terça-feira, março 31, 2015

O VALOR DA PALAVRA



Apenas pelas palavras o ser humano alcança a compreensão mútua. Por isso, aquele que quebra sua palavra atraiçoa toda a sociedade humana.

(Michel de Montaigne)

Na nossa sociedade moderna a palavra dos humanos tem cada vez menos valor, porque a hipocrisia, a sacanice os interesses, vão dominando e envenenando as relações humanas.

Num passado ainda recente, a palavra era honrada por quem a dava, e com ela se selavam grandes negócios e grandes amizades, o que hoje é impensável.

Quando os homens se comportam como se estivessem numa selva, onde prevalece apenas a lei do mais forte, como acontece por estes dias, pergunta-se onde está a civilização e a sociedade justa que nos impingem as chamadas elites?



domingo, março 29, 2015

CIDADÃOS E OS PATAMARES DE PROTECÇÃO

Fico fulo quando uns quantos senhores, ditos especialistas, nos vêm impingir umas quantas ideias que apenas querem dizer que existem uns cidadãos mais importantes que outros, perante as leis ou perante os direitos que a todos assistem.

Li agora que há “fiscalistas que defendem protecção de dados reforçada para titulares de cargos públicos”. Eu nem queria acreditar no que estava a ler, tal a enormidade da afirmação.

Dizem estes “especialistas” que a protecção de dados dos cidadãos deve ser garantida, entenda-se a dos cidadãos normais, e depois defendem um outro “patamar” de protecção para determinados detentores de cargos públicos.

Não me vou socorrer da Constituição para defender a igualdade de tratamento dos cidadãos pelas entidades públicas, porque me parece redundante, como redundante é defender a protecção de dados para todos, mas “reforçada” para uns senhores que deviam ser um exemplo para todos os outros.

Senhores fiscalistas, se há alguém que tenha medo do escrutínio público, então o que tem a fazer é não ser candidato a nenhum cargo público, ou será que para vocês é precisamente o contrário?

Que fique bem claro que não defendo a devassa dos dados de cada um, mas também não posso admitir que haja cidadãos de primeira e de segunda, perante o fisco ou perante qualquer outra instituição.




sexta-feira, março 27, 2015

NÃO ESTÁ TUDO LOIRO...



Sem desprimor para com as senhoras, também há quem faça política loira, independentemente do sexo, e nesta categoria eu colocaria a senhora ministra das Finanças.



No caso da lista VIP, Maria Luís Albuquerque tentou passar imune aos pingos da chuva, mas como responsável máxima do sector tributário, acabou por ter de se pronunciar.


Não correu bem à senhora argumentar que “o controlo político do que se passa dentro da Administração pública é um desrespeito da sua autonomia e responsabilidade”, porque o que estava em causa era tão só o seu conhecimento, ou desconhecimento da dita lista.


Dizer que desconhecia a lista, tal como fez Paulo Núncio, apenas significa que o seu ministério ou mente, ou então anda a leste do que lá dentro se passa, o que não bate certo, neste particular, porque há processos disciplinares relacionados com a dita lista, que agora já nem se dá ao trabalho de negar.


Quanto à autonomia da administração pública, diga-se que não poderia nunca decidir um controlo desta natureza à revelia da chefia política. Quanto ao direito fiscal a que todos têm direito, deixo apenas a curiosidade dos processos disciplinares levantados, e da constituição da lista, serem imediatamente posteriores ao escândalo do caso Tecnoforma onde estava envolvido Pedro Passos Coelho.


As ambições políticas de Maria Luís não se compadecem com explicações tão fracas e muito pouco sustentadas.  


quinta-feira, março 26, 2015

A PREPOTÊNCIA



Uma das características mais sinistras dum fascismo que se desenha um pouco por todo o lado tem sido o disseminar da prepotência dos poderosos, que não encontra por parte da Justiça o antídoto eficaz.

No mundo dos negócios e do grande capital, tudo é permitido, desde a exploração descarada de quem trabalha, até às grandes trafulhices económicas de onde os protagonistas saem impunes.

Na política recorre-se sistematicamente à mentira e ao esbulho dos mais desprotegido, sem que o simples cidadão tenha possibilidade de se defender dos grandes interesses instalados, porque a política é refém dos ditos.

A tática tem sido a de instalar o medo nas pessoas, criando uma sociedade em que impera a lei dos dois pesos e duas medidas, em que a uns tudo é permitido, e a outros apenas resta aguentar.

Os partidos falharam, os sindicatos estão enfraquecidos e quase dominados, a Justiça é ineficaz e só nos resta acordar antes que seja tarde demais.



terça-feira, março 24, 2015

FÚRIA

Porque hoje o dia não me correu nada bem, e a raiva me assaltou...

«A fúria quando despertada, acomete o homem mais sereno de uma raiva destrutiva.»

Gabriel Dias