segunda-feira, fevereiro 04, 2008

DOENÇAS PROFISSIONAIS

Sempre que se aproximam os feriados e em épocas festivas, saltam para a comunicação social uns “especialistas” a debitar teorias económicas sobre os pretensos prejuízos para a economia nacional, derivados dos feriados e pontes. Curiosamente os “especialistas” aproveitam religiosamente os ditos feriados e pontes para se deslocarem ao estrangeiro ou frequentarem os lugares badalados onde são alegremente fotografados.
Com feriados ou pontes, nunca os oiço a falar dos inúmeros portugueses para quem não há feriados nem sábados e domingos, no comércio, nos serviços, na própria administração pública, nas polícias e na saúde. Isto porque acham natural que os outros trabalhem, ainda que muitos não aufiram nem ordenados decentes, nem tão pouco alguma compensação pelo sacrifício.
A cegueira em aumentar os períodos de trabalho e de conseguir mais produtividade com menos pessoal, logo com menores custos, leva-os a omitir as consequências para a saúde que isso acarreta para quem é “completamente sugado” para encher a barriga de mentecaptos que não vêem para além do seu próprio bolso. Há muito que a razoabilidade deixou de ser tida em conta, e à conta desta verdadeira exploração de quem trabalha, aumentam as doenças profissionais, os acidentes de trabalho e portanto os encargos com a saúde e segurança social.
Tecem-se elogios aos contratos precários, intensifica-se o ritmo de trabalho, prolongam-se horários e sempre a bem da produtividade, atiram-se os malefícios evidentes para baixo do tapete, esperando que ninguém repare no mal que se está a fazer e no preço que isso vai ter nas vidas de quem não tem alternativa, a menos que queira ir para o desemprego. Estou farto de “especialistas” em feriados e pontes, que se dedicam a contabilizar prejuízos, mas que fingem ignorar que os trabalhadores não são máquinas, mas sim pessoas, que respondem melhor a estímulos do que a imposições perfeitamente absurdas e com graves consequências para saúde, que acabam sempre por traduzir-se em menor empenho nas tarefas que desempenham.

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ACTUALIDADE

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PINTURAS

My Lilys by LittleJan

A Sunlit Alley by Lahtikahjo

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CARTOON

14 comentários:

Sílvia disse...

A exploração do trabalho numa análise pela vertente da saúde, muito bem conseguida.
Quando a música na berra é o samba, o Zé vai para a música africana e da boa.
Bjos

quintarantino disse...

Uma excelente análise que nos alerta, mais uma vez, para o quão perigosos seria para uma boa parte substancial da sociedade deixar os nossos patrões e seus aliados em roda livre.

Tiago R. Cardoso disse...

Boa analise, de facto seria interessante esses especialistas fazerem a contas aos prejuízos causados por doenças causadas aos trabalhadores, físicas e mentais, derivadas do stress, pressão dos patrões, incertezas contratuais, etc.

Maria disse...

Acabei de ler das melhores frases que já vi sobre Sócrates:

"o Cidadão José Sócrates involuiu do Político sem Ética para o Político sem Ética nem Estética, e é com esta corrosiva frase aforística que hoje me despeço dele: há demasiada Beleza no Mundo para que continuemos a perder tempo com essa deplorável figura. Como todos os seus infelizes pares na História, não durará para sempre".

Bom Feriado
Bjs

C Valente disse...

A canga sobre o trabalhador, ontem como hoje todo o capitalista a pretende montar, e com a conivencia dos governantes
Bom feriado e saudações amigas

SILÊNCIO CULPADO disse...

Zé Povinho
Esta tua análise é excelente e vem continuação dum post que coloquei no blog Sete Pecados Mortais sobre um Relatório de 31-01-2008 da Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho. O Relatório, com dados muito preocupantes, diz que os principais riscos psicossociais estão relacionados com novas formas de contratos de trabalho, insegurança no emprego, intensificação do trabalho, exigências emocionais elevadas, violência no trabalho e difícil conciliação entre a vida profissional e a vida privada.

Um abraço

Meg disse...

Ámigo Zé, é verdade tudo o que dizes, e pela hora a que publicaste, se calhar ainda não sabias das "últimas da CIP".

Daqui a pouco voltamos aos "trabalhos forçados".
Tem de ser sempre o trabalhador a pagar a factura, porque os "senhores" têm de ter os seus lucros.É como na Banca´milhões de lucros e crise por outro, não entendo, mas eu sou ignorante...

Um abraço

adrianeites disse...

as pontes são férias..

em muitos casos as pontes nas empresas de produção.. são prejudiciais.. uma empresa organizada não faz pontes... roda os trabalhadores..

Joca disse...

As pontes incomodam as empresas (des)organizadas, porque não planificaram a sua produção com antecedência, de acordo com o calendário. Sei que dói imenso aos gestores e patrões esta afirmação, mas esta é a verdade, mais, é a causa de muito do descontentamento que grassa por aí. Organização e não imposição.
Fui

AnarKa disse...

Se pudessem, os patrões faziam-nos uma lobotomia que nos transformásse em máquinas ao seu serviço, infelizmente para eles, isso ainda não está ao seu alcance.
Lol

Kalinka disse...

Oi Xamuar
dá-lhe....ganda som....
ai que já rebolo com este ritmo!!!
Estou deliciada a ouvir.

Hoje, longe de Carnavais, resolvi agradecer alguns prémios que recebi; depois...tive que nomear outros que merecessem o prémio, e, como acho que há blogs fantásticos, entre eles o teu, aviso-te que podes levantar o que te pertence, no kalinka.

Continuação de boa semana.
Um abraço.

Ludo Rex disse...

Passei para te desejar um Bom Carnaval... Um abraço

C Valente disse...

A visão laboral muito do que o patronato pretende
Saudações amigas

Anónimo disse...

www.tudoparafalar.blogspot.com