sábado, junho 23, 2018

TEMOS UM PROBLEMA DEMOGRÁFICO

Foi notícia o facto de o governo querer atrair 75 mil imigrantes por anos para combater um problema demográfico, o que levanta algumas questões que importa equacionar.

Portugal tem de facto um problema demográfico e isso não deriva de dificuldades em gerar filhos, o que poderia justificar essa medida, mas sim de natalidade, que tem razões que importa discutir.

Problemas como a instabilidade laboral, a precariedade, a dificuldade em encontrar habitação condigna, e os baixos salários praticados, são algumas das dificuldades que os nossos jovens encontram quando pretendem formar família, e eventualmente querem ter filhos.

As políticas laborais continuam a ser favoráveis ao patronato, os contratos a prazo e os estágios proliferam, o preço das casas e a não existência do mercado de arrendamento são uma realidade, e os baixos salários continuam a forçar os jovens a procurar outras paragens.

Quando se fala numa solução para os problemas demográficos, e se aponta para a atracção de imigrantes para a suprir, estamos na realidade a dizer que pretendemos continuar a praticar uma política de baixos salários, mais precariedade e de mais especulação imobiliária.


Como diria Abraham Lincoln, “pode-se enganar a todos por algum temo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos todo o tempo.”


quinta-feira, junho 21, 2018

UMA VAGA DE MUSEUS

Ainda continua a polémica em torno do anunciado Museu das Descobertas, ou dos Descobrimentos, e já começou outra discussão, agora sobre o Museu do Terramoto.

Nos dois casos acima mencionados está envolvida a Câmara Municipal de Lisboa, sendo que no primeiro a ideia terá partido do próprio presidente, e no segundo existe já uma cedência de espaço camarário em zona nobre de Lisboa para a sua implementação.

Sobre o primeiro museu, o das Descobertas, já manifestei a minha opinião, e curiosamente sobre o segundo, o do Terramoto, a opinião é quase a mesma.

Quando questionado sobre o projecto do Museu do Terramoto, Ricardo Clemente (um dos promotores da ideia) afirmo que não queria estar preso a uma catalogação, acrescentando que “não é definitivamente um museu, nem um centro de interpretação como estamos habituados a ver, é uma mistura de alguns destes ingredientes”.

Curiosamente a mesma definição também me foi sugerida quando perguntei, a respeito do Museu das Descobertas, sobre o seu acervo e sobre a mensagem que se queria transmitir.


Está visto que são duas ideias pouco definidas e muito pouco trabalhadas, que podendo ser potencialmente estimulantes, não têm ainda pés para andar. Há tanto que fazer pelos museus e monumentos já existentes que não faz sentido perder mais tempo e energias com estes projectos ainda em estado embrionário.












A ideia terá partido daqui?

terça-feira, junho 19, 2018

MIGRANTES E RACISMO NO OCIDENTE

O chamado mundo ocidental, grande arauto da Liberdade, da Democracia, e da defesa dos Direitos Humanos, afunda-se na confusão e nos populismos com características bem próximas dos extremismos que alimentaram o tão odioso fascismo que muitos julgavam morto e enterrado.

Nos Estados Unidos pontua um dirigente arrogante e completamente desequilibrado, que se julga o dono da verdade e o senhor do mundo, que além de desestabilizar o mundo criando situações políticas e económicas, também mostra um absoluto desprezo pelos Direitos Humanos, como se pode constatar com a política de “tolerância zero”, que está a originar a separação de famílias migrantes com o espectáculo degradante que as redes sociais divulgaram.

Na Europa o exemplo maior vem da Itália onde o ministro do Interior Matteo Salvini manifesta a intenção de fazer o recenseamento dos ciganos em Itália, com o intuito de expulsar todos os que estejam em situação irregular, e chegou mesmo a acrescentar que “quanto aos ciganos italianos, talvez tenhamos de ficar com eles”, mostrando claramente o seu desgosto.


A continuarmos assim, o futuro não augura nada de bom para o mundo… 


domingo, junho 17, 2018

OS PORTUGUESES E O PATRIMÓNIO

Portugal continua a ser, dos países europeus, um dos que compara pior com os seus parceiros, no que respeita a visitantes nacionais nos seus museus e monumentos, ficando mesmo a cerca de metade da média europeia.

Por um lado temos a registar um aumento das visitas aos museus e monumentos, mas sobretudo à custa do aumento de estrangeiros e das visitas grátis, o que é sintomático. Apesar do aumento total de visitas o número de funcionários não subiu na mesma proporção, apesar de algumas admissões, porque também se verificaram saídas por aposentação, e saídas para outros ministérios, que dispararam nos últimos anos.

Um dado curioso é o das receitas geradas neste sector, que apesar da escassez de recursos humanos, especialmente no acolhimento dos visitantes, é muito significativo no panorama das receitas geradas pelos diversos sectores culturais.

Ler também ISTO
 


sexta-feira, junho 15, 2018

A AUTO FLAGELAÇÃO LUSA

A propósito do nome dum hipotético museu, cuja designação podia ser “Museu das Descobertas”, ou “dos Descobrimentos”, surgiram vozes e textos de quem se insurgia contra qualquer das designações, por acharem que qualquer dos nomes era incorrecto, e poderia ofender povos com os quais convivemos no passado, e que dominámos praticando actos que hoje condenamos, enquanto sociedade civilizada.

Já manifestei em vários locais a minha opinião, sou contra a censura (trata-se disso) destes nomes, só porque alguns de nós se pretendem autoflagelar por factos praticados por portugueses há centenas de anos. O mundo mudou, as consciências também, e a verdade é aquilo que nós devemos deixar ao mundo, pois será ela que nos redimirá.


Como diria Millôr Fernandes, “há duas coisas que ninguém perdoa: as nossas victórias e os nossos fracassos”. Neste caso o nosso fracasso será escamotear a História de algum modo, só porque não assumimos o que os nossos antepassados fizeram, só porque hoje isso não é politicamente correcto.