quinta-feira, dezembro 13, 2007

AUMENTOS E INFLAÇÃO

Tal como a grande maioria dos portugueses, tenho alguma dificuldade na área das matemáticas, sobretudo quando se trata de apreciar os argumentos dados para aumentar pouco os salários, relacionando-os com a inflação esperada. Ainda há pouco tempo, dizia o governo que os aumentos para a função pública íam ser de 2,1%, e que esse era o valor previsto para a inflação do ano de 2008.
Ouvi diversas explicações sobre o cálculo da inflação, e até me fizeram uma simulação do seu cálculo, mas curiosamente, para 2007 o resultado, tomando em consideração os aumentos praticados na função pública, deu um resultado bastante superior a 3,4%. Claro que me vieram logo dizer que o cálculo atingia esse valor porque não tinha sido considerado o aumento salarial médio nacional, que foi bastante superior ao dos funcionários públicos, e que portanto estava tudo explicado.
Vamos ser práticos, e tomemos em consideração apenas alguns dos produtos e serviços que oneram quase todos os portugueses, como por exemplo a gasolina, os transportes públicos, o gás, a energia eléctrica, os produtos alimentares e a despesa com a habitação. Alguém já fez as contas e encontrou algum aumento inferior à inflação que nos é apresentada? Eu não encontrei, e digo-vos que procurei bastante.
Eu sei que há cépticos em relação ao que afirmo, e que preferem acreditar nos dados que nos são fornecidos, mas para esses fica um alerta: leiam os jornais, ou ouçam as notícias, porque lá verão os aumentos dos transportes públicos a rondar os 4%, os combustíveis a subir (em 2007, 20%), as rendas de casa e as taxas dos empréstimos bem acima da inflação, a energia eléctrica idem, o gáz também, os produtos alimentares é só consultar os preços nos supermercados, etc.
Por vezes chego a desconfiar que os senhores que nos dão os dados oficiais sobre a inflação, compram apenas nas lojas chinesas, calcorreiam os saldos e compram só fora da estação, têm motorista e carro atribuido e um cartão de crédito da entidade patronal para as despesas de casa e alimentação.
Com tanta matemática criativa, não admira que eu continue a ser um nabo na matéria

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FOTOGRAFIA - AVES
Litvak.I

Litvak.I

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CARTOON

Milenko Kosanovic

Milenko Kosanovic

11 comentários:

Sílvia disse...

Então querias ver os nossos ocupados ministros a fazer compras num hipermercado? Não, eles mandam alguém fazer isso por eles, e quanto aos pagamentos... .
Bjos

Tiago R Cardoso disse...

Eu também tenho dificuldades com números, principalmente quando nos são apresentados de forma diferentes, dependendo da perspectiva de cada um, aliás até já deixei de acreditar neles.

quintarantino disse...

O amigo está sempre atento e vigilante. Também eu tenho andado a matutar, se me é permitida a expressão, como se podem compaginar aumentos de 2,1% (e não serão só para a Função Pública porque este valor funciona depois quase como referencial para os restantes sectores) com aumentos de 3,9% (para já) nos transportes, aumentos diários (quase) nos combustíveis, aumentos de 9% (no meu concelho) nas tarifas e taxas de água, saneamento e lixo, aumentos nos escalões do IRS, aumentos da luz, do gás, do pão, dos livros escolares, disto, daquilo... não é possível. Olhe, eu hoje lá no meu canto resumir muito disto ao caricatural título de "bestanças lusas". Se tiver a amabilidade, gostava que lesse.

Laurentina disse...

Ai Zé tinha piada ver o Shocas no jumbo ou no lidl...melhor, no Dia!!!
já tinha leva do com muito tomate podre no meio dos olhos.
Gostava era de saber como é que se consegue governar uma pessoa com o salario minimo...ou um reformado com 150 euros de reforma.
Cambada de javardos!!!

beijão grande

Kalinka disse...

Olá Amigo Zé

Todos os dias do ano (não só no Natal...)deviamos pensar nas nossas «deficiências»:

"Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.
"Paralítico" é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.
"Diabético" é quem não consegue ser doce.
"Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer.

Beijos cheios de calor num dia gélido.

Kalinka disse...

ADORO ler-te, dizes sempre as verdades que eu gostaria de dizer na tromba de alguns, isto irrita-me imenso, mas (ordem médica) não me posso irritar...vou agora para a consulta de hipertensão!
Sou uma doente de risco grande, mas...estou tão farta de ouvir esses... que só dizem m....para nos tapar os olhos com areia; sabes, não consigo ouvir as notícias porque não suporto ouvi-los falar mas em contrapartida venho ler-te e fico calma, parece que sinto que estás a falar por mim.
Ontem quando ouvi essa notícia do aumento dos transportes públicos em 3,9% lembrei-me logo da m---- do aumento para a F.P. de 2,1 que era igual à inflação, pois era...

C Valente disse...

Inflação, isto é uma miséria, então os transportes conseguem ser superiores ao valor estimado para a inflação, ou sou estúpido ou quer dizer que a inflação não é, nem será a que apregoam. Eu não compro.

PS. Eu gosto do Natal, mas a verdade é que me deixa triste.
Pelas saudades dos ausentes e pela falsidade das pessoas.
Saudações amigas

Meg disse...

Zé, mas será preciso sair de casa e ler jornais para saber como vai o poder de compra?
Alguma vez pensei ver, na minha vida, os hipermercados proporem o pagamento das compras em 3 prestações?
Nem os cartões de crédito já servem para nada, Zé!
Esses senhores andam a "gozar" com o pagode.

Mas temos de poupar o quê? Se nem o essencial as pessoas têm.

Nóa todos temos dificuldades em números, claro, porque a matemática deles deve ser a outra, a prová-lo está a ostentação da "cimeira".
Uma ofensa ao povo, já nem digo aos pobres, porque pobres somos quase todos já...

Um abraço

Um abraço

A Sulista disse...

Sobre a inflação nem quero me pronunciar...


Gostei do ultimo cartoon :-)

Bjs

Jorge Borges disse...

Caro Zé,
Os cálculos e estimativas servem os propósitos de quem os encomenda. Se o governo pretende justificar os seus 2,1%, toca de calcular a inflação, eliminando os factores que prejudiquem a percentagem. A matemática política não se aprende na escola. Aprende-se nos meios da máfia político-económica.
Um abraço amigo
Contracorrente

SILÊNCIO CULPADO disse...

Há várias matemáticas amigo Zé Povinho. Como há várias realidades, e várias gentes e pessoas que são mais pessoas que outras. E interesses que interessam aos poderosos e interesses para a raia miúda.E assim se aplica a inflação. Tens aqui algumas imagens de gritos!....

Tenho estado ausente por motivos de saúde de familiares próximos e amigos.Assim que pude vim logo visitar-te. Tenho hoje no Silêncio Culpado um texto de opinião em que me identifico e me mostro com o nome e o rosto que tenho.