domingo, setembro 02, 2007

OS MONUMENTOS E O TURISMO DE MASSAS

Segundo uma notícia da Lusa, divulgada pelo Diário Digital de 31 de Agosto, os chineses começam a mostrar alguma preocupação com os efeitos nefastos do elevado número de visitantes que acorre a alguns dos monumentos mais conhecidos e divulgados, daquele país.
As multidões que visitam alguns dos locais emblemáticos acabam por originar escritos nas paredes, lixo no chão, actos de vandalismo para se obterem recordações, gritos e bandeirinhas para sinalizar grupos organizados e até o dióxido de carbono proveniente da respiração dos milhares de visitantes que ameaçam as pinturas.
O sucesso de alguns monumentos pode ser um perigo para a sua integridade, algo que já tinha sido constatado em algumas grutas e monumentos em França, que obrigaram ao seu encerramento durante largos períodos, restrições ao número de visitantes e até à construção de réplicas para que se preservasse os originais. No Egipto também foram tomadas algumas medidas do género, +ara que o Património não corresse maiores riscos de degradação.
Por cá há alguns casos de palácios que já atingiram números pouco recomendáveis de visitas/dia mas nada foi feito, se exceptuarmos o aumento do preço dos bilhetes, que não é obviamente a medida mais correcta e justa. Digo isto porque já há preços incomportáveis, pelo menos no Palácio Nacional da Pena, e se anunciam aumentos generalizados nos restantes monumentos.
Haverá certamente outros métodos para limitar o número de visitantes, contadores por exemplo, mas é sempre mais fácil recorrer ao aumento dos preços, ainda que deste modo se seleccionem as pessoas pelas suas carteiras.
Gerir o Património, como já o afirmei aqui e noutros lugares, não pode ser feito à distância, sem um diálogo permanente e sem o conhecimento das diversas realidades de cada serviço, que são tão diversas como diverso é o seu espólio, arquitectura ou zona de implantação.
O sinal de alarme que soou na China, bem que podia servir para alertar os responsáveis pelo nosso Património.

*** * ***
FOTOGRAFIAS - GATOS
Stortaren

TatianaLo

*** * ***

CARTOON

8 comentários:

quintino disse...

Com toda a razão. O meu recente périplo cultural por terras francesas deixou-me estupefacto.
Nunca imaginei que o Louvre mais pudesse parecer um centro comercial ou a saída de uma fábrica. Ou uma feira. Centenas atropelando-se, uma gritaria constante, não sei quantos flashes a dispararem sobre tudo quanto mexia... a esta hora, muito tipo deve estar por esse mundo fora a pensar "quem é que carvalho é o careca que está aqui?"... Em Versailles, hora e meia na fila para comprar bilhetes... Enfim, por aqui se pode tirar uma ideia do desgaste a que estão sujeitos estes monumentos.
Como remate final, e na eventualidade de alguém pensar porque raio é que me lembrei de ir em Agosto, a explicação é simples: foi um pedido especial de uma das gêmeas. E eu, pai babado, às minhas herdeiras sou quase incapaz de dizer que não.

Tiago R Cardoso disse...

Mas essa informação já chegou a Portugal, assim está explicado o preço dos bilhetes. Quem nos dera a nós termos de colocar esses contadores nos nossos monumentos e museus, significaria um interesse dos cidadãos, naquilo que tem de bom.
Então o anterior cliente, o quintino, vai de férias para França e ainda se queixa...

Kalinka disse...

ZÉ POVINHO

vim directamente do blog da Meg, para aqui, pois encontrei lá a minha terra - Moçambique!
E, que paraíso...bela como sempre.

Chego aqui e que encontro?
Nascido na Beira - Moçambique, estudei no Colégio Luís de Camões, Colégio Marista e Liceu Pêro de Anaia. Trabalhei na DETA e vim para Portugal em 1976. Mudei-me recentemente para a zona de Lisboa. Ando por aí.

Eu escrevo: nascida na Beira - Moçambique, estudei no Colégio Nossa Senhora dos Anjos, mais conhecido por Mámeres, em frente ao cinema S. Jorge; morava em Matacuane mesmo pertinho do Liceu Pêro de Anaia; fui-me inscrever para trabalhar na DETA, mas...não consegui.Vim para Portugal em 1976; vivo perto de Lisboa, trabalho em Lisboa e ando por aí.

Meg disse...

E aqui fala-se de Mameres, do S.Jorge. E o Macuti, já agora. E o Nacional e o Olímpia. E do Chiveve, ora!

Pois é, Zé, desculpa este intróito, mas de repente entrei em órbita.

Sobre o post, só uma coisa. Mas não é o que "eles" querem? A cultura conforme a carteira. Não é para isso que caminhamos "outra vez"?

E hoje, como estou bem disposta, vou roubar-te um gato irresistível.

Um abraço

Meg disse...

Agora mais a sério, Zé, o turismo de massas é hoje uma séria ameaça
à integridade de muitas obras de arte, monumentos até.
Não faço ideia do que pode ser feito, Haverá sempre alguém que vai reclamar. Mas que algo tem de ser feito.Excepto aumentar os preços.
Porque a arte é para todos.

Um abraço (e desisto do gato)

BruToon disse...

Boas, gostei do blog!
tenho de cá mais vezes.

Abraço zé povinho

SILÊNCIO CULPADO disse...

E o que é mais chocante é que muitas vezes os visitantes não apreciam a obra de arte em si. Vão para dizerem que foram e para tirar umas fotos que mostram aos amigos e põem na net. Têm que se pôr regras mas há toda uma educação cívica que não pode ser descurada.

Messala disse...

... eu tambem vivi na Beira, nasci no Malawi, vivi na Ponta Gea e depois no Macuti, frequentei o Colegio de Nossa Senhora dos Anjos "ad caritatem per veritatem" da infantil ao 7º, vim estudar medicina para Portugal, voltei, tornei a voltar, um nó cego e aqui trabalho e me mantenho sempre... uma Afrikana cheia de saudades da terra.