sexta-feira, julho 22, 2011

FUTILIDADES

Enquanto se debatia a necessidade da criação da sobretaxa sobre o subsídio de Natal, e da sua “universalidade”, bem como a sua “justiça” e progressividade, o senhor ministro Vítor Gaspar ia dando as suas explicações.

O ministro das Finanças não conseguiu explicar satisfatoriamente a “universalidade” da incidência da sobretaxa, na medida em que o capital fica isento desta sobretaxa, nem teve argumentos verdadeiramente sólidos sobre a “justiça” da medida, já que se terá limitado a dizer que com a mesma percentagem o esforço é proporcional aos rendimentos. É curioso que ninguém lhe tenha dito que muitos portugueses vão simplesmente adiantar dinheiro ao Estado, já que na totalidade ou em parte, o seu desconto terá que lhes ser devolvido.

Vítor Gaspar adiantou que a sobretaxa é absolutamente “indispensável” para cobrir os “desvios existentes nas contas públicas”, acrescentando que estes são susceptíveis de serem documentados em detalhe”, o que não fez.

O que eu não entendi, e gostava que me explicassem, é a afirmação do senhor ministro, “parece-me fútil e relativamente pouco útil discutir questões de responsabilidade do passado”, quando se pedem sacrifícios aos cidadãos exactamente para cobrir asneiras praticadas por membros de vários governos. Será que quem paga não tem o direito de saber para onde vai o seu dinheiro, ou será que os nossos governantes são simplesmente inimputáveis?

Saber a verdade das contas públicas não é nenhuma futilidade, senhor ministro, e acima de tudo lembre-se que são os cidadãos que pagam os salários dos governantes e as suas asneiras!


CARTOON - ESTAÇÕES


6 comentários:

José Sousa e Silva disse...

Agora vou ser "desmancha prazeres" o que neste excelente Blog é uma excepção minha porquanto :
1.Penso que se taxarem os juros das pequenas poupanças já há bancos em Portugal a proporem que essas poupanças sejam aplicadas no estrangeiro e até com juros mais altos e esse dinheirinho vai juntar-se ao "capital financeiro" - o tal que não tem Pátria ;
2.Quanto ao "buraco" das Finanças Públicas será que ainda há alguém a discordar de que o "grande desastre" foi provocado pelas loucuras - e incompetências - do(s) governo(s) anterior(es) ???
Abraço Amigo.

Zé Povinho disse...

Caro JSS
Ao dizer que se devia taxar o capital não me referia a pequenas poupanças, mas sim ao grande capital especulativo e as mais valias obtidas na banca, ainda que em 2011 nem sejam muitas. Esse dinheiro somado a outros rendimentos sujeitos a IRS, deviam ser taxados. Claro que o dinheiro não tem fronteiras, mas ao invocar a justiça e a universalidade da medida temos que proceder de igual modo com todos os cidadãos.
A propósito do buraco nas contas públicas e desvio nas contas, o que está em causa é a impunidade de quem nos andou a enganar ( e foram muitos ), pelo que não vejo porque é que não se auditam as contas.
A diferença de opiniões é sempre construtiva e importante em democracia.
Abraço do Zé

José Sousa e Silva disse...

Meu Caro Zé Povinho
Excelente a sua réplica como era de esperar aliás.
Não podia estar mais de acordo.
Parabéns Amigo !!!

Zé Marreta disse...

Realmente não é nenhuma futilidade, mas tornou-se prática comum pois é uma forma subtil (ou já não) de a trupe se continuar a eleger e a ocupar o poder.

Saudações do Zé Marreta!

Anónimo disse...

Passos exigia a verdade mas agora acha que a verdade é inconveniente.
Bjos da Sílvia

São disse...

Será sina?

Será maldição?

Será...?

Bom domingo, companheiro.