terça-feira, dezembro 06, 2016

UMA MÁ IMPRESSÃO DE SINTRA

Fui ao centro de Sintra num dia de comemoração do aniversário da minha esposa e, apesar de conhecer muito bem a Vila, onde trabalhei durante muitos anos, fiquei espantado com as mudanças acontecidas nestes últimos dois anos.

Comecei por ficar mal impressionado com o trânsito, porque entrar ou sair de Sintra via S. Pedro é uma trapalhada e está tudo mal assinalado, mas disseram-me que depois de nada se fazer durante os últimos anos, agora em vésperas de eleições autárquicas a autarquia acordou.

O número de turistas nesta época do ano parece ser maior, e sobretudo deixou de estar exclusivamente dependente do afluxo de espanhóis, que embora sejam muitos já não são os únicos. Curiosamente o turismo em grupo continua a existir, mas os que se deslocam de carro ou em transportes públicos são cada vez mais, o que nos traz mais gente jovem e gente com maior poder de compra.

O restaurante escolhido, excelente diga-se já, fica perto da estação de comboios e depois de algumas voltas, lá encontrei um lugar pago para estacionar. Tinha notado que junto à estação havia alguma aglomeração de pessoas, que não me parecia normal. Não era, de facto, e eram indivíduos jovens na sua maioria, que abordavam agressivamente os turistas para alugar bicicletas, e carros de todos os tipos, bem como as sempre presentes tuk-tuk.


Acho que a venda de serviços devia ser regulada, porque é extremamente aborrecido ser quase assaltado por quem “vende” serviços na via pública. Sei que isto existe em Itália e noutras paragens turísticas por esse mundo fora, mas posso discordar deste tipo de abordagem, e não serei o único. 

domingo, dezembro 04, 2016

O GOVERNO E A COMPETÊNCIA

A nomeação da nova gestão da Caixa Geral de Depósitos, não foi só uma monumental trapalhada, de que todos os meios de comunicação social fizeram eco, mas também um sinal de esperança para todos os trabalhadores que ainda acreditam que a Justiça prevalecerá.

Parece estranho que se faça um paralelo entre um gestor como Paulo Macedo e um qualquer trabalhador, mas se o executivo de António Costa acha que a competência do gestor que escolheu merece um altíssimo salário, então também é lícito pensar que o mesmo é válido para todos os trabalhadores, dos mais variados ofícios, que o fazem de um modo competente.

Será que isto é como acreditar no Pai Natal?Então não vamos todos receber salários competitivos relativamente aos dos países com os quais competimos neste mundo globalizado?


sexta-feira, dezembro 02, 2016

QUE PAROLICE…

Temos assistido a diversas demissões por se desvendar que havia diversas habilitações falsas de pessoas ligadas ao poder, e isso tem sido “um pratinho” para a comunicação social, e para a oposição, apesar de não serem factos únicos, ou até pouco comuns na nossa sociedade.

Em Portugal tem-se tido como dado por certo que um qualquer licenciado estar imediatamente capacitado para desempenhar qualquer cargo, independentemente da afinidade entre a licenciatura e o cargo ocupado.

A tolice imensa chegou ao ponto de um engenheiro ser considerado apto para o ministério da saúde, um médico ser considerado ideal para a educação ou um diplomata ser uma boa escolha para a Cultura.

Trabalho num serviço onde um terço dos “doutores” não o é, e onde pessoas da mesma categoria profissional têm horários diferentes, com o conhecimento dos superiores, que acabam por discriminar os próprios funcionários, sem admitirem nunca situações de favorecimento.


Isto é o Portugal  parolo no seu pior! 

quarta-feira, novembro 30, 2016

OS VISITANTES DIFÍCEIS...



A vida dos funcionários de vigilância dos museus é tudo menos fácil, e eis que me proponho a divulgar duas conversas bem elucidativas.

Entram dois casais com um ar distinto, usando aquele palavreado típico que irrita um santo, e depois de debitarem uma série de banalidades, eis que uma das senhoras se dirige a uma peça de porcelana, que até estava em zona de protecção das baias daquela sala, e pega nela virando-a ao contrário. A vigilante da sala dirige-se à senhora:

- Desculpe minha senhora, mas nas peças expostas não se pode tocar.
A resposta da senhora, olhando por cima dos óculos, veio de imediato.

- Eu sei, estava apenas a ver se tinha alguma marca de fábrica.

Outra que por acaso presenciei, foi a do senhor que atravessou o perímetro das baias de protecção de um coche e se preparava para subir para o seu interior, com o filho ao colo, no que foi impedido pelo funcionário, que se lhe dirigiu dizendo:

- O senhor não pode estar nessa zona, nem tão pouco tocar na viatura.

O senhor irritadíssimo, retorquiu:

- Não posso porquê? Onde é que isso está escrito? Isto também é meu, e quem é você para me proibir, e o que é que vai fazer?

Nem toda a gente tem estes comportamentos, mas mesmo assim estas situações são comuns nos nossos museus, infelizmente.



segunda-feira, novembro 28, 2016

FIDEL



São poucos os políticos que conseguem ser amados por uns e odiados por outros, mas que conseguem ser coerentes durante muitas décadas, até à sua morte.

Fidel conseguiu tudo isso, mas conseguiu também sobreviver ao ódio de dirigentes da maior superpotência mundial, que repetidamente o tentaram assassinar, como é público.

Podemos concordar ou discordar das opções políticas ou do modo como dirigiu Cuba, mas Fidel foi sempre fiel a si próprio e ao seu discurso, coisa de que poucos políticos mundiais se podem orgulhar.

Por estes dias vemos figuras cinzentas da nossa política a criticar Fidel Castro, contudo nunca ficarão na História por algo relevante, ao contrário de Fidel, que apesar de tudo até foi respeitado por boa parte do seu povo, independentemente das condições de vida a que foram sujeitos, e até por muitos dos seus opositores.