quinta-feira, abril 28, 2016

O MUNDO DA ARTE

O mundo dos objectos de arte movimenta muito dinheiro, não só pelo valor das obras que se transaccionam, mas também pelo valor do trabalho de conservação e restauro, já para não falar de aspectos ligados à segurança, transporte e exposição desses verdadeiros tesouros.

Apesar de ser um amante das artes, e um apreciador da sua beleza, e de conhecer razoavelmente museus, galerias um pouco por toda a Europa, não sou um especialista, nem nada que se pareça com isso, quando muito serei um entusiasta.

Como aconteceu decerto com muita gente, também eu fiquei interessado na notícia da descoberta de uma possível obra de Caravaggio, Judith e Holopherne, que foi anunciada com pompa e circunstância Pelo especialista em História da Arte, Eric Turquin.

Claro que houve logo quem dissesse que era de facto uma obra de Caravaggio, e também outros que colocaram algumas dúvidas, apesar da qualidade do quadro em questão. Como curioso nestas coisas fui lendo aqui e ali, e também eu fiquei com algumas dúvidas, quando comparei esta pintura com outra de Louis Finson existente em Nápoles, pertencente à Colecção Intesa Sanpaolo. As semelhanças são imensas, e recorde-se que Finson é autor de diversas cópias de obras de Caravaggio.


Agora é hora de dar a palavra aos especialistas, depois veremos o que é que eles decidem…

Este é o quadro atribuído a Caravaggio

Este é o quadro de Louis Finson

quarta-feira, abril 27, 2016

MUSEUS – A GESTÃO PÚBLICA



Devo começar por reafirmar a minha opinião de que a gestão pública não tem que ser pior do que a privada, seja na Cultura, seja em qualquer outro campo.

A minha convicção esbarra quase sempre na realidade, mas as explicações para a má gestão pública dos museus podem ser diversas, e sobre elas convém reflectir.

Os orçamentos da Cultura são sempre muito inferiores às necessidades básicas de funcionamento, de manutenção e de programação, e não se fazem omeletes sem ovos.

A rigidez das regras de despesa são demasiado rígidas e morosas, e são muitos os dirigentes que nem sequer se atrevem a solicitar verbas, sabendo que não o fazendo ficam mais bem vistos pela tutela.

Tendo em conta os dois anteriores considerandos, e sendo um facto que os gestores não existem nos museus públicos, ou em conjuntos de equipamentos desta natureza, o resultado só pode mesmo ser desastroso.

Porque será então que com tão maus resultados não são demitidos os responsáveis dos museus e monumentos de gestão pública? A resposta divide-se em diversas partes, começando pela falta de verbas (as Finanças também merecem), os recursos humanos são escassos e com baixas qualificações (aqui fala-se só dos que dão a cara todos os dias), e nunca se ouve falar da incompetência, do imobilismo e da passividade dos responsáveis dos serviços, porque é feio.

Existem outros modelos que já foram experimentados, cá dentro e lá fora, e que tiveram bons resultados. Porque é que se não replicam?



segunda-feira, abril 25, 2016

O DIA DA LIBERDADE



Este dia é um canteiro
com flores todo o ano
e veleiros lá ao largo
navegando a todo o pano.
E assim se lembra outro dia febril
que em tempos mudou a história
numa madrugada de Abril,
quando os meninos de hoje
ainda não tinham nascido
e a nossa liberdade
era um fruto prometido,
tantas vezes proibido,
que tinha o sabor secreto
da esperança e do afecto
e dos amigos todos juntos
debaixo do mesmo tecto.

José Jorge Letria

domingo, abril 24, 2016

OS INOCENTES DOS PANAMÁ PAPERS

Têm sido curiosas as declarações dos portugueses apanhados pela investigação do Panamá Papers, com ligações a contas em offshores nos mais diversos locais.

Até agora nem um só admitiu ter usado esse expediente para pagar menos impostos, ou fugir aos ditos, ou estar envolvido nesses intentos a pedido de clientes.

Claro que são todos uns inocentes, pelo menos até que sejam apresentadas provas de algum ilícito criminal, mas lá que é interessante conhecer os seus nomes, isso é. Como todos somos também livres para ter uma opinião sobre tudo isto, também nós tiramos as nossas conclusões...


sexta-feira, abril 22, 2016

AS REVIRAVOLTAS NA CULTURA



Com a saída de João Soares e a entrada de Castro Mendes para o seu lugar, o clima que se vivia na Cultura, tornou-se mais calmo, mais sereno, um pouco à imagem do novo ministro.


Um estilo diferente, mais ponderado, contrasta muito com o de João Soares, mais beligerante e controverso, mas será que as coisas vão mudar?


O caso da extinção do projecto do Eixo Belém-Ajuda, parece que não foi completamente um abandono da ideia, mas sim uma mudança dos protagonistas, sem António Lamas, mas com a Câmara de Lisboa e o Ministério da Cultura, o que me parece um entendimento improvável, e que necessitaria da cooperação de outras entidades também actuantes na área, com métodos e realidades muito diversas.


A cooperação entre várias entidades só terá pernas para andar sob a batuta de alguém com conhecimentos das diversas realidades, do que pode ser partilhado por todos, a nível operacional, e com um projecto de gestão que seja consensual entre as partes. Não me parece que depois desta crise recente, seja possível encontrar um programa conjunto e complementar, bem como a pessoa responsável por o levar adiante.


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