quinta-feira, novembro 08, 2012

A CARIDADEZINHA



Durante anos eu e muitos outros portugueses demos tempo e contribuições em géneros para o Banco Alimentar Contra a Fome, porque sentimos que era importante ajudar quem por algum motivo estivesse a passar por necessidades. Dávamos porque podíamos, nunca sabendo o que o futuro nos reservaria, porque isso é que é ser-se solidário.

Uma instituição com as responsabilidades do Banco Alimentar, e que tem merecido a confiança quase generalizada dos portugueses devia ser dirigida por alguém que entendesse bem a diferença entre a ajuda e a caridade. Entre a solidariedade e o assistencialismo.

Infelizmente Isabel Jonet, actual presidente da instituição em causa, decidiu prestar algumas declarações infelizes, chegando mesmo a dizer que “os portugueses têm de reaprender a viver mais pobres”.

Muitos dos que sempre se voluntariaram para ajudar e sentiam prazer em poder ajudar o seu semelhante doando bens ou prestando-se a recolher e separar as dádivas no seu tempo livre, sentiram-se de algum modo descontentes pois não partilham essa mentalidade caritativa que Isabel Jonet deu a entender nas suas declarações.

Falo por mim que sempre paguei as minhas facturas, por isso nunca vivi acima das minhas possibilidades, e sei que há miséria em Portugal, sempre houve, e há cada vez mais. Se como diz Isabel J. não houvesse miséria em Portugal, porque carga de água é que tantos contribuíam com tanto para o Banco Alimentar?

Não sei se vale a pena retratar-se, minha senhora, mas pode crer que deu uma machadada muito grande na confiança dos portugueses, que sabem ser solidários, mas que sabem respeitar os que passam por necessidades devido às contingências da vida, e não os tratam como coitadinhos ou pobrezinhos, mas como seres humanos que são, como nós.


2 comentários:

Metalurgia das letras disse...

"Coitado dele todo mundo"... Gostaria de ver esses políticos a pedirem e viverem de migalhas para aprenderem uma bela lição de vida. Já que eles são os culpados por colocarem muitas pessoas em tais situações.

Pata Negra disse...

Tudo não passa de brincar à caridadezinha! Dão sempre as sobras mas nunca põem em causa as causas da pobreza! Sempre houve ricos, sempre foi assim!
Puta que as pari?! não! putas!
um abraço farto dos ricos que esmolam os pobres