domingo, julho 03, 2011

DEITANDO UM CAVALO À MARGEM

Vai, mísero cavalo lazarento,
Pastar longas campinas livremente;
Não percas tempo, enquanto to consente
De magros cães faminto ajuntamento.

Esta sela, teu único ornamento,
Para sinal de minha dor veemente,
De torto prego ficará pendente,
Despojo inútil do inconstante vento.

Morre em paz; que, em havendo algum dinheiro,
Hei de mandar, em honra de teu nome,
Abrir em negra terra este letreiro:

— "Aqui, piedoso entulho os ossos come
Do mais fiel, mais rápido sendeiro,
Que fora eterno a não morrer de fome"

Nicolau Tolentino

FOTOGRAFIA


CARTOON

4 comentários:

José Sousa e Silva disse...

Já sabia do "amor eterno enquanto dure" mas nunca tinha ouvido falar dos coitados - que somos nós - "eternos em não morrer de fome"...

LopesCa disse...

O cartoon está o máximo vou partilhar :)

Anónimo disse...

Até a rosa está lazarenta...
Lol

AnarKa

maceta disse...

adequado ao rigor do momento...