quarta-feira, março 28, 2007

A PROPÓSITO DE SALAZAR

Hoje vi escarrapachado num jornal diário uma pérola do pensar do senhor:

Diário do Governo I série nº244
Decreto nº 31.709, de 19 de Outubro de 1948
Normas sobre o funcionamento do Serviço Nacional de Meteorologia
Artigo 2º
Funcionários do Serviço de Meteorologia Nacional, incluindo o Director, têm um chefe. As ordens que ele der executem-se integralmente, seja qual for a opinião sobre elas; e a atitude do funcionário deve ser tal que dê a impressão de concordar inteiramente com elas, sem mostrar, nem sequer dar a entender, que os pontos de vista do chefe não merecem a sua aprovação.
Publique-se e cumpra-se como nele se contém.
Paços do Governo da República, 19 de Outubro de 1948
António Óscar de Fragoso Carmona
António de Oliveira Salazar

Para os saudosistas e para os admiradores fica este exemplo de abertura democrática e de sensatez caprina bem exemplificativo d’”O grande português”.

O PORQUÊ DE CERTAS ESCOLHAS
Li diversas opiniões, ouvi alguns comentadores e prestei atenção às conversas ao meu redor sobre a escolha de Salazar n’ Os Grandes Portugueses. Os mais conceituados tenderam a considerar que era apenas um concurso e que, atendendo a esse facto a escolha não era relevante. Os mais filósofos escandalizaram-se com a escolha e procuraram dar explicações culturais e até de alguma ignorância da História de Portugal, já o português comum dividiu-se entre o repúdio e a culpabilização dos nossos políticos actuais.
Eu sou um português comum, e também a mim me parece que este é um sério sinal para os nossos políticos. Não será por acaso, nem sequer por clubite, que os dois mais votados eram e foram sempre coerentes com as suas ideias e não enriqueceram por via dos cargos políticos que desempenharam.
Sem me rever em nenhum dos dois personagens, acho que foram homens de carácter, e previsíveis na sua actuação. Que diferença dos políticos de hoje, que prometem uma coisa e fazem outra, na oposição defendem as pessoas e no poder só falam de economia, estão à esquerda na oposição e viram à direita na situação, gerindo a sua actuação defendendo os mais poderosos e cortando direitos aos que vivem apenas do trabalho, aguardando pela véspera de novas eleições para dar uma folga que lhes granjeie algumas simpatias que lhes permitam mais algum mandato.
O povo percebe a jogada e responde como pode e sabe. Os políticos também entendem, porque não são burros, mas não o dão a entender não vá o protesto para outros campos mais difíceis, mas a ambição e a teimosia podem deitar tudo a perder se o aviso cair em saco roto. Eles que se cuidem, porque a sua credibilidade é algo em que os portugueses já não acreditam.


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Lá como cá - Luigi Rocco - Brasil

4 comentários:

Manuel Fernandes disse...

Comparar os nossos políticos com vendedores de banha da cobra é um pouco forte, não? Eu sei que a imagem é doutro blogue, mas mesmo assim...
Eles são piores meu!

Idos disse...

Os mortos já não fazem mal a ninguém, mas os vivos que nos governam estão sempre a lixar-nos. Conseguem ser sempre piores que os anteriores.
Abraço

Rita disse...

Disse Cultura ? Deve ser engano, estamos em contenção de despesas...

Sílvia disse...

Voltei e logo quando falas do Salazar. Fiquei a ler e também cheguei ao mesmo: pelo menos ele e o Cunhal eram assim mesmo, agora os actuais viram a casaca conforme sopra o vento.
Hei-de voltar mais vezes, geralmente sem comentar.