domingo, dezembro 14, 2008

INQUIETAÇÃO SOCIAL

Tenho assistido com alguma preocupação ao pouco interesse dos políticos e analistas perante a situação preocupante que se tem verificado na Grécia. A grande maioria dos políticos tem desvalorizado a situação e as únicas abordagens ao tema, com alguma profundidade, limitam-se a tentar fazer comparações estranhas com o Maio de 68.

Eu acho que esta leveza com que se aborda o caso, é grave, porque se trata de um protesto (?) desorganizado, sem nenhum controlo, e não enquadrado por instituições que tenham alguma exigência concreta ou algum ideário reivindicativo, claro.

Este tipo de manifestações que acabam por descambar em actos de violência gratuita, não são acontecimentos novos, basta lembrar o que se passou em França ainda há pouco tempo, mas são potencialmente perigosos, nomeadamente quando, como agora, começam a tornar-se evidentes problemas sociais graves decorrentes da crise económica que abala quase todo o mundo.

O que é preocupante, é que os cidadãos cada vez menos acreditam nos seus políticos e nas instituições, e estou a falar nos partidos, e sindicatos, que tradicionalmente esgrimem as suas diferenças com regras mais ou menos definidas. Estes incidentes que geralmente despontam por algum acontecimento grave mas fortuito, podem despoletar por arrasto muitos outros descontentamentos, e tornarem-se completamente incontroláveis, transformando-se num verdadeiro caos social, impossível de controlar sem o recurso à força pura e dura, o que se tornará um descalabro.

Não deviam perder tempo a desvalorizar estes incidentes, nem a teorizar sobre as diferenças com o Maio de 68, podiam isso sim, tentar evitar que o desemprego e a exclusão aumentassem, e deviam reflectir sobre os erros que nos conduziram à grave situação em que nos encontramos.



*** * ***
IMAGENS IMPROVÁVEIS
Rado
Rado

*** * ***
BONECOS ALUSIVOS À ÉPOCA

Gary Varvel

8 comentários:

C Valente disse...

O que se passa na Grécia, não me espanta se em breve passar por cá ( coisas más copiamos)
Saudações amigas

São disse...

A terceira guerra será mesmo mundial e terá os motivos subjacentes a esta inquietação grega ( e francesa), pode escrever!

Não foi entrevistado no "Câmara Clara" ou foi?

Boas Festas!

A. João Soares disse...

Caro Zé Povinho,
Um bom alerta este seu. Os pensantes cá do rectângulo não deviam adiar a análise do que se passa cá, quanto a descontentamentos desde os lixeiros, aos juizes, médicos, professores, militares, polícias, etc.
O maior mal do País consiste na incapacidade de os detentores do Poder fazerem uma análise imparcial séria e honesta da situação e estabelecerem prioridades para enfrentar as piores ameaças com eficácia, tomando medidas adequadas e concitando para elas a colaboração de todos os portugueses.
E o que se passa na realidade? é os partidos, agências de empregos para os do clã e procurando egoisticamente a procura do poder e a sua manutenção quando o cavalgam, através da caça ao voto, esquecendo os interesses nacionais. Qualquer assunto, do mais importante ao menos significativo, em vez de ser analisado com vista aos interesses da Nação, é logo politizado, cada partido pretendendo retirar o máximo de dividendos para os próximos resultados eleitorais.
O País está permanentemente nas bancadas de um circo em que o espectáculo é apenas a sucessão de braços de ferro: lixeiros de Lisboa, professores, magistrados, médicos, etc. Não há nenhuma cabeça bem pensante que procure consensos benéficos à Nação, evitando perdas de tempo e de outros recursos e apenas ganhando o desprestígio de autoridades e profissionais dos diversos sectores, com nítido prejuízo para o País.
A estúpida teimosia acerca da OTA trouxe elevados custos ao País com benefícios apenas para os amigos do Governo que fizeram «estudos» que se amontoaram sob o pó dos gabinetes. Demorou a resolver-se o braço de ferro. Com os professores, quem está a ser lesado é a formação dos estudantes, que amanhã serão o0s dirigentes do País e irão coxos pela vida fora. Com a saúde e os fechos de tantos serviços prejudicou-se a vida de muita gente que ou morreu sem o devido tratamento ou retardou a cura dos seus males e muitos portugueses são naturais de Espanha. Com a ausência de uma boa reforma da Justiça, esta tem sido desprestigiada, o que é um mal de cura demorada. etc.
Todos esses males se devem à politização de tudo e todos e a ausência de um lema colectivo comum que se chamaria «sentido de Estado», amor ao País, dedicação à causa pública.
Um abraço
João

marreta disse...

Nem mais. O que se passa, para além do descontentamente generalizado, é a incapacidade dos partidos políticos em conseguirem resolver os problemas e anseios daqueles que os elegem, criando-se uma cada vez maior descrença política que dá azo a estas "explosões" espontâneas e popularmente abrangentes.
Uma nova ordem mundial urge.

Saudações do Marreta.

Violeta disse...

em breve o que se passa na Grécia entra pela nossa casa a dentro...Vamos ver o resultado!
boa noite.

Violeta disse...

em breve o que se passa na Grécia entra pela nossa casa a dentro...Vamos ver o resultado!
boa noite.

polidor disse...

é o resultado pelo desprezo pelas questões essenciais e tambem concordo que é errado o paralelismo com o Maio 68... antes será talvez o estrebuchar da falta de horizontes, é impossível manter um capitalismo "carneiroso" sem reacções... todos têm direito à bucha...

abraço

Meg disse...

Amigo Zé,
Estou absolutamente de acordo contigo. Seria bom que os nossos
políticos percebessem que o desespero é mau conselheiro e que quando as pessoas já não têm mais nada a perder, partem para o vale tudo, e o que se passa na Grécia, pode muito bem vir a acontecer por cá. França já foi uma espécie de aviso. Será que se aprendeu algo com isso?

Um abraço