segunda-feira, fevereiro 02, 2009

POESIA

Suspensão Coloidal

Penso no ser poeta, e andar disperso

na voz de quem a não tem;

no pouco que há de mim em cada verso,

no muito que há de tudo e de ninguém.


Anda o cego a tocar La Violotera,

e eu a vê-lo e a cegar;

e a pobre da mulher esfregando e pondo a cera,

e eu a vê-la, e a esfregar


Que riso perto, que aflição distante,

que ínfima débil, breve coisa nada,

iça, ao fundo, esta draga carburante,

rasga, revolve e asfalta a subterrânea estrada?


Postulados e leis e lemas e teoremas,

tudo o que afirma e fura e diz sim,

teorias, doutrinas e sistemas,

tudo se escapa ao autor dos meus poemas.

A ele, e a mim.


António Gedeão



*** * ***
RETRATOS - FRANCIS BACON


*** * ***
CARTOON

10 comentários:

o escriba disse...

Gedão tem sido ultimamente o poeta no meu blog, mas este poema não conhecia.
Fantásticas as imagens e os cartoons.

Boa semana
Um abraço
Esperança

Zé Povinho disse...

Escriba
Sempre gostei de ler Gedeão, e colecciono poemas dele recolhidos aqui e ali.
Abraço do Zé

Anónimo disse...

Gedeão sim, Francis Bacon não,´que é simplesmente asqueroso.
Lol

AnarKa

Portaria ILEGAL disse...

Aprenda a roubar Portugal aqui: http://portaria-59.blogspot.com/

Cata-Vento disse...

Gosto muito de poesia e tenho a obra completa de Gedeão. Não me lembro de ter lido este poema. Bem-hajas por no-lo teres trazido.

Imagens fantásticas. Excelentes cartoons.

Um abraço

Ferreira-Pinto disse...

Grande poeta.
"Robot" malandreco!

Anónimo disse...

O professor é dos meus preferidos. Foste por acaso a Espanha recentemente, ou estiveste a estudar?
Bjos da Sílvia

Jorge P.G disse...

Excelente Gedeão e magníficos "bonecos".

Boa semana e um abraço, amigo Zé Povinho.

Rafael Castellar das Neves disse...

Olá Zé!!

Parabéns pelo blog...gostei muito do seu trabalho e do blog em si. Voltarei mais vezes!

Abraço,

Rafael

Papoila disse...

Querido Zé Povinho:
António Gedeão de uma actualidade perene canta o sentir do povo como nenhum outro...
Penso no ser poeta, e andar disperso na voz de quem a não tem; no pouco que há de mim em cada verso, no muito que há de tudo e de ninguém.
Os retratos fantásticos!
Beijos