sábado, outubro 13, 2007

MAIS 9,2% PARA A CULTURA

Segundo o Diário Digital, o orçamento do Ministério da Cultura para 2008 será de 245,5 milhões de euros, significando isto um aumento de 9,2% em relação à execução estimada de 2007.
Neste ministério, ao contrário do que acontece noutros lados, a rubrica com maior peso na despesa é a aquisição de bens e serviços, logo seguida pela aquisição de bens de capital. Esta realidade muito poucas vezes é referida, nem sequer quando se fala na falta de pessoal indispensável para o funcionamento dos serviços, que acontece todos os anos pelo menos nos museus, palácios e monumentos.
Podia deter-me aqui a elogiar o governo pelo aumento de verbas a atribuir ao M.C. no orçamento de 2008, mas não posso deixar passar a ocasião para deixar aqui alguns problemas reais que se verificam ainda em 2007.
Com a reestruturação do sector, nomeadamente na área do Património, as coisas complicaram-se muito, e em especial no que diz respeito à conservação dos edifícios e dos seus acervos, onde as verbas escassearam brutalmente e muito do que devia ter sido feito, ficou guardado nas gavetas à espera de melhores dias. Não estou aqui a falar de grandes obras de intervenção como as novamente anunciadas, para Tomar ou em Setúbal, mas sim em trabalhos de manutenção para evitar a degradação dos edifícios e das colecções, visando manter a dignidade dos mesmos, já que estão abertos ao público.
Também continuamos a ter notícias de atrasos nos pagamentos de trabalho extraordinário e de subsídios de alimentação em serviços dependentes do Ministério da Cultura, o que demonstra algum desleixo administrativo e rigor processual, pois são situações inadmissíveis, até porque atingem precisamente aqueles que menores ordenados auferem.
As políticas de recursos humanos são também um dos pontos fracos deste ministério, onde a definição de quadros de pessoal está por fazer. Como se podem planear objectivos sem recursos humanos e materiais, é uma coisa que é inconcebível em termos de gestão, mas é o que infelizmente se passa na Cultura.

*** * ***
AVISO
O Zé está a fazer uma cura de descanso, da actividade profissional entenda-se, por isso vai dedicar mais tempo à família e ao lazer, pelo que não pode garantir a regularidade que tem sido hábito aqui neste espaço.
Obrigado pela compreensão.

*** * ***
FOTOGRAFIA
мнa


*** * ***

CARTOON

Gary Varvel

16 comentários:

João Rato disse...

Para este governo as pessoas estão em último lugar. Cada um que se salve e se cure por si.
Boas termas!

A paginadora disse...

Olá Zé
Como já vamos estando habituados, a Cultura do nosso País é muito mal amada pelos sucessivos governantes.
Claro que promovem grandes eventos, apresentam projectos megalómanos, onde não se importam de gastar balúrdios, esquecendo o mais importante:
- A salvaguarda e recuperação do nosso património edificado, não me refiro aos monumentos mais emblemáticos, que esses pela sua importância estão seguros. Refiro-me mais especificamente a construções mais singelas como fortificações, fontanários, Kubbas e a muito outro património espalhado pelo país, quer seja edificado, peças de arte museológicas e também a todo um vasto e riquíssimo património cultural.São necessárias imensas obras de restauro e manutenção em museus, arquivos, bibliotecas mas que vão sempre ficando para trás porque não trazem grande visibilidade política.
É pena! Mas é a triste realidade em que vivemos.
Desejo-lhe um bom descanso Zé para regressar em forma e em força para continuar esta árdua luta, que é uma boa maneira de chamar a atenção
para os problemas que nos rodeiam.
Um abraço e um BFDS.

O Guardião disse...

Então esse descanso inclui uma visita aos amigos? O pessoal espera que passes com mais tempo, e agora nem é para mexeres aqui nesta maquineta que funciona que é uma beleza.
Cumps

Vieira Calado disse...

No que respeita aos dinheiros para a Cultura, já se tá a ver. Se a manta é pequena, cobre-se a cabeça... ficam os pés de fora.
Um abração

zé lérias disse...

Bom descanso meu amigo.
Quer um conselho? Não compre jornais nem veja tv...
Abraço

Condestável disse...

O gajo da madeira tambem saiu cá uma prenda.. arte e futebal é com o gajo

adrianeites disse...

condoleiza...soa bem o aportuguesamento que agora fiz..

quanto ao orçamento.. ainda me vou ter de dedicar!

cp's

Sílvia disse...

Um bom descanso, embora saiba que vais, como é hábito visitar umas quantas "pedras" ou melhor, museus e monumentos.
Os orçamentos não são para cumprir, e afinal, em percentagem do PIB não houve aumento nenhum, como podes ver pelo orçamento que te enviei por mail.
Bjos

J.G. disse...

Oportuno o texto, belíssimas as duas primeiras imagens.

Que o descanso seja bom, e acompanhia da família também!

Um abraço.

Tiago R Cardoso disse...

Bom texto.

Aproposito ainda existe alguém neste país que acredita em orçamentos de estado ?

então nesse caso bom descanso.

quintarantino disse...

Não se apoquente, amigo, pode ir à vontade que esta choldra pouco mudará. Como já deve saber. Quem não souber, comece a informar-se sobre a proposta de Orçamento de Estado para 2008. Mais do mesmo!

Sulista disse...

Como eu te compreendo Zé...eu ando quase na mesma ,-9


Bons cartoons!

Bjs
Boa semana :-)

Jorge Borges disse...

Caro Zé Povinho,
Apreciei imenso a tua análise sobre o que se passa em termos financeiros - e não só - no Ministério da Cultura. De há alguns governos a esta parte que ouço cada vez menos falar em cultura. No nosso triste país, a cultura parece ter-se transformado num sub-produto do consumo periférico, ou qualquer outro epíteto desprestigiante que lhe queiramos aplicar.
A força do economicismo é de tal ordem que os valores sociais, culturais e, sobretudo, humanos ficaram relegados para último plano.
Um abraço

A. João Soares disse...

A Cultura precisa de mais dinheiro, a fim de que em futura cerimónia como a do centenário de Miguel Torga, possa estar presente a ministra ou alguém altamente colocado no ministério. Certamente não havia dinheiro para pagar a viagem e as ajudas de custo!!!
A aquisição de bens e serviços devia ser bem controlada pela AR, isto é, pela oposição, pois é daí que sai o dinheiro para familiares e amigos com contratos de «estudos» e «trabalhos» muitas vezes sem qualquer interesse ou valor, só para justificar a saída de verbas. Acontece em todos os ministérios. Não devemos esquecer as muitas dezenas de estudos a fundamentar a localização do Novo Aeroporto de Lisboa na Ota.
Boas férias, bom repouso. E, pela amostra que nos deixa, a companhia será de cinco estrelas!!!
Abraço

Meg disse...

Descansa, Zé, mas não te esqueças de nós.

Um grande abraço

MARIA disse...

Olá Zé.
Resta-me desejar-lhe uma boa cura e muitos bons momentos em família.
Quanto à política da cultura neste País, essa perdeu-se a receita para a fazer bem funcionar...
Adeus um beijinho
Maria