Sexta-feira, Julho 17, 2009

RAPIDINHAS

Gripe A – Como eu supunha, as vacinas para a gripe suína não vão ser ministradas a todos, como medida de prevenção, mas apenas aos grupos definidos administrativamente pelo Ministério da Saúde. O omnisciente ministério e os seus dirigentes actuam na saúde como os militares numa guerra, considerando que há danos colaterais que têm que ser assumidos como indispensáveis para uma vitória. Uma vacina é por definição um meio preventivo contra uma potencial ameaça e não um remédio que cura uma doença, por isso um critério estabelecido a esta distância (5 meses) é um perfeito disparate mesmo usando apenas critérios lógicos, e sem considerar que ainda iremos atravessar todo o Outono e uma parte do Inverno, o que não é desprezível numa análise com base científica.

Jardim – O senhor Alberto João Jardim já nos habituou às suas tiradas humorísticas, quase todas de mau gosto, diga-se. A última é a intenção manifestada de proibir o comunismo na nossa lei fundamental, usando como analogia a proibição de ideologias fascistas. A argumentação é delirante, mas isso é irrelevante, agora a utilização do lema “é proibido proibir”, não fica bem na sua boca, porque nessa altura sabemos de que lado da barricada estava o senhor Alberto João. A memória é uma coisa lixada para os políticos!...




HenriCartoon



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Pipe Dreamer

Pipe Dreamer

Quinta-feira, Julho 16, 2009

A CULTURA E AS CONVENIÊNCIAS

Eu como a maioria dos portugueses fui dos que não engoliu a desculpa de José Sócrates, quando lhe perguntaram o que mudaria no mandato que está a terminar, reconhecendo um erro na sua actuação.

Em geral, quando não se querem reconhecer erros escolhe-se algo que na altura não seja encarado como indispensável, tais as carências sentidas ao nível económico e social. Sócrates é exímio nestas manobras, e vai de dizer que devia ter investido mal na Cultura, que o dinheiro é sempre um excelente isco.

José Sócrates não é um homem de Cultura, e neste momento está mais preocupado com os resultados eleitorais nos escrutínios que aí vêm, do que com os míseros 0,4% que consignou para a Cultura. Uma Capital Europeia da Cultura vem a calhar, depois das suas recentes declarações, e o envolvimento de Jorge Sampaio é para capitalizar, pensa o 1º ministro.

Senhor engenheiro, se é que este tratamento não é ofensivo, isso é apenas foguetório para alguns ingénuos e muito distraídos, o que os eleitores querem saber é qual a dotação orçamental que pretende consignar à Cultura (não vale mentir como nas eleições passadas), e como vai ser utilizado esse dinheiro e quais as políticas para o Património, que o senhor se tem esquecido de enumerar.





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Pawel Kuczynski

Myung-Lae

Terça-feira, Julho 14, 2009

O sol nas noites e o luar nos dias

De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.

E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.

Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.

Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.

Natália Correia



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Boleia? By трасса Е66

Boleia2? By Дорожная

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Sábado, Julho 11, 2009

CHOVER NO MOLHADO

Se os economistas não me merecem grande credibilidade, em parte pelas suas responsabilidades no estado da economia, a verdade é que nos últimos tempos eles nos têm brindado com opiniões e manifestos para quase todos os gostos.

Daniel Bessa tem sido um dos mais profícuos na elaboração de estudos e em discursos sobre temas económicos, e desde o aeroporto de Lisboa ao TGV, passando pela estratégia económica para o futuro, sobre tudo se tem pronunciado.

Não é surpreendente que venha apoiar Manuel Pinho na sua última intervenção pública, afinal estamos na presença de dois ex-ministros do mesmo quadrante político. Tendo em linha de conta a actual situação económica e o desenvolvimento nacional dos últimos anos, Daniel Bessa não fica lá muito bem no retrato.

Eu esperava que as receitas propostas tivessem algo de inovador, mas surpreendentemente, ou talvez não, este economista aponta as mesmas velhas receitas, cujo resultado tão bem conhecemos.

Não vou rebater o rumo indicado põe Daniel Bessa, mas basta dizer que no fundo se limitou a dizer que a gafe de Manuel Pinho na China, até foi uma afirmação acertada, demonstrando-se assim que com os economistas da nossa praça (quase todos), continuaremos a querer competir no mundo globalizado apresentando como factor vantajoso, o baixo nível dos salários dos trabalhadores do sector produtivo nacional.

A política económica desejada pelo poder continua a ser a da tigela de arroz, mostrando-se assim o espírito criativo e inovador das classes dominantes e a sua visão para o futuro de Portugal e dos portugueses.

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Present by ChapaJane


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NICOLAE LENGHER


hossein rahim khani

Quinta-feira, Julho 09, 2009

E OS IDEAIS?

Quando na segunda metade da década de sessenta do século passado comecei a tomar consciência política, e a desejar mudanças contribuindo de algum modo para que isso acontecesse, ainda sonhava com um mundo melhor. Uns anos depois alguém disse que eu teria que escolher entre a realidade e a utopia, porque o mundo não ía mudar só porque eu assim o desejava.

Um homem só não muda o mundo, mas a vontade de muitos pode fazê-lo, essa foi a conclusão a que cheguei uns anos mais tarde com o 25 de Abril. Todos temos direito a uma vida melhor, a uma melhor distribuição da riqueza e a mais Justiça no sentido mais lato.

Portugal retrocedeu em quase todos os parâmetros estabelecidos logo após a 1974, e as desigualdades sociais voltaram a aumentar, a Justiça está de má saúde e apenas os ricos se mostram satisfeitos com a impunidade de que gozam, e os direitos laborais já quase deixaram de existir e a saúde começa a estar apenas ao alcance de quem pode.

Os políticos caíram em descrédito, o sistema judicial afunda-se rapidamente, e a saúde, que alguns dizem que é dos sectores que goza de alguma credibilidade, começa a ficar cada vez mais distante do cidadão normal.

Na mesma altura em que se diz que os portugueses confiam no SNS, revela-se também que são cada vez mais os portugueses que não compram os óculos que necessitam, ou que não vão ao dentista por não poderem arcar com as despesas. O tendencialmente gratuito da Constituição Portuguesa, por vontade dos políticos que temos, transformou-se num luxo que só está verdadeiramente ao alcance de quem tenha recursos para o pagar.

São da minha geração alguns dos dirigentes do PS e até do PSD, e a alguns vi-os nas lutas estudantis e nos tempos que sucederam à revolução dos cravos, discursando e manifestando os seus desejos de construção duma sociedade melhor e mais justa, por isso apetece-me perguntar: ONDE PÁRAM OS IDEAIS DELES?



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PINTURA
Lovers Quarrel by tHe-FOrger

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Randy Bish

Randy Bish