segunda-feira, janeiro 08, 2007

CULTURA, O PARENTE POBRE

Já por diversas vezes foi aqui dado o alerta para a situação de penúria de recursos humanos nos museus, palácios e monumentos desta país, aviso este que apesar de ser sobejamente conhecido pela tutela e pela comunicação social nunca mereceu o relevo devido. Todos os anos por ocasião da Páscoa, 2006 foi uma das poucas excepções, os portugueses são confrontados com artigos e comentários televisivos sobre a greve nos museus, onde o assunto é reduzido “à tradicional greve da Páscoa”, acompanhados de comentários perfeitamente idiotas de “ser um modo de conseguir mais uma ponte”.
Os problemas do sector são muito concretos e reais, e a falta de pessoal de vigilância é um dos principais. O Ministério da Cultura anda há longos anos a mascarar a situação recorrendo a pessoal contratado sobre diversas formas, precárias entenda-se, para suprir as necessidades permanentes dos serviços. Não estamos a falar de épocas de picos de visitas mas sim do ano inteiro e já há mais de uma dúzia de anos.
Segundo o DN de hoje, 8 de Janeiro de 2007, houve uma reunião na passada sexta-feira no MC onde se tratou deste assunto e que “há estratégias, mas as soluções ainda não estão em cima da mesa”. Só agora é que soam as campainhas de alarme, porque já há serviços a encerrar à hora de almoço?
É curioso que na passada semana tenha vindo a público uma notícia sobre a abertura de concursos para serviços extintos, e que as explicações do Ministério das Finanças tenham sido: «a lei não proibiu os serviços de abrirem concursos», «enquanto os serviços não forem fundidos noutros continuam em actividade para o que é necessário ter os recursos humanos adequados». Na altura, sábado passado, manifestei a minha estranheza, não acreditei no que estava a ler, e sei que Manuel Bairrão Oleiro também não está a mentir quando afirma que os quadros de pessoal não estão abertos, ao que acrescento que as Finanças não autorizaram nestes últimos anos concursos de admissão nem muitos de acesso.Para onde estão a levar a Cultura e onde está a comunicação social que não foca os problemas no seu devido contexto.

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ARQUEOLOGIA E CINEMA






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3 comentários:

Lol disse...

Só quando os museus fecham é que os jornais deles se lembram.
A greve HABITUAL afinal é dos jornais.
E do Prof. Marcelo
E do Miguel S. Tavares
E do J. César das Neves

Brutus disse...

O Teixeira dos Prantos só justifica a abertura de concursos quando lhe interessa, vocês da Cultura - simplesmente não existem... 0,4% sabíam?

Ana disse...

A existência de um ministério da Cultura implica que exista um ministro e um projecto para a dita, o problema português é que não há nenhum projecto e a ministra não existe, ou pelo menos não apresentou rumo nenhum que pretenda para o sector limitando a sua actuação à ida a eventos e a palavras de circunstância.
Na realidade 0,4% do Orçamento de Estado diz tudo sobre a importância que o executivo dá à Cultura.