segunda-feira, dezembro 22, 2014

POEMA



A pálida luz da manhã de Inverno,

A pálida luz da manhã de Inverno,
        O cais e a razão
Não dão mais esperança, nem uma esperança sequer,
        Ao meu coração.
        O que tem que ser
Será, quer eu queira que seja ou que não.

No rumor do cais, no bulício do rio
        Na rua a acordar
Não há mais sossego, nem um vazio sequer,
        Para o meu esperar.
        O que tem que não ser
Algures será, se o pensei; tudo mais é sonhar.

Fernando Pessoa



sábado, dezembro 20, 2014

O PODER REAL EM PORTUGAL

Apesar de muitas tentativas de centralização do poder real, foi só no reinado de D. João II que Portugal deixou de ser um reino dominado pelo poder feudal.

O centralismo e o autoritarismo de D. João II, atingiu o seu ponto mais alto, acabando por confundir-se com a tirania. Note-se que este absolutismo precede outros por toda a Europa, como por exemplo na França onde só se instalará quase um século depois.

A família de Bragança era a mais poderosa à época, e por isso a execução do duque de Bragança, a pretexto de conspiração, nunca provada, foi apenas um dos diversos episódios conspirativos severamente reprimidos.

O confisco dos bens dos considerados conspiradores, a coroa viu a sua riqueza aumentar dum modo bem expressivo. Se a nobreza perdeu boa parte dos seus privilégios, também o clero viu diminuída a sua influência, especialmente depois da morte por envenenamento na prisão do bispo de Évora.


Os seus processos para implementar o absolutismo foram mais tarde replicados pelo Marquês de Pombal, sendo que na altura os Bragança foram substituídos pelos Távoras… 


sexta-feira, dezembro 19, 2014

O SUCESSO DA AUSTERIDADE



Quando os membros do governo nos vêm falar do sucesso das políticas por eles implementadas, e da virtuosidade da austeridade, demonstram não viver no mesmo mundo que a maioria dos cidadãos e um desconhecimento selectivo dos números oficiais sobre a real situação dos governados.

A Direcção-Geral da Saúde apresentou um estudo onde mostra que 27,3% dos portugueses adultos, que frequentam centros de saúde alteraram o consumo de algum alimento essencial devido a dificuldades económicas, e que 17,3% têm insegurança alimentar moderada ou grave.

Já eram conhecidos outros números de “sucesso”, como o das famílias endividadas, das famílias que ficaram sem os seus lares devido a penhoras, e o das famílias que pediram a insolvência, mas mesmo assim temos governantes a falar do sucesso das suas políticas.

Outros dramas como o desemprego e a emigração são minimizados, senão mesmo desprezados, por uma classe que já perdeu toda a sua credibilidade, que não se dá ao respeito e que há muito se deixou de importar com as necessidades dos cidadãos.

Só espero que os cidadãos deste país, que se queixam ou que apenas sofrem em silêncio, saibam responder nas urnas a esta classe de políticos que nos tem governado nestas duas últimas décadas, não lhes dando o seu voto, porque eles são os responsáveis pela situação em que vivemos.



quinta-feira, dezembro 18, 2014

O INTERESSE PÚBLICO E A PRIVATIZAÇÃO DA TAP

Se o interesse, legítimo, dos privados é o lucro qual a mais valia da privatização da TAP? Quem defenderá então os direitos dos emigrantes, do país que beneficia e muito do turismo e da economia nacional?

Só porque disso não se fala, digam-me quem fica com o passivo da TAP, e qual o seu montante, só para aquilatar dos benefícios, ainda que momentâneos,  da sua venda.


quarta-feira, dezembro 17, 2014

ABSTRACIONISMO

No 148º aniversário de Wassily Kandinsky, nada melhor do que mostrar duas pinturas de arte abstracta, ou abstracionismo é geralmente entendido como uma forma de arte (especialmente nas artes visuais) que não representa objetos próprios da nossa realidade concreta exterior. Ao invés disso, usa as relações formais entre cores, linhas e superfícies para compor a realidade da obra, de uma maneira "não representacional".


Blue painting de Wassily Kandinsky


Vermelho e azul de Franz Marc