prometido. As promessas foram quebradas, os objectivos foram falhando sucessivamente, as previsões estavam todas erradas, o governo falhou redondamente, e mesmo na hora da demissão os ministros recusam aceitar os seus falhanços.

A mentira na política passou a ser comum, a palavra de alguns políticos não vale mesmo nada. Hoje toma-se uma decisão irrevogável, que logo a seguir é revogável. Hoje diz-se que não se conhecia um problema, amanhã diz-se que não se conhecia era a extensão e gravidade desse problema.

O país está de rastos e isso deve-se a uma classe política que tem passado pelo poder, mostrando incompetência, falta de palavra e sem saber assumir os seus erros. Se alguma coisa deve mudar na nossa Constituição deve ser a responsabilização dos governantes pelos seus actos de gestão danosa, bem como a possibilidade da sua destituição sempre que a sua governação seja contrária ao que constava no seu programa eleitoral.

Precisamos de gente séria no governo dos nossos destinos e não de carreiristas políticos que se servem de todas as artimanhas para ascender na vida e alcançar assim o poder, sem nunca se preocuparem com as necessidades dos cidadãos a quem deviam servir. Governar é servir e não servir-se…


CARTOONS

terça-feira, julho 23, 2013

O INEVITÁVEL CORTE DE CABELO



Há quem ande para aí a dizer que é preciso cortar nas despesas do Estado, cortando nos funcionários, (ainda mais) nos salários e nas pensões, bem como em todo o estado social, porque só podemos ter o que podemos pagar.

Convém esclarecer que a dívida pública foi conseguida por falta de visão estratégica dos governantes, de erros colossais nas apostas feitas em betão, alcatrão e projectos megalómanos para os quais não havia dinheiro, surgindo assim as PPP’s que todos andamos a pagar.

Alegremente e inconscientemente, a dívida foi-se acumulando e as assimetrias sociais também. Os políticos não se sentem responsáveis, nem agora que os encargos da dívida sufocam a economia e não permitem o investimento. A parcela do orçamento que vai para os encargos da dívida é um tabu.

Todos sabem que o país, deprimido como está com a dose incomportável de austeridade, não poderá jamais pagar a dívida aos níveis em que ela está. Brinca-se com cortes para cá e para lá, como se daí se visse alguma solução para o problema. Não há solução, a menos que seja perdoada metade da dívida (haircut) e se mudem radicalmente as políticas e os políticos.

A agonia a que estaremos condenados com a falta de coragem de Cavaco Silva e Passos Coelho, vai condenar o país à penúria e à inevitável revolta com consequências difíceis de prever.


domingo, julho 21, 2013

ÚLTIMA HORA


POLÍTICOS




"Eu continuo a ser uma coisa só, apenas uma coisa - um palhaço, o que me coloca em nível bem mais alto que o de qualquer político." 

Charlie Chaplin






"A vocação de um político de carreira é fazer de cada solução um problema."

Woody Allen


CARTOON

quinta-feira, julho 18, 2013

A CORDA VAI PARTIR



Quando este governo subiu ao poder, já fez dois anos, disse que iria seguir as indicações da troika, indo até mais longe, e iria fazer descer a dívida pública. A receita da troika era o programa de governo para Passos Coelho, diziam os governantes.

Os impostos subiram estupidamente, os salários e as pensões sofreram cortes brutais, e os direitos sociais foram atacados sem pestanejar, a bem do país e dos cidadãos, diziam os governantes.

A dívida pública subiu em dois anos cerca de 30%, estando já perto dos 130%, mas ainda assim temos quem persista na receita que aqui nos fez chegar. Negociar a dívida é um tabu, ainda que à boca pequena se diga que, a menos que haja um “corte de cabelo” de 50% da dívida pública, o país não terá hipóteses de honrar os compromissos e crescer.

Os indicadores de pobreza já revelam que são quase 50% dos portugueses que são pobres ou estão em risco de cair na pobreza, e que a quebra no consumo das famílias está ao nível da Grécia nos piores momentos. O investimento está a decrescer há vários trimestres e sem um aumento do consumo interno e externo, certamente que não crescerá, até porque Portugal não é atractivo devido aos altos impostos e há pouca estabilidade ao nível fiscal e legal.

Acordos fictícios como os tentados esta semana, não convencem ninguém, muito menos investidores estrangeiros e cidadãos nacionais que apenas acreditam no que vêem e no que é evidente no crescimento das actividades económicas, e isso não acontece por decreto…