quarta-feira, abril 25, 2012

TOURADA

Não importa sol ou sombra 
camarotes ou barreiras 
toureamos ombro a ombro 
as feras. 
Ninguém nos leva ao engano 
toureamos mano a mano 
só nos podem causar dano 
espera. 

Entram guizos chocas e capotes 
e mantilhas pretas 
entram espadas chifres e derrotes 
e alguns poetas 
entram bravos cravos e dichotes 
 porque tudo o mais 
são tretas. 

Entram vacas depois dos forcados 
que não pegam nada. 
Soam brados e olés dos nabos 
que não pagam nada 
e só ficam os peões de brega 
cuja profissão 
 não pega. 

Com bandarilhas de esperança 
 afugentamos a fera 
estamos na praça 
da Primavera.

Nós vamos pegar o mundo 
pelos cornos da desgraça
 e fazermos da tristeza 
 graça. 

Entram velhas doidas e turistas 
entram excursões 
entram benefícios e cronistas 
entram aldrabões 
entram marialvas e coristas 
 entram galifões 
de crista.

Entram cavaleiros à garupa 
do seu heroísmo 
entra aquela música maluca 
do passodoblismo 
entra a aficionada e a caduca 
mais o snobismo 
e cismo...

Entram empresários moralistas 
entram frustrações 
entram antiquários e fadistas 
 e contradições 
e entra muito dólar muita gente 
que dá lucro a milhões. 

E diz o inteligente
que acabaram as canções.

.

3 comentários:

elvira carvalho disse...

Um excelente poema que refletia a realidade daquela época. E que vai a caminho de refletir de novo esta.
Um abraço e Viva o 25 de Abril.

Pata Negra disse...

E, no entanto parece que já só não conseguem acabar com as canções!
Um abraço e sempre

tulipa disse...

XAMUAR ZÉ
...
dia 19 foi o meu aniversário
...
este ano finalmente consegui fazer o que há muito idealizava:
passar esse dia longe de tudo,
de todos,
num paraíso, no mundo
e consegui...!
...
hoje convido-o a ver o meu novo blog:
"Os meus pensamentos"
lá encontrará uma FOTO
das mil e tal que captei com a minha objectiva;
gosto daquela que escolhi para o post
é única, simples e para mim representa um momento lindo!
...
Vivenciei-o num rafting de balsa feita de canas de bambu pelo rio abaixo junto a uma floresta na Tailândia.
Indescritível.
...
Fez-me recordar os sons da floresta na "Nossa África"!...
...
EU
..."Sou como as velhas árvores… preciso de silêncio, de estender os meus braços e escutar a voz do vento! Há verdes novos que vieram na viagem da luz e na visita da chuva..."

Beijos de saudade e muito carinho.
Tulipa Moçambicana (Ester)