sábado, janeiro 14, 2012

POESIA

Retrato de Alves Redol

Porém se por alguém não foi ninguém
cantou e disse flor canção amigo
a si o deve. A si e mais a quem
floriu cresceu cantou lutou consigo.

Homem que vive só não vive bem
morto que morre só é negativo
morrer é separar-se de ninguém
e contudo com todos ficar vivo.

Nado-vivo da morte. É isso. É isso.
Uma espécie de forno de bigorna
de corpo imorredoiro que transforma
em fusão o metal do compromisso:
Forjar o conteúdo pela forma:
marrar até morrer. E dar por isso.


FOTOGRAFIA

CARTOON

3 comentários:

Pata Negra disse...

Lá estou eu, também porco, também ao Redol!
Um abraço em verso

Anónimo disse...

Será que isto não é do Ary dos Santos? Linda a orquídea.
Bjos da Sílvia

Arame Farpado disse...

Meu caro,
se me permites, a grandeza desse poema ganha corpo no último verso:
"E dar por isso".

No nosso país ninguém dá por nada, nem pela vida, nem por coisa alguma.

Abraço.