quarta-feira, Agosto 20, 2014

A SELVA EM QUE VIVEMOS




A Vergonha e a Injustiça Não Existem na Natureza 
 

A vergonha não existe na natureza. Os animais sabem a lei: a força, a força, a força. Quem é fraco cai e faz o que o forte quer. A inundação, as chuvas, o mamífero mais pesado e mais rápido e o mamífero pequeno. Os primatas, os répteis, os peixes maiores e os mais minúsculos, a cascata: já viste algum animal cair? Não há a mais breve compaixão entre os animais e a água, o mar engoliu milhares e milhares de cães desde o início do mundo. Não há a mais breve compaixão entre a água e as plantas, entre a terra que desaba e os pequenos animais acabados de nascer. A natureza avança com o que é forte e a cidade avança com o que é forte: qual a dúvida? Queres o quê?
Não há animais injustos, não sejas imbecil. Não há inundações injustas ou desabamentos da maldade. A injustiça não faz parte dos elementos da natureza, um cão sim, e uma árvore e a água enorme, mas a injustiça não. Se a injustiça se fizesse organismo: coisa que pode morrer, então, sim, faria parte da natureza.


Gonçalo M. Tavares, in "Um Homem: Klaus Klump"


A selva nem sempre é tão simpática como parece na imagem

segunda-feira, Agosto 18, 2014

A CORRIDA DE MONTENEGRO



O presidente do grupo parlamentar do PSD tem andado com a agenda e com comentários bastante confusos, o que não admira quando se tem como missão defender e apoiar um governo que também não acerta uma.


Diz Luís Montenegro, sobre o diploma dos cortes salariais no sector, que foi parcialmente chumbado na passada semana pelo Tribunal Constitucional, “diligenciaremos para que seja comceleridade que o parlamento se possa pronunciar”, sobre a sua reapreciação.


O mesmo Montenegro, sobre uma comissão de inquérito sobre o caso BES, diz “não se trata de uma corrida paraver quem chega primeiro…”.


As prioridades do presidente do grupo parlamentar do PSD são bastante claras. Aqui não há equívocos, más interpretações, ou dúvidas de qualquer espécie: primeiro corte-se mais ainda aos funcionários públicos, agora já de 2016 em diante, e deixe-se em paz o caso BES, pois são apenas ninharias, para as quais não há pressas, porque os cortes (já para 2016 em diante) são muito mais importantes.

quinta-feira, Agosto 14, 2014

O Poder que Alterna entre o Dinheiro e o Sangue

Um poder só pode ser derrubado por outro poder, e não por um princípio, e nenhum poder capaz de defrontar o dinheiro resta, a não ser este. O dinheiro só é derrubado e abolido pelo sangue. A vida é alfa e ómega, o contínuo fluxo cósmico em forma microcósmica. É o facto de factos no mundo-como-história... Na História é a vida e só a vida - qualidade rácica, o triunfo da vontade-de-poder - e não a vitória de verdades, descobertas ou dinheiro que importa. A história do mundo é o tribunal do mundo, e decidiu sempre a favor da vida mais forte, mais completa e mais confiante em si - decretou-lhe, nomeadamente, o direito de existir, sem querer saber se os seus direitos resistiriam perante um tribunal de consciência despertada. Sacrificou sempre a vontade e a justiça ao poder e à raça e lavrou sentença de morte a homens e povos para os quais a verdade valia, mais do que os feitos e a justiça, mais que a força. E assim o drama de uma alta Cultura - esse maravilhoso mundo de divindades, artes, pensamentos, batalhas e cidades - termina com o regresso dos factos prístinos do eterno sangue que é uma e a mesma coisa que o sempre-envolvente fluxo cósmico... 

Oswald Spengler

EM MEMÓRIA DE...

terça-feira, Agosto 12, 2014

BIKINI BRIDGE

No Verão surgem sempre algumas “notícias tolas” talvez porque os políticos vão de férias, e o pessoal também já está fato de más notícias.

Uma das notícias que me saltou aos olhos foi a das modas deste Verão, que pelos vistos se resumem à pele e osso, no que às mulheres diz respeito. Segundo os especialistas, está na moda mostrar a abertura entre o bikini e a barriga, bem como ter coxas côncavas, que não se tocam.


Sinceramente, eu não alinho nada nessas modas, talvez por já ser antiquado, e gosto de ver uma mulher bem modelada, com as suas curvas naturais, e sem os ossos à mostra. Podem dizer-me o que quiserem, mas as musas do meu tempo eram bem bonitas e não existia ainda o Photoshop para disfarçar as coisas…