quinta-feira, setembro 13, 2007

NÃO HÁ PRESSÕES

É muito aborrecido ouvir no mesmo dia, o ministro dos Negócios Estrangeiros português dizer que não houve qualquer pressão do governo da China quanto à visita do Dalai Lama, e um representante desse mesmo governo expressar o seu desagrado pelo tipo de recepção que o Parlamento português lhe vai dar. Infelizmente, para Luís Amado, ainda está bem presente na memória dos portugueses o que se passou na última visita do Nobel da Paz a Portugal.
O que já foi apelidado de “real politik” por alguns comentadores, infelizmente bastante comum nos países ocidentais, não é mais que a demonstração do que é evidente há alguns anos, a subordinação do poder político e dos princípios em relação aos poderes económicos.
Este episódio não me mereceria muitas mais palavras, se a sua origem, a que acabei de aludir no parágrafo anterior, não estivesse a afectar radicalmente toda a civilização ocidental. Para que todos se possam situar nesta questão, recordo-vos que há algum tempo foi celebrado, e elogiado, um acordo pela Organização Mundial do Comércio com a China, abrindo ainda mais as fronteiras ao comércio com este gigante oriental. Falou-se abundantemente das vantagens económicas, do mercado potencial que é a China, e nos preços dos produtos que iriam baixar. Um discurso inteligente para qualquer sociedade de consumo, sem qualquer dúvida.
Mas deste acordo tão celebrado, haviam também muitos outros aspectos que não foram devidamente valorizados, intencionalmente, penso eu. Os direitos humanos naquele país continuam a ser violados, e não me refiro apenas às liberdades. O que dizer das condições laborais dos trabalhadores chineses?
É lá longe, é um assunto interno da China, pensaram muitos. Pois é, mas as consequências não tardaram, e muitas ainda estão a acontecer, mas são atribuídas à “conjuntura económica”. As fábricas foram fechando, o desemprego aumenta a olhos vistos e a economia europeia não cresce de modo a compensar os factores negativos. Acham pouco? É que há mais. Os direitos laborais “evoluíram” ou “adaptaram-se” segundo alguns, para a precariedade e para a desregulamentação “para permitir a competitividade”. Traduzindo por miúdos, ou aceitam as condições impostas ou o poder económico ameaça descaradamente com a deslocalização das empresas para outras paragens onde os trabalhadores não têm direitos.
Tudo isto a propósito da visita do Dalai Lama a Portugal e pela postura do governo português, dirão vocês. É, meus amigos. Por vezes são os pormenores que nos fazem reflectir mais.

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FOTOS - FLORES
Dew by Buble

flower II by lostknightkg

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CARTOON
Sergei

Erdogan Başol

11 comentários:

João Rato disse...

Não tarda muito dirão que os trabalhadores portugueses tem que aceitar as mesmas condições dos chineses para que possamos competir com eles.
Mais que a personagem, o povo do Tibete, merecia mais respeito. Afinal de contas os princípios dos nossos governantes não estão assim tão longe dos dos governantes da China!

quintino disse...

Mereciam respeito o povo tibetano, o Dalai Lama e as causas que representam.
Afinal, andamos nós a lacrimejar pelo mundo fora por causa de Timor e agora fazemos isto?
Que diabo e o homem nem sequer cá vem pregar pela libertação do Tibete ou recolher fundos para uma qualquer guerra de libertação.
Luís Amado, ademais, podia ter estado calado em vez de vir com a teoria que as razões para a não recepção ao Dalai Lama eram conhecidas.
Curiosamente, lá para os lados de Belém, onde mora outro exemplo de coragem política, Cavaco refugiou-se na agenda. Consta que à hora solicitada tinha de fritar uns bolinhos de bacalhau...

Zé Povinho disse...

Caro Quintino
Enganou-se acerca do inquilino de Belém. Não era para fritar bolinhos de bacalhau, mas sim experimentar uma nova receita de Bolo Rei!
Abraço do Zé

Zé Povinho disse...

Caro João
O comentário que fiz anteriormente não tem nada a ver com o nome do seu blog, refere-se apenas às preferências do dito morador de Belém. Chinesices...
Abraço do Zé

Sílvia disse...

Quem comanda é o vil metal. Zé essa é uma verdade que nós continuamos a não querer aceitar, mas que cada vez mais é incontornável. Os políticos são apenas correias de transmissão do poder maior - o dinheiro.
Bjos

adrianeites disse...

isto é mesmo uma tristeza..

cp's

Tiago R Cardoso disse...

O governo português tem razão, toda a gente sabe que o Sr, é um bem conhecido terrorista e assassino, interessa é receber pessoas de paz com o Mugabe.

Vim pessoal mente retribuir o prémio corrente da amizade, muito merecidamente é bem entregue ao amigo.

J.G. disse...

ZÉ POVINHO:

Um post em cheio!

Apenas digo que o assino por baixo na íntegra, depois de ti evidentemente.

Um abraço.

Meg disse...

Posso assinar também, Zé?
Se tu já disseste tudo...e muito melhor do que eu o faria.
Onde arranjas tu tão belas flores?

Um abraço

Anónimo disse...

Eu gosto muito do Tibete. Sempre gostei! E um dia, espero conseguir lá ir :-)
Estes papalvos de cá é que têm a mania que são espertos....


Abraço da Sul

C Valente disse...

Com a desculpa de A “real politik” cai a mascara. O dinheiro é o mais importante liberdades etc. isso é só na teoria, na pratica o governo assobia para o lado, para ajudar alguns põe-se de coçaras, bem falou ANA Gomes (senhora com quem não simpatizo)
Saudações amigas