segunda-feira, novembro 12, 2007

O MÉRITO

Quem já não ouviu falar do mérito e das intenções anunciadas de premiar quem desempenha de modo exemplar as suas funções, nas empresas privadas e no sector público? Todos já ouvimos certamente.
Como é habitual, vai um grande passo das palavras aos actos. Uma medida que podia ser considerada um incentivo a quem se esforça e cumpre integralmente os seus deveres laborais, não passa afinal de uma fantasia, ou melhor, uma intrujice para mascarar mais umas quantas prebendas para uns quantos protegidos.
Em conversa com alguns amigos, perguntei quantos tinham conhecimento de incentivos ao mérito proporcionados pelas suas empresas, ou com aquelas com quem contactam com alguma assiduidade, e a resposta foi quase unânime: apenas tinham conhecimento de prémios para as altas chefias e gestores.
Não me admira que a regra seja esta em Portugal, até porque ao longo da vida tive a oportunidade de manter os mais variados contactos com empresas e empresários, e também só conheço um caso em que realmente havia essa prática, e mesmo assim a empresa é estrangeira.
Costumo ouvir da boca de um amigo uma frase que é um retrato caricatural da gestão tipicamente nacional, “ se o filho é saudável e de olhos azuis, todos o querem, se é marreco e feio, não!”. A frase, com toda a crueldade que encerra, aplicada à gestão resume-se a: “se tudo correu bem ou melhor do que as expectativas, foi por haver boa gestão, pelo contrário, se correu mal e abaixo do esperado, é por causa da conjuntura e da ineficácia dos trabalhadores que são calaceiros e incompetentes”.
Uma originalidade portuguesa, infelizmente demasiado comum entre nós.

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Dana Summers

5 comentários:

Jorge Borges (Savonarola) disse...

Concordo inteiramente. São premiados os patrões - inclusivamente independentemente do mérito, que geralmente não têm - e penalizados os trabalhadores pelos fracos desempenhos de empresas mal geridas. Tal é o sistema neoliberal em que vivemos.
Alternativas procuram-se.
Um abraço amigo

Sílvia disse...

Os erros são sempre praticados pelos sbalternos, os chefes nunca cometem deslizes desses. Opiniões, só são válidas as que partem da cabeça dos chefes, os outros não estão cá para pensar, só para obedecer.
Um bom retrato da saloia gestão predominante em Portugal.
Bjos

Tiago R Cardoso disse...

Por Portugal o que conta é a posição e os "amigalhaços", esses são recompensados, os que trabalham e tem mérito esqueçam, nunca vão chegar a lado nenhuma, pelo menos em quanto isto não mudar.

quintarantino disse...

Ó amigo Zé Povinho, então o mérito não vai ser reconhecido? 2,1% de aumento é um reconhecimento a óptica dos que nos desgovernam... e temos as quotas para permitir separar o trigo do joio... eu ando intrigado é lá com percentagens que engendraram...

Belzebu disse...

A mentalidade dos empresários portugueses deixa neste caso e em muitos outros, muito a desejar. O sistema de incentivos ao mérito, que em muitos países europeus é uma realidade, tem dado os seus frutos e é reconhecido como muito positivo por trabalhadores e empresários. Cá é tudo diferente, enquanto vigorar esta mentalidade, que se baseia no amiguismo e na protecção das elites!

Sendo assim, os marrecos e os feios ficam sempre de fora!

Aquele abraço infernal!