quinta-feira, setembro 20, 2007

A INFELICIDADE DO SENHOR LUDGERO

Começo precisamente com a frase do presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), Ludgero Marques, devidamente adaptada ao contexto da minha apreciação: “É duro dizer isto, mas facilitar «a condenação pública deste tipo de empresários» é um choque necessário”.
A pressão deste dirigente associativo sobre o governo, para uma rápida revisão do sistema laboral português, de forma a permitir às empresas efectuarem despedimentos com mais facilidade, tem sido sistemática e está a tornar-se perigosa numa sociedade em que o peso das relações laborais já pende à muito, e fortemente, para o lado do patronato. Como diría alguém que eu muito respeito, “só há relações laborais justas quando os direitos estão ao mesmo nível das obrigações”.
Retive uma frase elucidativa do espírito deste dirigente patronal que considera “que a actual legislação começa a ofender a própria economia e que só com mais mais facilidades para despedir trabalhadores desqualificados e contratar outros [competentes], as empresas poderão renovar e adequar os seus quadros”.
A “consciência social” deste senhor contrasta enormemente, até com o discurso dos defensores da flexigurança europeus, como o comissário Vladimir Spidla, que por sua vez afirma que “ é mau gestor quem discrimina trabalhadores de 50 anos e em três ou quatro anos terão grandes diculdades... porque não há volta a dar, os europeus estão a envelhecer. As pessoas mais idosas têm experiência e capacidade. Se contrata alguém, que não conhece é uma incerteza. Se tem 50 anos, basta olhar para o seu CV para ver se é um bom trabalhador ou não. Os gestores que pensam assim tomam más decisões e prejudicam as suas empresas”. Não sabia o comissário europeu que um dirigente de empresários portugueses diría exactamente o contrário no mesmo dia e o inverso também é verdadeiro no casode Ludgero Marques com toda a certeza, pois já terá visti a s suas afirmações no Diário de Notícias de 19/9 bem ao lado da entrevista de Vladimir Spidla.
Ele há coincidências, que explicam as razões da desconfiança, e até da recusa, deste novo conceito, exactamente devido à mentalidade de alguns patrões, como o senhor Ludgero.


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Igor Razdorskikh

Ариадна

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CARTOON BLEU II
Stavro
Stavro

14 comentários:

AnarKa disse...

O gajo corre porque a flexigurança que os amigos dele, ou sejam os políticos, querem implementar, obriga os patrões a financiarem a formação contínua e a descontarem mais para a segurança social, porque senão o desemprego vai gerar revoltas que podem atingir grandes proporções. Ele sabe, por isso tenta apressar as coisas.
Lol

Sílvia disse...

Alguém vai ouvir das boas lá no DN, isso vai.
Bjos

Quint disse...

Olha... eu também cito, mas assim de fugida, o Ludgerito... incontornável...

Zé Povinho disse...

Há mais quem fale do assunto, como o Kaos do wehavekaosinthegarden que acabei de visitar. O pessoal que se cuide, que esta é a qualidade de bastantes patrões portugueses, e de alguns políticos, socialistas (?) também.
Abraço do Zé

Tiago R Cardoso disse...

Não são pensamentos novos, mas sim trata-se de pensamentos de pessoas que evoluem pouco, mas tenho a impressão que quando é para receber uns "dinheiritos" para a formação dos seus "desqualificados" trabalhadores, esse sr. não se deve importar.

Quint disse...

ó Tiago, essa é uma malha e tal...

o guardião disse...

Com patrões deste gabarito, Portugal ainda se vai transformar num gigantesca Chinatown, bem ao gosto da Zézinha.
Cumps

NINHO DE CUCO disse...

A flexisegurança num país depauperado, com o interior desertificado e a pressão humana sobre o litoral e as grandes cidades cada vez maior, vai fragilizar o que já é fraco em benefício do que já é forte. Os horários de trabalho cada vez mais alargados, os turnos, as crianças sozinhas em casa um pouco à sorte,tudo isto é deprimente. A estrutura económica é tão frágil, as pessoas estão tão endividadas, que não têm capacidade de "saltar" de uns empregos para os outros porque isso faz desmoronar o que resta de tão pouco.

Meg disse...

Este é o patronato que ainda temos, Zé.
Estamos numa sociedade em que já ninguém se entende.
E quanto a emprego ou a falta dele, estamos falados. É só ouvi-los.
Um abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Pois a formação. Eu estive numa grande empresa que já quase não se conseguia trabalhar para ir à formação. Davam-nos um volume enorme para escolhermos os cursos que queriamos e quase nos obrigavam a ir. Uma vez mandaram-me 2 vezes ao mesmo e outra fui fazer formação numa área em que o "formador" era uma aluna minha da faculdade exactamente sobre aquela matéria. Mas era preciso fazer formação a todo o custo e muitas vezes com prejuízo para o trabalho e sem se ter aprendido nada ou quase nada. Ah, os cursos não exigiam resultados e todos davam diploma. Não te rias Zé mas só à minha parte tirei 41.

Zé Povinho disse...

Cara amiga
Não me rio, porque conheço perfeitamente a fantochada que houve com a formação e com os dinheiros comunitários. Eu fui obrigado tirar cursos de iniciação de línguas, Inglês e Francês apesar de ter tido essas línguas no curso complementar dos liceus e de falar fluentemente cinco línguas, porque só com o tal papelinho mágico ficava oficialmente habilitado com os conhecimentos linguísticos requeridos (?). Também fui obrigado a tirar um curso básico de internet constante de I. Explorer e Outlook, a que se seguiu mais tarde a exigência do Word e do FrontPage, isto apesar de pessoalmente, e o serviço sabia, estar habilitado com cursos da Macromedia e de exercer como segunda actividade a profissão de Designer Gráfico na altura e estar também ligado à publicidade.
Gramei a pastilha e nada aprendi, mas consto das estatísticas que orgulham o organismo a que pertenço. Que desperdício de dinheiro...
Abraço do Zé

J.G. disse...

Óptimos governantes, óptimos patrões, óptimo sistema de transportes, óptima educação, óptimos serviços de saúde, óptima segurança nas ruas, óptima segurança social, óptimas oportunidades de emprego, óptimas condições de financiamento, óptimas condições de vida,... PÉSSIMOS TRABALHADORES!

Só por causa destes milhões de calaceiros aos quais tudo de óptimo é dado, é que o pais é apenas Muito Bom! Mas haverá quem duvide?!

Um abraço.

Anónimo disse...

Já o estão a fazer na função púdica...atão nos privados nem se fala...

Esse Ludgero havia de ir pr«o Havai e ficar por lá...


Abraço da sul

ANTONIO DELGADO disse...

Ouvi as afirmações do Sr. Lugdero na televisão e deixaram-me bastante preocupado.

alias o que é que não é motivo de preocupação neste país? só alguns exemplos: Educação, Justiça,cultura, assistencia social, Saude, nivel de vida... tudo é tão deprimente. Talvez a onda de assaltos, de assassinatos possam encontra a reposta em tudo isto...A violencia na sociedade portuguesa é tanta que até o Scolari agride.

Um braço
Fraterno
Antonio Delgado