sábado, abril 14, 2007

ESTES NOSSOS ECONOMISTAS …

Andamos há décadas a levar com economistas a martelar na tecla da economia de mercado, no liberalismo económico, na abolição de fronteiras económicas e na globalização, como remédios para a maior criação de riqueza, emprego e bem-estar. O pessoal foi acreditando naquelas cabecinhas pensadoras, formadas nas melhores universidades internacionais e ao serviço das empresas de maior sucesso, bem como nos políticos brilhantes que apregoavam que o sucesso estava ao alcance de todos, com um mercado global que abria novos horizontes e paletes de oportunidades.
Associada a estas teorias liberais vinha sempre sugerida a necessidade de menos Estado porque apenas servia para dificultar a criação de novas empresas, criava dificuldades ao desenvolvimento e estrangulava os mercados.
A realidade depressa se encarregou de mostrar que o enfraquecimento do Estado enquanto regulador levou à concentração, aos cartéis descarados nos combustíveis, aos gigantes monopólios ou duopólios que não competem antes concertam preços, e à inevitável desregulamentação do mercado do trabalho. A redistribuição da riqueza é uma miragem, os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.
Agora, depois desta autêntica cruzada e perante os resultados visíveis, vemos os mesmíssimos mentores das teorias liberais dos finais do século XX, virem afirmar que a globalização trava os salários nos países desenvolvidos, que o excesso de mão-de-obra disponível está a acentuar a desigualdade na distribuição dos rendimentos e a provocar contenção salarial.
Aquilo que já é mais do que evidente e era previsível, pois nunca se viu empresas e accionistas mais preocupados com os funcionários do que com os lucros que possam obter, transformou-se agora num alerta do FMI.
Os economistas, os empresários e os políticos portugueses devem estar desiludidos com esta instituição, o FMI, cujas recomendações eram recebidas como verdades absolutas e inquestionáveis, porque logo agora que estavam a endurecer as suas posições liberais, não vem mesmo nada a calhar este balde de água fria.
Os sinais estavam todos aí, bem à vista, mas como se costuma dizer: não há maior cego do que aquele que não quer ver!

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The violin(s) by Giuseppe Sozzi

3 comentários:

Sílvia disse...

Os nossos economistas, como não são patrões por evidente falta de coragem, dizem apenas o que os seus patrões gostam de ouvir.
Agora têm de engolir uns sapitos, mas notícias deste tipo não vão voltar a surgir na imprensa nos tempos mais próximos, isto te garanto. Manda quem pode!
See you

Anónimo disse...

Os economistas só dizem verdades quando já têm o futuro garantido, antes disso bajulam os poderosos.

KoKuana disse...

A economia real numa análise crua e sob o ponto de vista do Zé Povinho. Se os economistas se preocupassem com os sinais das coisas mais simples podiam entender, mas estão mais preocupados com estatísticas e projecções pelo que da realidade pouco conhecem.