sábado, fevereiro 17, 2018

PENSAMENTOS SOBRE A ACTUALIDADE

GRANDE ODALISCA - Esta pintura a óleo de Jean Auguste Dominique Ingres, exposta no Museu do Louvre em Paris, pode vir a ser mais uma das obras a ser retirada da exposição se o puritanismo que grassa em sociedades sem Cultura e sem qualquer sentido estético continuar a ser alimentado por um ensino sem uma vertente de conhecimento da História e da evolução do conhecimento.
 
CARNAVAL - Terminou o Carnaval de 2018, os corsos já tiveram o seu momento de glória, os foliões já retornaram à sua rotina e os miúdos já voltaram à escola. A crítica social já está esquecida, os carros alegóricos já desapareceram da vista e na memória de todos são poucas as coisas que ficam, e os nossos caretos vão ficando de ano para ano, resistindo ao tempo, como Património dum povo que pretende não deixar cair as suas tradições.

quinta-feira, fevereiro 15, 2018

MOTIVAÇÃO OU FRUSTRAÇÃO



Há quem defenda a cultura do mérito profissional, o que parece ser absolutamente racional e desejável aos olhos dos bem-intencionados.

A vida laboral nem sempre é racional, e a sociedade não é perfeita, longe disso. As chefias nem sempre são escolhidas pelo seu mérito, e as escolhas feitas ao mais alto nível têm sempre consequências a todos os níveis, até ao mais baixo.

Na função pública existem as escolhas baseadas na confiança política, quantas vezes desconhecedoras da realidade no terreno, e estas por sua vez rodeiam-se por amigos e outras escolhas entre quem não ponha em causa a sua direcção.

As classificações de serviço são uma absoluta mentira, porque as melhores classificações são para os amigos e para os incompetentes úteis às chefias, o que sob o pretexto das quotas impostas superiormente permite que os mais competentes fiquem de fora das melhores avaliações.

O sigilo sobre as classificações de serviço nem sempre consegue impedir que se saiba que uns quantos incompetentes recebem sistematicamente as melhores avaliações, e que os mais competentes e capazes se quedam por classificações médias que profissionalmente os prejudicam, também salarialmente, e ainda em possíveis futuros concursos e promoções.

Quem é que se sente motivado nos serviços públicos e quem se sente frustrado? Talvez seja fácil responder a esta questão, basta ver quem abarbata sempre as melhores classificações e proceder a uma avaliação independente e exterior ao serviço.



terça-feira, fevereiro 13, 2018

DEFESA, CULTURA E COMPROMISSOS

Portugal é um país muito curioso, porque quando se fala de compromissos ouvimos até um ministro, neste caso o da Defesa, Azeredo Lopes, dizer que “Portugal assume os seus compromissos e cumpre-os”.

A independência nacional deve estar em perigo, se calhar os nossos serviços de segurança descobriram alguma ameaça externa, e o governo sente-se na obrigação de aumentar o investimento na Defesa, para rechaçar alguma invasão que esteja a ser preparada por algum ditador.


É uma pena que o senhor 1º ministro e o seu ministro da Cultura não assumam nenhum compromisso sério para dotar a Cultura com um investimento de pelo menos 1% do PIB, afinal apenas metade do que Portugal parece comprometido para a Defesa.


domingo, fevereiro 11, 2018

PALÁCIO DE MAFRA O ESQUECIDO

O aumento das receitas e do número de entradas nos museus, palácios e monumento dependentes da DGPG, é um facto que merece ser festejado q.b. e que tem que ser analisado em termos de futuro do Património.

O investimento no Património tem sido mínimo nestes últimos anos, e para o presente ano de 2018 temos o anúncio de investimentos de 4,8 milhões de euros, com a ajuda de fundos comunitários em monumento da zona centro (Batalha, Alcobaça, Tomar, e Machado de Castro).

Não se pode dizer que seja um anúncio bombástico, muito pelo contrário, é mesmo modestíssimo tendo em conta as receitas arrecadadas pelo Património em 2017, que atingiram os 18,3 milhões.

Uma vez que o Palácio Nacional de Mafra comemorou em finais de 2017 o tricentenário do lançamento da 1ª pedra, talvez seja oportuno recordar o que diz uma página do seu sítio oficial, onde constam objectivos que se pretendiam alcançar, dos quais apenas um (e por via mecenática) foi atingido. Saliento nesta lista o restauro dos dois carrilhões, que é um promessa com vários anos e que está ainda por iniciar.


sexta-feira, fevereiro 09, 2018

A DITADURA DAS FINANÇAS E OS CONFORMADOS



Muitos serviços do Estado, especialmente na Administração Central, sofrem de grave falta de recursos humanos para o desempenho cabal das funções para que estão destinados. O resultado é quase sempre a degradação dos serviços prestados e a desmotivação dos funcionários, para além do descontentamento dos utentes.

Na realidade os serviços públicos, e os seus funcionários, são criticados pelo público em geral, quantas vezes tendo grandes razões de queixa, mas as responsabilidades estão bastante acima na cadeia de comando, e são invisíveis aos olhos do público.

Falando da Cultura e dos serviços ligados ao Património (museus, palácios e monumentos), é preciso salientar que os serviços têm quadros de pessoal subdimensionados, nomeadamente nas áreas de atendimento do público (vigilância, bilheteiras e lojas), e que os responsáveis o sabem bem, como sabem que é quase impossível fixar jovens nestas funções, e porquê.

Com a situação perfeitamente identificada, em vez de se tentar resolver o problema os responsáveis preferem restringir os períodos de férias e penalizar ainda mais os profissionais, já que são o elo mais fraco, por estarem na base da pirâmide da organização, e claro, das remunerações.

O senhor ministro da Cultura, a directora geral da DGPC, e os directores dos museus preferem conformar-se com o status quo, em vez de serem reivindicativos justificando as suas necessidades com maior empenho, perante o todo-poderoso Ministério das Finanças. Algumas vezes justificar-se-ia o pedido de demissão dos cargos por manifesta insuficiência de meios para realizar a sua missão com a devida dignidade.

O sistema de nomeações, a tal confiança política que lhes é exigida, e porventura os salários que auferem bem como as oportunidades que os postos lhes abrem, fazem com que quase todos pensem que é melhor não fazer ondas, conformarem-se com a situação e marimbarem-se para os funcionários e para o público.

Ainda um dia espero vir aqui manifestar o meu respeito e vir aplaudir a verticalidade de um alto responsável dum serviço que perante uma situação destas apresente a sua demissão por não estar disposto a defraudar o público e os seus subordinados.