quinta-feira, agosto 30, 2012

POEMAS


Atlântico

Mar
Metade da minha alma é feita de maresia.
Mar
 De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua,
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.

Espero

Espero sempre por ti o dia inteiro,

Quando na praia sobe, de cinza e oiro,
O nevoeiro
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda.

As ondas quebravam uma a uma

Eu estava só com a areia e com a espuma
Do mar que cantava só para mim.

Dia do mar no ar

Dia do mar no ar, construído

Com sombras de cavalos e de plumas

Dia do mar no meu quarto-cubo

Onde os meus gestos sonâmbulos deslizam
Entre o animal e a flor como medusas.

Dia do mar no ar, dia alto

Onde os meus gestos são gaivotas que se perdem
Rolando sobre as ondas, sobre as nuvens.

Barcos

Dormem na praia os barcos pescadores

Imóveis mas abrindo
Os seus olhos de estátua
E a curva do seu bico
Rói a solidão.

Praia

As ondas desenrolavam os seus braços

E as brancas tombam de bruços.

Lusitânia


Os que avançam de frente para o mar

E nele enterram como uma aguda faca
E proa negra dos seus bracos
Vivem de pouco pão e de luar.

Ondas

Onde-- ondas-- mais belos cavalos

Do que estes ondas que vóis sois
Onde mais bela curva de pescoços
Onde mais bela crina sacudida
Ou impetuoso arfar no mar imenso
Onde tão ébrio amor em vasta praia.
  
Sophia de Mello Breyner Andersen


3 comentários:

Anónimo disse...

Férias junto ao mar? Surf?
Bjos da Sílvia

Metalurgia das letras disse...

Aproveite bastante amigo!

Pata Negra disse...

Nem já o mar é nostrum, apenas algumas praias não concessionadas. Da terra vem nuvens de fumo dos incêndios, do mar vem nuvens de tempestade e ondas gigantes! Na praia sinto-me entalado entre as duas frentes. Não sei onde me hei-de esconder durante as férias! Ah! Já sei! Vou-me esconder dentro de mim!
Um abraço sem terra, sem mar, apenas com um quintal com muita água