quarta-feira, janeiro 17, 2007

FOICE EM SEARA ALHEIA

Depois de muita propaganda negativa por parte dos governantes deste país e da ajuda preciosa de alguma comunicação social também, tornou-se desporto favorito dos portugueses “bater” nos funcionários públicos.
Sempre que se fazem generalizações agridem-se inocentes e é consensual que existem bons e maus profissionais em todas as actividades.
Hoje ao ler um artigo de opinião de Bruno Proença, pessoa que não conheço, fiquei admirado com a ingenuidade de alguns argumentos invocados. O mote para justificar porque é que “a verdade é que a razão está do lado do patrão”, o Estado (todos nós) neste caso particular, é que “o nível das despesas com o pessoal na Administração Pública está entre os mais altos da Europa e é incomportável tendo em conta o défice e o nível de riqueza do país.” Enfim um discurso igual ao dos nossos políticos, como há défice corta-se na Função Pública, primeiro nos salários e depois avança-se para o despedimento.
A fragilidade deste discurso reside na moralidade das medidas que se baseia na aproximação do regime público ao privado, sendo que a riqueza é criada pelo sector privado e o público à satisfação das necessidades colectivas essenciais e não geradoras de riqueza, como a saúde, a educação, a cultura, a justiça e a segurança.
Ora bem, se a riqueza produzida é insuficiente é porque o sector privado não está a funcionar devidamente e se a qualidade e a quantidade dos serviços públicos não estão à altura das necessidades, então o problema está na função pública. Seja qual for o diagnóstico a que se chegue há que se encontrar a razão dos problemas. No sector privado, se uma empresa não consegue ser economicamente viável é evidente que, ou avaliou mal o mercado ou está a ser mal gerida, o que é em qualquer dos casos responsabilidade de quem a idealizou ou a dirige. Aplicando a mesma lógica à coisa pública de quem será a responsabilidade quando os resultados não são os desejados?
Até hoje tem-se ficado pela responsabilidade do porteiro, mas aos poucos todos começam a entender que não há duas espécies de portugueses, há apenas portugueses no público e no privado, com as mesmas virtudes e defeitos.
MICROPOLÍTICASOFT


ATRACÇÃO IRRESISTÍVEL






*** * ***


FOTOS








2 comentários:

Lol disse...

A Cultura da exigência, da responsabilidade e do rigor não se aplica aos políticos,Lol. Não há um único que aceite ser responsável por má gestão ou más decisões. Eles nunca se enganam e raramente têm dúvidas, a maralha é que se engana sempre quando os escolhe porque ainda nunca acertou em tipos sérios responsáveis e com humildade para reconhecer os erros.

Ana disse...

As pensões em geral na função pública são mais baixas do que as dos privados. Será que agora também vão baixar as dos privados?
O pessoal anda desatento...